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Julio, Abrão e Sadi aparecem pra depor; Gervasi tá doente de novo

Abrão nega tudo e fala em “momento difícil”; Gervasi manda atestado, Sadi pede liberação e Julio alega já ter falado ao MP

Dois dos quatro figurões convocados para depor na comissão parlamentar de inquérito que investiga denúncias de roubalheira na coordenadoria de Trânsito de Itajaí, a CPI da Codetran, pintaram ontem em plenário, mas apenas um deles soltou o verbo, negando todas as acusações.
O início do interrogatório rolou ontem, na câmara de vereadores, visando apurar as denúncias contra servidores públicos levantadas pela operação Parada Obrigatória 2, do grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em julho de 2015, envolvendo sumiço de motos, liberação de multas e furto de peças de veículos.
Compareceram o ex-secretário de Administração Nelson Abrão e o empresário Júlio César Fernandes, proprietário do pátio de veículos de onde desapareceram pelo menos 715 motos, fato descoberto pelas investigações do Gaeco e da 9ª promotoria de Justiça de Itajaí.
O funcionário da Codetran, William Geovani Gervasi, e o suplente de vereador e ex-secretário de Habitação itajaiense, Sadi Antônio Pires (PMDB), intimados a depor também no dia de ontem, não compareceram, mas enviaram justificativas.
Nelson Abrão soltou o verbo durante o interrogatório e Júlio César Fernandes declarou que não poderia responder a nenhuma das mais de 15 perguntas feitas pela comissão, por conta de já ter feito acordo de delação premiada junto ao ministério Público (MP). O dono do pátio, entretanto, se comprometeu a assim que sair a homologação do acordo, voltar à câmara e responder o que os parlamentares pedem.
O vereador e ex-secretário Sadi pediu à CPI que fosse liberado, alegando que já havia dado explicações à dona justa. Seu pedido não foi acatado e ele será intimado pra depor dia 5 de outubro, junto a Éverson Luis Gama, coordenador da Codetran. Já Gervasi enviou atestado médico com validade até 17 de outubro. Ele será novamente intimado para 19 de outubro, a partir das 15h.

Se estranharam
O momento mais quente da CPI foi quando o ex-secretário Nelson de Souza Abrão saiu do plenário, e deu dicara com Julio. O ex-secretário foi em direção ao empresário e seu advogado, sentados na primeira fila da câmara. Foi aí que a coisa ferveu.
Os dois se estranharam por alguns segundos e foi possível perceber que Abrão questionou o empresário sobre o motivo de ter sido acusado de participação no rolo, se nem se conheciam. O ex-secretário da prefeitura chegou a se exaltar, mas foi contido por assessores e acabou indo embora.

Nelson Abrão diz que lhe negaram o direito à ampla defesa
O ex-secretário Nelson Abrão de Souza foi o primeiro a estrear a cadeira da CPI . Ele negou as acusações. Disse ser “uma vítima” da investigação policial que nunca teria tomado seu depoimento, e alegou aparecer só duas vezes em mais de 800 páginas de inquérito.
Durante todas as respostas, destacou que não conhece o empresário Júlio Fernandes, e, sem acompanhamento de advogado, Nelson confirmou à comissão que desconhece os indiciados no processo, com exceção de Júlio Fernandes, que teria visto pela primeira vez minutos antes do início da CPI.
O ex-secretário argumentou que tomou conhecimento do que tava acontecendo pela televisão. “Eu nunca fui chamado pelo Gaeco, em nenhum momento do inquérito policial fui convidado a prestar esclarecimento. Tenho endereço fixo e sequer fui comunicado. Minha alma está dilacerada por um equívoco gravíssimo, e faltou princípio da ampla defesa no inquérito policial”, se defende.
Questionado se tinha conhecimento sobre os 17% que a empresa de Júlio Fernandes deixou de repassar aos cofres públicos de Itajaí, e se de alguma forma auxiliou para que este crime acontecesse, ele negou, pois a responsabilidade seria de pastas como Segurança e Fazenda.
Sobre seu posicionamento à frente da junta Administrativa de Recursos de Infrações (JARI), em relação ao grande volume de multas que rolou no primeiro semestre de 2014, em Itajaí, Abrão confirmou que se surpreendeu com a quantidade de multas “aliviadas” através de recursos, mas como defende que o órgão não tenha ligação com a estrutura do Executivo de Itajaí, e atue sem subordinação ao governo municipal, foi informado que as liberações eram decorrentes da aplicação da lei municipal 59, aprovada pela própria câmara.
“Recebemos uma enxurrada de recursos e todos tiveram deferimento”, reconheceu. “Defendo essa posição de que não somos subordinados à prefeitura, e cheguei a levar um puxão de orelhas por conta disso”.

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