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Molhe tranca passagem de barcos no rio Itajuba

Obra era pra beneficiar 50 famílias de pescadores, mas acabou assoreando o canal da barra

João Batista
geral@diarinho.com.br

Obra sonhada há 30 anos e finalmente inaugurada no sábado, o molhe da barra do rio Itajuba, em Barra Velha, já virou alvo de muitas reclamações. Principalmente dos 50 pescadores que fazem parte da colônia local. O Ministério Público também apura erros de execução no serviço. Pra reforçar o time dos incomodados, estão moradores, que acusam a obra de ser a responsável pela diminuição da faixa de areia da praia do Grant.
Tudo porque o aterro de parte do canal para a construção de um molhe e a movimentação de areia vinda da praia tá estrangulando a boca do rio, praticamente fechando a travessia pros barcos da chamada barrinha da praia do Grant. Antes da obra, mesmo em maré baixa, ficava 1,50 metros de água no canal. Agora, a passagem tá rasinha e os barcos tão encalhando no banco de areia.
Ontem, os pescadores Silvano Borba, 48 anos, e João Batista Floriano, 53, tiveram que fazer malabarismos com os remos para conseguir sair do rio. “A coisa tá bem complicada. Tá todo mundo parado porque o pescador fica preso”, reclamo Silvano.
Moacir Pereira, 54, o Sombra, é um dos pescadores que prefere nem se arriscar. Ele ressaltou que não é contrário ao molhe, mas criticou a forma como a obra foi feita. “Estrangularam o rio de vez e cada dia foi fechando mais”, critica.
O molhe avança cerca de 30 metros pra dentro do mar, só na margem esquerda do rio. Na boca da barra, parte do canal recebeu aterro e pedras, área antes ocupada pelo rio e que agora virou estacionamento.
Para Sombra, não precisava avançar com tanto aterro dentro do rio. Se não fosse isso, ficaria mais espaço pros barcos e mais lastro pro canal da barra não ser trancado pela areia. “Agora tem que fazer manutenção frequente na boca da barra”, aponta.
A dragagem da barrinha foi sugestão levada pelo presidente da colônia de pescadores, José Moacir Viana, o Zequinha, para o prefeito Claudemir Matias (PSB). Outra ideia é erguer um segundo molhe que avance sobre o mar a partir da outra margem do rio.

Solução só a longo prazo
As duas propostas, no entanto, precisarão, além de grana, de estudos técnicos e novas licenças. Ou seja, vai demorar.
Zequinha disse que o molhe tá pronto desde fevereiro. Nos últimos meses, o canal funcionou bem, mas a última ressaca jogou muita areia pro rio, argumenta, preferindo não entrar em polêmica. “Eu não condeno ninguém, até porque não sou técnico. Todo mundo dá palpite, mas mexer com a natureza é complicado”, avalia.
O presidente da Colônia frisa, no entanto, que os pescadores tão tendo prejuízo. Cerca de 70% dos barcos não tão conseguindo passar. Zequinha espera alguma providência, mas também acredita que a própria natureza pode ser encarregar de fazer as coisas voltarem como era antes.
O molhe consumiu R$ 1,1 milhão e é a primeira parte de projeto para revitalizar a barrinha. O projeto prevê ainda o desassoreamento do rio e uma nova ponte na avenida Itajuba.
A reportagem não conseguiu explicações com o prefeito Claudemir Matias. À tarde as ligações caíram na caixa postal e à noite ele alegou que estava em prova na faculdade e não poderia atender.

Marzão começou a comer areia da praia
Morador na praia do Grant, o engenheiro civil Edson Hagemann, 59, afirma que o molhe alterou a velocidade com que a água chega na orla. As ondas tão mais fortes e levando a areia pro canto da barrinha.
Segundo estima, ao longo de quase 200 metros de praia, mais de um metro de altura de areia e de restinga já foram embora. Por parte da prefeitura, foi alegado que o problema é resultado da ressaca, mas Edson discorda.
Para ele, deveria ser feita uma obra de contenção antes da barra do rio. “Senão, não vamos ter mais praia,” alerta. “A solução seria um molhe no lado sul para segurar a areia”, sugere o engenheiro, observando que a ideia protegeria a orla e também garantiria a passagem dos pescadores pro rio.

Ministério Público tá investigando
A prefeitura e a Fundação Estadual de Meio Ambiente (Fatma) são partes no inquérito do Ministério Público aberto ainda em março para apurar irregularidades no licenciamento e na execução das obras do molhe da barrinha do Grant. A investigação tá em fase de diligências e análise de documentos.
Pro pessoal da Fatma, que respondeu as primeiras solicitações da promotoria, o serviço foi feito cumprindo todas as exigências do licenciamento ambiental. As licenças foram dadas em abril e maio de 2015.
O objetivo das obras, segundo a fundação do Meio Ambiente, era manter o curso estável do rio e dentro dos limites para favorecer a entrada junto à foz, melhorando a navegação e dando segurança dos barcos, além de melhorar o escoamento e minimizar os efeitos das cheias na região.

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