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Mãe tenta trocar o filho de um ano por crack

Mulher foi presa no sábado, mas já tá solta. Pequeno foi levado para um abrigo, mas pai diz que quer cuidar do filho

Lucimara Nunes Pereira, 38 anos, foi flagrada tentando trocar o filho de um ano e cinco meses por algumas pedras de crack, em Camboriú. Populares viram a cena e chamaram a polícia Militar, que resgatou o pequeno.
Era por volta das 21h30 de sábado, quando Lucimara saiu de casa com o filho em um carrinho de bebê. Ela foi até a rua Monte Cruzeiro, onde largou o carrinho e a criança numa esquina.
A dona de casa Luciana Marcondes Ferreira, 30, que mora no condomínio Vila Verde, contou à polícia que foi abordada por Lucimara, que estava agressiva, tropeçando e com um forte cheiro de cachaça. Ela teria oferecido o filho em troca de drogas.
Os vizinhos resgataram a criança abandonada no carrinho e chamaram a PM. Lucimara foi presa em flagrante.
O delegado Eliomar José Bebber enquadrou a mãe por abandono de incapaz. À polícia, Lucimara negou que quisesse trocar o filho por drogas.
A mulher chegou a ir para o cadeião do Matadouro, em Itajaí, mas foi solta no domingo, com o pagamento da fiança. Ninguém soube informar quem pagou pela liberdade de Lucimara.
Criança está em abrigo
A conselheira Tutelar Janaina Simmerman Gervásio contou que o pequeno foi acolhido e está num abrigo para menores no interior de Camboriú.
O futuro da criança será definido pela justiça. Segundo Janaina, apesar de ter ficado bastante assustado com a confusão, o menino está bem. 

Mulher quase apanhou do povão revoltado
O carpinteiro Adacir de Jesus Ferreira, 35 anos, conversava com os amigos no pátio do condomínio onde mora, no bairro Monte Alegre, quando viu Lucimara chegando, no sábado. Ela entrou no prédio perguntando se alguém tinha drogas e disse que trocaria até o filho por elas.
Os moradores perceberam o carrinho de bebê abandonado na calçada. Adacir conta que a mulher dele resgatou a criança e não a largou até a PM chegar.
A vizinha R. B. S., 40, foi quem ajudou a limpar o pequeno e alimentá-lo. “Eu cheguei do serviço e tava limpando a casa quando ouvi o pessoal gritando”, conta.
Mãe de cinco filhos e viúva, R. diz que não deixou Lucimara fugir com o filho. “Ela queria pegar o bebê de qualquer jeito, se debatia, até nos policiais bateu”, diz.
Em pouco tempo todos os moradores do condomínio desceram para ver o que estava acontecendo. “O pessoal queria bater nela, tava todo mundo indignado, queriam linchar ela”, conta R.
O que chamou a atenção de R. é que no carrinho de bebê estava a certidão de nascimento e a carteira de vacinação do pequeno. “Tava tudo em dia. Eu penso que talvez ela cuidasse bem, mas numa hora de fissura pela droga fez o que fez”, palpita.
Já na delegacia, R. lembra que a mãe da criança disse que estava arrependida. “Aqui nós somos muito humildes. Desde que meu marido faleceu, cheguei a passar fome, mas nunca deixei meus filhos. Aqui todo mundo se ajuda pra não faltar nada pros filhos”, desabafou a viúva à reportagem.

Pai quer o garotinho de volta
A voz embargou e os olhos se encheram de lágrimas quando Sirio Ribeiro, 64 anos, falou do filho abrigado numa instituição de menores em Camboriú, depois da prisão da mulher, mãe da criança.
O catador de material reciclável contou que vive com Lucimara há três anos. O casal tem dois filhos pequenos, mas a mulher é mãe de outras quatro crianças. O mais novo, de 10 meses, está sendo criado por um padrinho.
Sirio conta que no sábado, por volta das 19h, Lucimara arrumou a criança e disse que ia pra igreja. “Eu pedi pra ela não sair, pra ficar em casa com meu piá”, conta. Lucimara, que estaria bêbada, saiu com a criança no carrinho.
O aposentado só ficou sabendo do que tinha acontecido no dia seguinte. Lucimara saiu da cadeia no domingo. Ela apareceu em casa só à noite, sem explicar onde estava o filho.
Ontem, quando o DIARINHO conversou com Sirio, a mulher não estava em casa. “Eu tô com muita saudade do meu piá. Eu não consigo nem comer direito. Ele ainda não fala, mas corre pra lá e pra cá”, contou o pai.
Na geladeira da casa simples, ele faz questão de mostrar o leite e o iogurte que comprou pro pequeno. “Eu não posso mais trabalhar, mas eu vendo material reciclável só pra não faltar nada pro meu menino. É tudo pra mim esse gurizinho”, diz.
Desde domingo, Sirio tomou uma decisão: não quer mais saber de Lucimara. Segundo ele, a mulher nunca cuidou dois filhos. “Ela tem mais quatro, o mais velho tem 16 e a mais nova de quatro anos, que tão com o conselho tutelar”, conta.
O pai de Lucimara, Alair José Nunes Pereira, 63, fala que Lucimara é viciada em álcool desde os 15 anos. Ele não gosta de comentar que a filha usa drogas pesadas, mas confirma que já a viu usando drogas até em casa. “Se não usasse não teria feito o que fez”, afirma. Sirio diz que hoje vai ver o filho no abrigo e que fará tudo para levá-lo de volta pra casa.
Alair, pai da mulher, e Sírio, o marido, confirmam o vício de Lucimara em drogas.

Viciados fazem qualquer coisa pela droga
O psicólogo e professor da Univali, Jair Ferracioli, explica que as pessoas viciadas em crack vêm de uma longa trajetória de uso de drogas, que começa geralmente na bebida alcoólica, passa pela maconha e depois acaba em substâncias mais fortes. “O crack é uma droga barata, é o último degrau. É muito difícil recuperar um usuário,” conta.
O professor explica que a droga destrói o emocional da pessoa, que vive apenas para sustentar o vício – sua única fonte de prazer. Nessas situações, geralmente o viciado já perdeu a família, o emprego e não mede consequências para satisfazer o vício.
Para o psicólogo, o fato de a mãe ter abandonado o filho não pode ter como única causa o uso de drogas, mas todas as experiências que ela teve na vida. “O conceito de mãe vai de uma escala de zero ao infinito. Se ela não consegue cuidar nem dela mesma, como vai cuidar de uma criança,” questiona Jair.

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