Home Notícias Quentinhas Magia do circo reinventada pelo Tihany

Magia do circo reinventada pelo Tihany

Arte circense ganha aliados como a tecnologia e o ilusionismo numa apresentação de tirar o fôlego em Balneário Camboriú

Mariângela Franco, especial para o DIARINHO

Espetacular. Ou melhor, Tihany Spectacular, o maior circo da América Latina e o terceiro do mundo, está pela primeira vez em Balneário Camboriú para uma temporada de oito semanas. Com o show Abrakdabra, o imenso teatro ambulante comemora 60 anos de apresentações no Brasil e exterior. Tudo é grandioso, fascinante e pensado nos mínimos detalhes para encantar o público de todas as idades, com a alegria, a magia e a surpresa.
A estrutura completa tem pelo menos 14 mil metros quadrados. Só de fachada são 90 metros, e sob a lona principal o espectador encontra não um picadeiro, como nos circos convencionais, mas um palco com 700m², com confortáveis poltronas de veludo vermelho – 48 para portadores de necessidades especiais. A capacidade é de 1762 ocupantes, o ambiente é climatizado e todo o piso coberto com tapete, como uma verdadeira casa de shows.
Na entrada principal, há um lobby-bar, espaço onde são vendidos comes e bebes em estandes. A pipoca, claro, não poderia faltar, assim como os churros, batatas fritas, cachorro-quente, rosquinhas (donuts) e outras guloseimas para matar a fome e acalmar a ansiedade. Água e refrigerantes também são vendidos antes do espetáculo e durante o intervalo. Há bancas com bonecos, bichinhos e lembrancinhas do Tihany. Tudo iluminado por lustres enormes.

Abrem-se as cortinas
Exatamente na hora marcada, começa a função. A essência da arte circense revive nos números de mágica, ilusionismo, humor, dança, contorcionismo, equilibrismo e acrobacias à luz e ao som envolventes do show criado em Las Vegas, nos Estados Unidos, para celebrar o cinquentenário do circo Tihany.
Os luxuosos figurinos e os cenários do Abrakdabra trazem efeitos especiais aos 18 atos durante duas horas, com intervalo de 20 minutos. O espetáculo é produzido por tecnologia de ponta, com a utilização de luzes de LED que criam figuras tridimensionais surpreendentes.
A gerente de recursos humanos paulista Andrea Guerra, de férias em Balneário Camboriú, saiu direto da praia para assistir à sessão das 18h, no primeiro dia do ano.
A moça curtiu o espetáculo com o entusiasmo de criança, acompanhando com palmas, risadas e muita pipoca doce. No fim do show, só uma palavra: “Adorei!”
Os destaques que fizeram brilhar os olhos de Andrea e dos demais espectadores são os números de ilusionismo e de humor. Um helicóptero surge no palco iluminado em apenas três segundos, lenços coloridos se transformam em ovo gigante, um grupo de artistas some para reaparecer pela entrada oposta. Estes são apenas alguns exemplos dos truques executados na frente do povo extasiado. O mágico e ilusionista é o argentino Richard Massone, também diretor geral e sucessor do fundador do circo, Franz Czeisler, o “Grande Tihany”, hoje aposentado e com 99 anos. Quando necessário, Massone alterna as apresentações com o brasileiro Romano Garcia, seu substituto.
A outra estrela é Henry Ayala Jr., cômico que se apresenta com o título de Príncipe dos Palhaços, conquistado em festivais na Inglaterra e Rússia. Alma do circo, ele interage com o público o tempo todo e arranca gargalhadas com suas brincadeiras compreendidas por adultos e crianças sem que diga uma só palavra.
A trupe é formada por mais de 50 artistas de 25 países. Uma babel que se entende em inglês, espanhol e português. Entre as bailarinas está Victória Marinho, 20 anos, paulista formada na escola de balé Bolshoi, de Joinville. Agora em janeiro a jovem completa um ano integrando o grupo. “É um sonho”, conta, enquanto mostra a organização dos figurinos nos trailers no fundo do palco.
Vic conheceu as bailarinas do circo quando elas visitaram a única escola Bolshoi fora da Rússia e desse bate-papo veio o interesse em integrar o grupo.
A outra brasileira na equipe é Aryelle Freitas, de Natal, (RN). Quando o circo passou por lá, a bailarina e professora de dança começou a trabalhar como recepcionista, mas na última semana fez teste, foi aprovada para subir ao palco e está até hoje na carreira que sonhou. “Viajo, conheço mil e um lugares, diferentes pessoas, e me sinto realizada no meu trabalho”, conta.
Atrás do palco estão encaixados os contêineres que servem de guarda-roupas, oficinas para confecção e reparo das fantasias, armários especiais para manter os adereços em perfeitas condições. Tudo na maior ordem e em sequência.
Ao lado, um Rolls Royce Phantom de mais de 60 anos, resgatado em um leilão nos Estados Unidos pelo fundador do circo. O carro brilha na semiescuridão e aguarda para transportar o mágico ao palco. O exemplar já serviu ao arquiduque Felix da Áustria e à princesa Anne Eugénie d’Arenberg. Hoje, o cálculo é que valha cerca de R$ 2 milhões.

Vida normal pelo mundo
Enquanto o papai Amar Altai e a mamãe Tsedendulam Lkhagva se aquecem sobre um tapete atrás do palco, a filha Kelly Azzaya, de oito anos, interrompe a brincadeira com os amigos no “quintal” do circo para falar com a reportagem. A garotinha conta em português perfeito que nasceu em Chicago, nos EUA, e a irmãzinha Kaila Anar, seis anos, no México. Kelly se comunica com os pais, naturais da Mongólia, na língua nativa deles, mas se sai bem em inglês, espanhol ou português. Muito esperta, ela diz que ficar trocando de escola a cada dois meses “é legal” e também não vê problema em fazer novas amizades em cada cidade que chegam.
Para a menina, que já demonstra habilidades para o contorcionismo como a mãe, hoje bailarina do circo, as atividades preferidas são andar de bicicleta, brincar com os amiguinhos, ler e escrever. Ela foi aprovada na terceira série do ensino fundamental. A irmãzinha começa em 2016 o primeiro ano.
A família ocupa um dos 30 apartamentos em hotéis reservados pela produção do Tihany. Os demais artistas e cerca de 70 pessoas encarregadas da parte administrativa ou técnica que acompanham o circo moram em casas móveis, os trailers confortáveis que fazem parte do imaginário popular.
Fora os 120 funcionários fixos, em cada lugar que chegam é necessário contratar de 70 a 100 pessoas para trabalharem no estacionamento (terceirizado), orientação de público, segurança, bilheteria e outros setores. Para a montagem e desmontagem da estrutura, o relações públicas do circo, Enrique Alvarado, explica que são necessárias cerca de 72 horas de trabalho contínuo. Diferentemente dos demais circos, em que os artistas se dividem em outras funções, como bilheteria, vendas de produtos, limpeza e apoio nas apresentações, no Tihany isto não acontece, afirma Alvarado. “Cada um tem seu trabalho, sem acúmulo de funções”, garante.

O fundador Franz Czeisler (Tihany)
O húngaro Franz Czeisler, nascido em 1916, escolheu o nome de uma cidade balneária na terra natal para batizar o circo que fundou – Tihany. Ainda guri, aos 11 anos, conheceu um circo e se prontificou a cuidar dos animais em troca do ingresso. O contato com um mágico, o faquir calabrês chamado Blackman, incentivou-o a aprender tudo sobre a profissão. E assim, correu o mundo, estudando e aprendendo a arte circense.
A vinda com a família para o Brasil deu-se após a Segunda Guerra Mundial, onde tentou a profissão de ilusionista. Como não encontrou onde trabalhar, montou uma tenda a que chamou Circo Mágico Tihany. A estreia foi em Jacareí (SP), em abril de 1954. O Tihany é o primeiro do mundo a não utilizar animais em suas apresentações e a colocar um palco e não um picadeiro como parte da estrutura. Em crescimento, a companhia primeiro viajou por todo o Brasil e, depois, pela América Latina, transformando Franz Czeisler em senhor Tihany.
O ilusionista poliglota tornou-se o Mago dos Magos, e, entre tantos títulos, foi nomeado Embaixador Mundial do Circo, outorgado pela família Real de Mônaco; doutor honoris causa pela Universidad Mesoamericana de Puebla, no México; e presidente do júri honorário do Internacional Circus Festival of Budapest, na Hungria. Um de seus aprendizes mais renomados chama-se David Copperfield.
Aos 99 anos, Tihany mora em Las Vegas, nos Estados Unidos. De lá ele acompanha a trajetória do Spectacular Tihany sonhado e realizado por ele há mais de 60 anos. O mundo mágico que Czeisler criou segue a diretriz de ser diferente, moderno e inesquecível. Mais que um circo, eis um verdadeiro espetáculo.

PRA CURTIR TAMBÉM
LOCAL: Avenida do Estado, 4795, em Balneário Camboriú
SESSÕES:: terça e quarta-feira, às 21h; de quinta a  sábado, às  18h e 21h; e, no domingo, às 17h e 20h.
PREÇOS: De R$ 70 (geral) a R$ 150 (camarote com quatro cadeiras). Valores intermediários para plateia lateral, plateia plus, preferencial lateral e preferencial frontal. Crianças de um ano a 12 anos pagam R$ 35 em qualquer localização. Maiores de 60 anos, aposentados, estudantes com documento comprobatório pagam meia entrada. Bebezinhos até 12 meses no colo do responsável e portadores de necessidades especiais, acompanhados por pagante, não pagam ingresso.
COMO COMPRAR: nas bilheterias do circo, de terça a domingo, a partir das 10h, e no site www.ingressorapido.com.br. Os 10 primeiros leitores que compartilharem esse texto no Facebook do DIARINHO, ganham um ingresso grátis. Não esqueça de deixar a postagem como pública.
 

Compartilhe:

Deixe uma resposta

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com