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Governo briga na justa pra contratar substitutos

Pra isso, Estado precisa derrubar liminar que proíbe substituição por ACTs

Depois de mais de dois meses sem aula nas escolas estaduais, o governo do Estado quer derrubar a liminar do desembargador Jorge Luiz de Borba que impede a contratação de professores temporários para substituir os trabalhadores em greve.
A Procuradoria Geral do Estado (PGE) garante que deverá ser protocolada hoje a petição que pede a derrubada da proibição conquistada pelo Sinte na justiça. A procuradoria diz que a intenção não é medir forças com os educadores, mas normalizar o mais rápido possível o calendário escolar.
Em nota oficial, a secretaria Estadual de Educação observa que a adesão dos grevistas é pequena, de apenas 5%. Segundo a versão oficial, seriam professores “radicais que têm tomado conta das assembleias e não representam a imensa maioria da categoria”.
A dona de casa Soraia Cardoso, 34 anos, moradora do bairro Itaipava, tá cansada da briguinha entre governo e professores. Ela tomou uma atitude radical para garantir que o aprendizado do filho Jonatan Willian Cardoso, 16, não seja comprometido. O estudante está no 2º ano do ensino médio, mas não recebe as lições há mais de dois meses.
Em busca de uma solução, a mãe foi no conselho Tutelar e no Ministério Público, mas não teve nenhuma resposta conclusiva. Inconformada, procurou o Sinte para assuntar sobre o fim da greve e levou um susto. Lá ela foi informada que a paralisação deve seguir por tempo indeterminado. “Falaram que a greve vai longe e é quase certo que os alunos impactados perderão o ano letivo”, lamenta.
Preocupada, ela transferiu o guri do Victor Meireles, que está parado, para o Nereu Ramos, onde os professores estão ativos. Jonatan, que estudava há dois anos no centro, está há três dias na escola nova, refazendo o círculo de amizades e recebendo o conteúdo programado para o segundo bimestre. “Não é o ideal, mas só assim o Jonatan não perderá o ano letivo”, afirma.
Sarita Angioletti, 31 anos, mora no São Vicente e é mãe de Fabiana Angioletti, 14, que está no 1º ano do ensino médio. A garota também foi transferida do Vitor pra uma escola do bairro Fazenda. “Ela está matriculada, mas perdeu o conteúdo do primeiro bimestre”, observa a mãe.
A greve, opina a mãe, já extrapolou o absurdo. “Cada um tem o direito de lutar pelo que acha certo, desde que não prejudique tanto outras pessoas”, decreta. Ela concorda que os professores não têm um salário digno, mas acha que a maneira com que a greve está sendo tocada não é nada bacana. “A classe está desunida. Se o número de grevistas fosse maior, o governo estaria mais pressionado e o plano de carreira e salário já teriam sido discutidos”, acredita.

Não vão perder o ano
O diretor Regional do Sinte, Marcos Sodré, diz que ninguém vai perder o ano letivo e que todas as aulas serão repostas. Ele conta que não tem muita gente indo até o sindicato para buscara informações sobre a paralisação.
O professor afirma que também quer o fim da greve, mas diz que isso depende de uma sinalização de negociação do governo. Sobre a movimentação para derrubar a liminar conquistada pelo sindicato para proibir a substituição dos professores, Marcos a considera como violência psicológica. “Seguimos pressionando o governo e buscando negociação”, conta.

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