Home Notícias Quentinhas Funcionários denunciam má gestão na Combemi

Funcionários denunciam má gestão na Combemi

Entidade estaria abandonada pela atual diretoria. Reclamação aponta venda de patrimônio, dívidas e pouca grana para a merenda

Entidade que há mais de 40 anos presta serviços voltados às crianças e aos adolescentes da cidade, a Comissão de Bem-Estar do Menor de Itajaí (Combemi) está no meio de uma crise administrativa e financeira. Quem denuncia a situação são funcionários da instituição, que tão preocupados com o futuro de projetos, cursos e ações educacionais mantidos pela entidade situada na rua Paulo Kleis Júnior, no bairro São Vicente.
Os problemas teriam começado depois que a atual diretoria assumiu a administração, há dois anos. Os funcionários denunciam que o pessoal sequer aparece na instituição. Os principais patrimônios foram vendidos, colaboradores foram demitidos e um monte de dívidas se acumulam. Para piorar, às vésperas da eleição para escolher uma nova diretoria, nenhuma chapa foi composta e nenhum candidato se apresentou para concorrer.
A denúncia aponta que, nos últimos anos, venderam um terreno ao lado da sede, em espaço que seria usado para projetos esportivos, bem como torraram um automóvel Gol que era utilizado para serviços administrativos e em eventos, além de uma Kombi que era usada para transporte de alunos e visitas. Também foi desativado o laboratório de informática.
“Estamos vivendo um momento muito triste de nossa instituição. Nos encontramos com poucos funcionários dando conta de mais 300 alunos que passam por nós na semana. As refeições estão cada vez mais escassas e as perspectivas de continuarmos no próximo ano são piores ainda”, desabafa um professor da Combemi, que preferiu não se identificar.
Ele informou que os instrutores estão sem coordenação-geral, pois a pessoa responsável se afastou por motivos de saúde e ninguém ficou no lugar. Como a presidente também sumiu, a entidade tá largada. A diretoria tem se encontrado com os funcionários, mas a presidente estaria lavando as mãos para os problemas, dizendo que “qualquer coisa a gente fecha”, como se os serviços oferecidos não fossem fazer falta para as famílias que são atendidas, segundo o funcionário.
Esse ano termina o mandato da atual diretoria. Seria a chance para mudar as coisas, mas os funcionários temem que a entidade seja realmente obrigada a fechar as portas. “Nos preocupamos muito com o futuro desses jovens e também com os nossos trabalhos, que fazemos com muito amor, carinho e dedicação ao longo de tantos anos na cidade”, completa o profe.

Até o lanche sumiu
As críticas são reforçadas por outros funcionários, mas quem tem se metido a falar mal tá sofrendo retaliações, inclusive com a perda do trampo. Uma professora disse que a Combemi está sem grana no caixa para pagar despesas que a prefeitura não cobre, como o lanche dos alunos, que têm passado só com bolacha e suco de pacote em vários dias da semana. A qualidade dos serviços prestados também caiu por falta de recursos, contou.
Ela explicou que antes de entrar a nova presidente, o regulamento previa que a primeira-dama do munícipio pudesse exercer o cargo voluntariamente. Foi o caso de Lourdes Bellini, esposa do prefeito Jandir Bellini, a última que ficou à frente da instituição, mas hoje a regra mudou. Conforme a funcionária, que também não quis se identificar, a atual administração assumiu, mas a gestão foi por água abaixo. “Essas senhoras que atualmente compõem a diretoria são ausentes e descompromissadas”, lasca.

Presidente tá viajando
O DIARINHO tentou falar ontem com a presidente da entidade, Vanessa Calizário, mas ela estava em viagem internacional e só retornaria no fim de semana. Outras integrantes da diretoria só estão na instituição às terças-feiras. A coordenadora-geral, conforme a denúncia, não tá trabalhando devido a problemas de saúde.
A Combemi é uma entidade privada que presta serviços de caráter assistencial, educacional e cultural sem fins lucrativos. Fundada em 1972, é reconhecida de utilidade pública federal, estadual e municipal, além de ser certificada pelo Ministério do Trabalho e também pelo Conselho Nacional de Assistência Social como entidade beneficente desde 1988. Por isso, pode receber recursos públicos de convênios para tocar os projetos.

Compartilhe:

Deixe uma resposta

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com