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Foi pedreira. Mas eles chegaram!

Dayane Bazzo
dayane@diarinho.com.br

Depois de percorrer mais de 12 mil quilômetros desde Auckland, na Nova Zelândia, e permanecer 18 dias enfrentando desafios em alto mar, quatro veleiros da Volvo Ocean Race chegaram ontem a Itajaí pra fazer a festa da galera que já esperava os competidores desde a boca da barra. Apesar de ser a etapa mais perigosa e radical (veja ao lado a pedreira que os velejadores enfrentaram), teve até quebra de recorde.
Quem levou a melhor na quinta etapa foi a equipe Abu Dhabi, que lidera a competição com nove pontos. Em seguida – e o mais esperado pelo público – foi o veleiro da Mapfre, em que o brasileiro André Fonseca, o Bochecha, faz parte da tripulação. Depois apareceu a equipe da Alvimedica e, por último, o veleiro da Brunel.
A Vila da Regata lotou neste domingo de Páscoa e o público acompanhou de pertinho a chegada dos veleiros, que aconteceu das 16h30 até perto das 19h, quando o último barco atracou no píer. Todo mundo disputava um espacinho para ver os veleiros e seus tripulantes.
Antes da chegada do primeiro barco, o clima era de tensão e ansiedade no cais da Vila da Regata, ao lado do centreventos da Marejada. Mas assim que a equipe Abu Dhabi se aproximou, por volta das 17h, o povão foi à loucura. Aplausos e assovios rolaram aos montes para os aventureiros do mar.
Ian Walker, comandante da equipe, agradeceu ao público em português. “Boa tarde Itajaí. Obrigado!”, disse. A Abu Dhabi quebrou o recorde de maior distância velejada durante 24 horas. Foram mais de 550 milhas em um dia (1018 quilômetros).
Walker diz que esta foi a estratégia para chegarem em primeiro lugar nesta etapa. “Não podia ter troca de vela e depois de seis horas ainda estávamos indo rápido. Foram 24 horas de concentração total”, afirmou.

Equipe do Bochecha em segundo
A equipe do barco espanhol Mapfre foi a segunda a atracar no píer, trazendo a bordo as bandeiras do Brasil, Santa Catarina e Itajaí. Apesar de ficar em segundo lugar na quinta perna da Volvo, esta era a embarcação mais esperada pelo público, pois trouxe o brasileiro Bochecha na equipe.
Foi a terceira vez que o velejador brazuca participa da maior regata de volta ao mundo e, antes mesmo de descer do barco, falou da emoção que sente em estar em Itajaí durante esta etapa da Volvo. “Chegar aqui foi um sonho. Estou muito feliz em encontrar amigos e a família. Foi uma etapa dura e o mais difícil foi correr com os barcos tão pertos um do outro”, comentou.
O atleta brasileiro, que é capitão de turno, ganhou o comando do barco quando tava chegando a Itajaí. A decisão foi do comandante da equipe. Iker Martínez comentou que como Bochecha estava chegando em casa, ninguém melhor que ele para conduzir a embarcação. “Ele é um bom piloto de barco, é um membro muito responsável”, elogiou o comandante da Mapfre.
A Mapfre foi um dos últimos times a entrar na Volvo e segue na quarta colocação na tabela geral, com 18 pontos. Martínez afirma que não pensa no resultado final, mas em cada etapa. “A Volvo não é somente uma corrida, é uma aventura”, completou.
Esta também foi a etapa mais acirrada da competição e nunca na história da Volvo quatro barcos velejaram tão perto um do outro. Por isso, os veleiros chegaram num intervalo de 55 minutos.
Em terceiro lugar ficou a equipe da Alvimedica. Charles Enright, comandante da equipe, garante que Itajaí foi o lugar mais caloroso em que os atletas já estiveram. “Até agora Itajaí foi a melhor parada. Isso demonstra a paixão que Itajaí tem pela regata”, elogia.
E por último, chegaram os velejadores da Brunel. A equipe foi uma das que mais sofreu estragos durante esta etapa, entre a Nova Zelândia e o Brasil. O comandante Bouwe Bekking, o velejador mais experiente da Volvo, diz que nem sabe quanta coisa quebrou no barco.
As meninas da equipe SCA, ontem, ainda estavam a 600 milhas de distância de Itajaí.
Já o Dongfeng Race Team não está pontuando nesta etapa, porque está vindo no motor pra Itajaí.

Jibe chinês é a manobra mais radical de toda competição
O percurso mais tenso desta etapa da Volvo foi a passagem pelo Cabo Horn, que fica ao Sul da América e é marcado por ventos fortes e mar agitado. Por lá, os velejadores tiveram que recorrer a manobra conhecida como jibe chinês. Bochecha, velejador da Mapfre, explica que a manobra precisa ser feita quando se perde o controle do barco. “Exige muito do equipamento e do ser humano. É uma superação dos limites”, diz.
O jibe chinês acontece quando tem uma onda muito grande e se perde completamente o controle da embarcação. Com isso, o barco vira quase 90 graus e a vela fica rente à água. A tripulação precisa navegar nessa posição até que consiga desvirar o veleiro (um sistema de lastro – pesos – ajuda a desvirá-lo).
O risco de quebrar o barco ou de alguém se ferir é muito grande. Mas, felizmente, os velejadores saíram sãos e salvos dessa.

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