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Grandes negócios movimentam mercado de trampo em Itajaí

Graças a mercadões, shopping e multinacional a cidade verá mil novos postos de trabalho até o final do ano. Entenda por que Itajaí foi escolhida pelos empresários

Sandro Silva
sandro@diarinho.com.br

Se o assunto for desemprego, ou melhor, emprego, então Itajaí tá muito bem, obrigado! Nes­te segundo semestre, estima­-se que mais de mil novas va­gas de trabalho estejam sendo abertas na cidade. “Com a chegada dos dois grandes mercados e mais a Feccat, para o próximo levantamento do Ca­ged [Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) vai melhorar essa si­tuação do emprego em Itajaí”, aposta Arquimedes Dauer Júnior, diretor da se­cretaria de Desenvolvimento Econômi­co, Emprego e Renda (Sedeer) da pre­feitura de Itajaí.
Os dois mercados são o Bistek e o Carrefour. O primeiro, inaugura hoje sua mega loja ocupando praticamente toda a quadra das ruas Heitor Libera­to e Benjamin Franklin Pereira, no bair­ro São João. “Diretamente contratamos 350 funcionários e há outros 160 das lo­jas de apoio”, informa Walter Ghislan­di, 57 anos, um dos executivos do gru­po.
O mercadão do Carrefour, que terá o nome de Atacadão SA, não ficará por menos. “O atacadão SA, que tá ainda em fase de admissão, vai contratar 320 pessoas”, comenta Arquimedes. “Ele inaugura no final de outubro”, comple­ta.
Também no mês que vem um outro empreendimento dos grandes abre suas portas em Itajaí. Aliás, várias portas. “Vamos inaugurar no dia 9 de outubro e no dia 10 abriremos para o público com 47 lojas”, afirma Jonas Pedro de Souza, 43, gerente operacional do empreendi­mento que tem cara de shopping center. “Além das lojas, teremos também uma praça de alimentação”, avisa Jonas.
A estimativa da direção da Feccat é que só nas lojas cerca de 100 postos de trabalho sejam abertos. Parte desses tra­balhadores já vem sendo treinada toda noite, num auditório nos fundos do sho­pping, que ocupa a estrutura do antigo supermercado Fazendão, na frente da Havan, no bairro Fazenda.
Pra fechar essa conta de mais de mil novos postos de trabalho em Itajaí até o final do ano, tem a norte americana Sutherland Global Services, que já está contratando. “É uma expectativa de 300 vagas totais”, afirma o diretor da Sede­er. Pelo menos mais de 100 dessas vagas serão ocupadas até dezembro.

Comércio será a bola da vez no emprego
Quer mais uma boa no­tícia? Então lá vai: no mês que vem, no máximo em novembro, o comércio volta a aumentar as contratações. “Estamos entrando em alta temporada, com o verão e o natal”, observa Paulinho Ladwig, presidente do sin­dicato dos Comerciários de Itajaí e Região e dirigente da federação dos Trabalhadores no Comércio de Santa Catari­na (Fecesc).
Com a recessão e os empresários com o freio de mão puxado, é difícil estimar quanto o comércio assimilará de mão-de-obra nesta tempo­rada. Atualmente, segundo Paulinho Ladwig, a categoria tem em Itajaí entre 9,5 mil e 10 mil trabalhadores.
Para o dirigente da Fecesc, a crise que é alardeada é mais política do que econô­mica. “Em janeiro a econo­mia tava bem, o PIB [Produto Interno Bruto) tava alto? Então o dinheiro não sumiu. Quem tinha continua tendo,” avalia. Segundo ele, o que acontece é uma retração de investimentos que, claro, acaba afetando a economia.
Mas, mesmo que haja uma retração no mercado de trabalho mundial e no Brasil, pondera o sindicalista, o ramo de mercados não é o primeiro a sentir recessão. “Tu deixas de comprar um carro, um celular, mas não deixa de comer”, analisa Paulinho.
Arquimedes Dauer, diretor da Sedeer, não tem dúvidas de que o comércio é mesmo a bola da vez quando o as­sunto é aumento de vagas de trabalho. “Itajaí vai sair do nível negativo do desempre­go. Até porque teremos as contratações temporárias de verão”, diz, reforçando a tese do dirigente da Fecesc.

Porque estão investindo aqui
Perguntar prum executivo ou dirigente de grupos empresariais o motivo de estar investindo em Itajaí, é esperar praticamente a mesma resposta. Todos apontam a cidade como uma espécie de Eldorado quando o assunto é bem estar econômico.
“Itajaí, sem sombra de dúvidasm é a cidade mais pujante do estado”, avalia Walter Ghislandi, um dos executivos da Bistek. “É desenvolvimentista, progressista e aparece cantada em verso e prosa em toda mídia nacional pelos altos índices, tanto em nível econômico como também em desenvolvimento social”, emenda, sem poupar elogios.
Jonas Souza, da Feccat, diz que a ideia de trazer o empreendimento para Itajaí tá ligada justamente à saúde econômica da cidade. “Foi principalmente por causa do PIB que tá bom e porque a cidade tem uma classe média forte”, diz.
PIB é a sigla para produto interno bruto, que é a soma de todas as riquezas de uma determinada região. Por aqui, esse valor seria estimado em R$ 19,7 bilhões, o maior do estado.
Mas a cidade tem outros méritos. Pelo menos pro pessoal da multinacional Sutherland. “O investimento em Itajaí está relacionado com a localização geográfica estratégica, a qualidade e disponibilidade da mão de obra qualificada, o acesso à comunicação e à qualidade de vida”, diz a nota da empresa para a imprensa.
A cidade também estaria com um baixo nível de desemprego, o que faz com que sua população seja uma consumidora em potencial. “O desemprego aqui gira em torno de 3%”, observa Jonas Souza. Ou seja, quase uma ilha se comparado com o desemprego no país, que chega perto dos 8,5%. O desemprego mundial tá ainda pior. Na zona do Euro, por exemplo, é da média de 12%, de acordo com a agência Brasil. Na Espanha, é de assustadores 26,8%.

Novos empregados estão passando por capacitação
Nesta quarta-feira, Jadiel de Sousa, 18 anos, estará en­tre a multidão que entrará na gigante estrutura do su­permercado Bistek, no bair­ro São João. Estará lá não para comprar, mas para tra­balhar. “Vou repor mercado­rias e dar atendimento aos clientes, dar informações, le­var até os produtos que de­sejam”, diz.
Jadiel e outros seis cole­gas compõem a equipe do experiente Júlio César Cor­rêa, 34, que já foi gerente na concorrente Walmart e co­ordenador de uma empresa que presta serviços de mer­chandising no ramo de su­permercados. “O que me chamou a atenção foi o salá­rio maior, também os benefí­cios, que são diferenciados, mas principalmente o plano de carreira”, conta Júlio, ao ser perguntado sobre a razão de deixar um cargo de co­ordenador regional para as­sumir a chefia de equipe de uma filial de supermercado.
Tanto Júlio, que tem mais de 15 anos de experiência na área, quanto Jadiel, que tá no primeiro emprego, pas­saram por capacitação. “Os funcionários da Bistek de Itajaí estão conosco em tor­no de 45 dias, passando por um forte programa de treina­mento. Inclusive nós os le­vamos para outras unidades para conhecerem a política da empresa”, explica Walter Ghislandi, diretor comercial da rede.
Capacitação também é a palavra de ordem para os lojistas que fazem parte da Feccat. Toda noite, grupos de postulantes aos cargos de vendedores e contratados passa por uma formação es­pecífica.
Por isso, argumenta Jo­nas Souza, gerente operacio­nal da Feccat, ter experiência no ramo não foi um quesito fundamental para as contra­tações feitas. “Estamos apos­tando bastante no primei­ro emprego, para qualificar esses trabalhadores na pro­posta da Feccat”, argumen­ta. Segundo Jonas, cerca de 30% das contratações são de jovens com idade entre 16 e 18 anos.
A empresária Eliege Mon­teiro Cadorin, 44, da loja Ca­rol Rochá, também apostou em jovens. “As três meninas que estou contratando tem 22 anos”, conta. Uma das novas empregadas, segundo Eliege, se deu tão bem que já foi transferida para a loja da Feccat de Balneário Cam­boriú.
Em Itajaí, a dona da Ca­rol Rochá manterá duas fun­cionárias fixas e uma terceira que será folguista, para co­brir as colegas nos finais de semana. Todas também pas­sam por uma capacitação. “Estão treinando comigo, na loja de Balneário Camboriú”, informa a empresária, já te­cendo elogios às trabalhado­ras de Itajaí recém-contrata­das: “são superdinâmicas, prestativas e pegaram rapidi­nho a filosofia da loja”.

CONHEÇA OS GRANDES QUE ESTÃO CONTRATANDO POR AQUI
A Feccat

A Feccat é uma espécie de associação de lojistas e industriais do ramo calçadista do vale do Rio Tijucas. São pouco mais de 40 empresários que há cerca de 30 anos se uniram para fazer uma feira de calçados. O negócio deu tão certo, que hoje já tem shoppings em Itapema, Balneário Camboriú e agora Itajaí. Também tão de olho no mercado de Joinville. No empreendimento de Itajaí vai ter até praça de alimentação

A Sutherland
Essa parece coisa de filme. Faz um serviço chamado de Business Process Outsourcing (BPO), que na prática é a terceirização de processos empresariais. Tem filiais espalhadas pelos Estados Unidos, Austrália, China, Egito, Índia, México, Suécia, Emirados Árabes Unidos, no Reino Unido e agora no Brasil, mas tem 60 centros de trampo em 20 países.

O Atacadão
O Atacadão SA vai ser um supermercadão voltado tanto pra comerciantes quanto pro consumidor final. Um tipo de Comprefort ou de Maxxi Atacado. Aliás, vai ficar pertinho do Maxxi, na avenida Adolfo Konder, a Transilvânia, naquele terrenão onde o palhaço Biriba costumava levantar as lonas do seu circo. A estrutura tem previsão oficial de ser inaugurada em outubro. Hoje o Atacadão SA percente ao grupo francês Carrefour

Bistek
O Bistek é uma daquelas empresas familiares que deu certo. Nasceu como uma vendinha na pequena Nova Veneza, no sul do estado, em 1968. Hoje tem 15 unidades em várias regiões de Santa Catarina, incluindo a gigante loja de Itajaí, que ocupa praticamente toda a quadra entre as ruas Benjamin Franklin Pereira, Heitor Liberato e Joaquim José de Freitas. A filial daqui tem um conceito de unir supermercado com serviços: restaurantes, lotéricas, lojas convencionais e até lavanderia e bancos. 

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