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Haitianas são humilhadas e maltratadas em hotel de BC

Nome do hotel não foi divulgado, mas Justiça comprovou denúncias de maus tratos e exploração

Andrea Alves Artigas
geral@diarinho.com.br

Você gostaria de ser tratado aos gritos, ter 10 minutinhos para almoçar, fazer o dobro do trabalho que seu colega, ter jornadas de mais de nove horas de trampo, ser hostilizado e ainda não receber hora extra? Pois essas situações rolaram com imigrantes de Balneário Camboriú. No mês em que é comemorada a Consciência Negra, foi confirmada nesta sexta-feira a denúncia de que mulheres haitianas estão sendo obrigadas a trabalho escravo e submetidas a assédio moral por um tradicional hotel de Balneário. O fato chocou e chamou atenção às condições que os imigrantes são tratados na região.
A denúncia é do sindicato dos Empregados do Comércio Hoteleiro, Bares e Restaurantes e Similares de Balneário Camboriú e Região (Sechobar), que pela segunda vez constatou os maus tratos, denunciou ao ministério Público e agora se prepara para audiência com o hotel, dia 10.
A situação foi denunciada pelo Sechobar em julho deste ano. Oito mulheres haitianas estariam sendo tratadas de forma incompatível em relação às camareiras brasileiras, além de sofrer assédio moral, constrangimentos e humilhações. A jornada excessiva de trabalho também foi identificada. O ministério Público comprovou as denúncias e estabeleceu um termo de compromisso e ajustamento de conduta que prevê que caso haja a repetição dessa conduta, a multa será de R$ 70 mil.
No dia 2 de outubro, durante uma visita do Sechobar ao hotel para divulgar uma campanha contra o câncer de mama, foi constatado que as haitianas continuavam sofrendo. De acordo com a presidente do sindicato, Olga Aparecida Ferreira, os relatos dão conta de que o acordo só funcionou no primeiro mês e depois as haitianas voltaram a ser maltratadas.
20 casos em Balneário
Segundo Olga, de um ano e meio pra cá, com a chegada de muitos haitianos, mais de 20 casos semelhantes ao do hotel chegaram no sindicato. A maioria envolvendo mulheres com queixa de jornadas excessivas de trabalho e assédio moral. “Os haitianos ficam vulneráveis porque desconhecem as leis trabalhistas e alguns empresários se aproveitam disso. O fato de terem menos informação facilita aqueles que querem se aproveitar”, explicou Olga.
No post do sindicato nas redes sociais, diversas pessoas relatam que já testemunharam tratamento desigual aos haitianos.
Segundo o ministério da Justiça, são emitidos 100 vistos por mês para os haitianos no Brasil, e somente em 2015, são mais de sete mil que fugiram da miséria do Haiti, aportando por aqui.

Pastor recebe denúncias e protesto rola em Navega
O haitiano Altez Petiote, pastor e morador de uma igreja no bairro dos Municípios, em Balneário Camboriú, contou que muitas pessoas chegam a ele por meio da associação dos haitianos com queixas de destrato no trabalho. Ele destaca que além das mulheres, muitos homens sofrem os mesmos tipos de insultos e são tratados sem respeito. “Mais de 100 haitianos já voltaram para o país porque ficaram muito tristes com o que sofreram no trabalho. Tem muitos de nós passando dificuldade e eles ficam com medo de perder o emprego”.

Peitando o racismo
Em Navegantes, a associação de haitianos se manifestou na tarde de quinta-feira, no Ferryboat, contra o preconceito e a xenofobia. Com faixas e cartazes, eles reclamam sobre as situações em que são levados ao constrangimento e alertam para os crimes de racismo, como é a suspeita da morte do haitiano Fetiere Sterlin, 33, ocorrida dia 17 de outubro em Navegantes.

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