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Fique por dentro dos berreiros na região

Fim da corrupção, impeachment e até uma curiosa “intervenção constitucional” tão na pauta. Especialistas dizem que propostas de derrubada da Dilma e da volta dos milicos não têm pé nem cabeça

Itajaí, Balneário Camboriú e Navegantes são as três cidades da região em que tá rolando organização pros protestos de domingo contra a presidenta Dilma Rousseff (PT). Insatisfação contra a corrupção, pedido de impeachment da chefona da nação e intervenção militar estão entre as reivindicações dos manifestantes, informam os organizadores do movimento.
Trios elétricos, passeatas e discurseira tão sendo anunciados como as formas das manifestações. Apesar de afirmarem que não estão organizando os eventos, dirigentes de entidades patronais admitem que tão ajudando a fazer os chamados e que participarão das manifestações.
Veja onde, quando e como vão rolar os berreiros na região:

Itajaí
O chamado tá sendo feito principalmente através da página “Impeachment já – fora Dilma – vem pra rua Itajaí”, no Fabeook. O berreiro tá marcado para rolar na praça Genésio Miranda Lins, na Beira-rio, no bairro Fazenda, a partir das 15h. Até ontem à tarde, seis mil pessoas, via Facebook, confirmaram o comparecimento. Miriam Martins, 47 anos, uma das organizadoras da manifestação, diz que espera mais de 10 mil pessoas no domingo.
O foco, afirma Miriam, é a indignação com o atual governo e com a presidenta Dilma. “Há corrupção, desde a presidente até a equipe toda do governo, impostos altos, aumento da gasolina e energia e inversão de valores. Hoje os trabalhadores tão perdendo o que tinham de direito. Tudo isso tá revoltando a população”, dispara.
A manifestação deve rolar na Beira-rio até por volta das 18h e não haverá passeata. O protesto será marcado com discursos e palavras de ordem.
A orientação dos organizadores é que o povo apareça por lá com camisetas brancas sem qualquer marca de partidos. Também sugerem que as bandeiras ou cartazes levados não tenham cabos de madeira e que todos estejam de cara limpa, sem máscaras.

Balneário Camboriú
Em Balneário Camboriú a manifestação tá marcada para começar às 16h, na praça Almirante Tamandaré, na avenida Atlântica. No evento organizado pelo Facebook (Impeachment da Presidente Dilma), até às 20h30 de ontem apenas 790 pessoas haviam confirmado presença. Apesar disso, o contador Eduardo Gomes Charão, 26, um dos organizadores, tá com fé de botar mais de 10 mil pessoas no protesto. Além do Facebook, tão divulgando a manifestação através de panfletos.
Eduardo ressalta que além de quererem tirar Dilma Rousseff da presidência, também vão pedir a volta dos militares ao poder. “Com o impeachment vai sair só a Dilma e não mudaria nada. Com a intervenção militar, os militares entrariam no poder para botar ordem, fazer uma varredura dos políticos no Congresso e depois podiam pedir uma nova eleição”, discursa Eduardo, que ontem segurava um cartaz dizendo “Intervenção Constitucional”, mesmo que na Constituição Brasileira a intervenção militar não seja prevista.
A partir das 18h, os manifestantes pretendem fazer uma passeata pela avenida Atlântica até a rua 1400. Depois devem retornar à praça Almirante Tamandaré pela avenida Brasil. “Teremos três carros de som, dois com música e um com pessoas de várias entidades”, explica. Ele também sugere que as pessoas não levem bandeiras com cabo e nem máscaras.

Navegantes
“Fora, Dilma. E leve a corja do PT”. Esse é o tom do convite que tá rolando nas contas de Facebook do pessoal de Navegantes. Por lá, a motivação da passeata é principalmente o combate à corrupção, afirma o empresário Renato Lopes.
Pela programação, a concentração em Navega começa às 13h na frente da igreja Matriz de Nossa Senhora dos Navegantes, bem pertinho do ferribote. Às 15h, os manifestantes pretendem sair em passeata pela avenida João Sacavem e irão até o ginásio de esportes da avenida Prefeito José Juvenal Mafra. A informação que rola no convite pelo Facebook, de que a passeata vai até a praça da praia, não está correta, ressalta Renato.
Impeachment não será palavra de ordem nos protestos dengo-dengos, diz o organizador. “Isso não vai adiantar de nada”, comenta. Já quanto à presença dos militares no poder, ele argumenta que o que estão pedindo não é uma intervenção, mas sim uma “proteção”. “Pedimos a proteção dos militares para que o país não seja invadido. Estamos recebendo muita comunicação de que o pessoal do PT, guerrilheiros, militantes, o movimento sem terra querem fazer algazarra”, argumenta.
O empresário, que é dono de uma transportadora, diz que o grupo que está organizando o protesto tem cerca de 15 pessoas. Mas não quis revelar o nome dos demais. “São pessoas que não podem aparecer, estão com medo de represálias”, justificou.
Os convites pro berreiro, segundo ele, tão sendo feitos principalmente pelo Whatsapp. Hoje, um caminhão de som vai passar pelas ruas da cidade fazendo um convite geral.

OAB e CDLs participam, mas são contra o impeachment e a intervenção
João Paulo Tavares Bastos Gama, presidente da ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Itajaí, informa que a direção da entidade decidiu participar dos protestos deste domingo. Os dotôres de Itajaí vão seguir a orientação da OAB de Santa Catarina, que é a de garantir o direito de manifestação do povão. “Nós estaremos ali prestando esse tipo de assessoria para as manifestações ordeiras e democráticas que estão previstas”, observa.
Mas, deixa claro, a OAB não pede o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, já que não haveria legalidade pra isso. João Paulo também rejeita a ideia de uma volta dos militares ao poder, como pedem alguns manifestantes. “Isso, de forma alguma. A OAB foi uma das responsáveis por libertar o país de um regime de força. Por isso repudiamos todo e qualquer movimento que tente vilipendiar ou ameaçar o cumprimento da Constituição”, discursa.
Leandro Hannibal, presidente da OAB do Balneário Camboriú, diz que a entidade não vai participar oficialmente dos protestos. “Tem algumas coisas da OAB não apoia, mas não o impeachment”, explica.
Entidades patronais tão ajudando a divulgar
As câmaras de Dirigentes Lojistas (CDLs) da região e o sindicato do Comércio Varejista de Balneário Camboriú (Sincomércio) não tão participando oficialmente da organização dos protestos, mas tão ajudando a divulgar os eventos.
Hamilton Sedrez, da CDL de Itajaí, conta que a entidade tá convidando os associados pra reforçar o movimento. “Mas o impeachment não é orientação nossa, não é nosso foco”, diz. Pra Hamilton, o berreiro tem que ser contra a corrupção.
O chefão da CDL peixeira também é contra a intervenção militar. “A gente conquistou uma democracia e não é dessa forma que vai melhorar. A democracia é mais saudável. Até precisa de ajustes, mas retroceder não somos a favor”, comenta.
Beto Cruz, da CDL do Balneário Camboriú, conta que a entidade tá enviando via e-mail e redes sociais os convites pro berreiro de domingo. “A gente pede é que seja uma coisa pacífica. E também não vamos pedir nada de impeachment. Não é por aí”, ressalta. “Somos contra aumento dos impostos e contra corrupção. E pedimos mais segurança, mais saúde”, completa.
Vanessa Krummer, secretária-executiva da CDL de Navega, informa que a entidade apoia a manifestação de domingo. “Estamos convidando os associados lojistas para estarem presentes no evento”, conta, emendando: “A ideia é somente o apoio e estar presente lá”.

Especialistas criticam propostas de impeachment e intervenção militar
Políticos que são condenados num processo de impeachment, precisam deixar o cargo imediatamente e não podem se candidatar pelos próximos oito anos. Foi assim que aconteceu com o então presidente Fernando Collor de Mello, em 1992.
O professor José Everton da Silva, do curso de Direito da Univali, explica que legalmente não há como pedir o impeachment de Dilma Rousseff. “É preciso um fato determinado. A presidente precisa substancialmente ser acusada de alguma coisa, de um crime. E isso não há!”, afirma. No caso de Collor havia: ele não conseguiu provar de onde veio o dinheiro para a compra de um carro e para a reforma da casa da Dinda.
Por isso, quando há realmente uma prova, o bicho pega. Nesse caso, o congresso abre uma comissão parlamentar de inquérito que passa a avaliar as acusações, geralmente por improbidade administrativa. “A partir daí, a tramitação é sujeita a todas as influências políticas que possa ter”, comenta o professor de Direito, que também é cientista político.
José Everton não acredita num impeachment da presidenta. Além de não haver qualquer prova de que Dilma tenha cometido algum crime, ela tem base aliada suficiente no congresso Nacional para lhe dar suporte.
O cientista político Flávio Ramos, coordenador do mestrado de ciências políticas da Univali, tem opinião parecida. “No caso da Dilma, não há nenhum argumento consistente e objetivo que leve o Congresso a querer o impeachment”, afirma. “Não podemos esquecer que ela foi eleita democraticamente e o fato das pessoas não gostarem dela não sustenta o instrumento do impeachment”, completa.
Os dois também temem as propostas de intervenção militar. “Em 1964 o discurso foi o mesmo. Chamamos os militares pra fazer uma intervenção e devolver logo o poder à sociedade civil. Durou 25 anos”, alerta José Everton, que lembra que os desmandos com a coisa pública também rolavam no tempo da ditadura. “Alguém tem dúvida que a estrutura atual, de corrupção, não foi gerada na ditadura militar? É muito ingenuidade, aliada à safadeza”, cutuca.
Quando se fala em intervenção militar, Flávio Ramos é taxativo. “Quem fala isso não tem o menor juízo na cabeça, é o delírio de uma irresponsabilidade imensa. Porque apesar dessa fragilidade da Dilma e crise econômica, eu acho impossível. É um ponto na pauta das manifestações que não deveria existir”, opina.

Discordam em relação aos motivos
A divergência entre os dois sabichões é quanto às motivações das manifestações. Para Flávio Ramos, há um desgaste indiscutível do governo federal. Segundo ele, em seu segundo mandato, Dilma desenvolve uma agenda econômica que era do seu opositor, escolheu ministros incompetentes e os parlamentares se mostram inexperientes, além da distância que há entre o Congresso e o poder Executivo.
José Everton acha que o que tá acontecendo no Brasil ainda é o reflexo do resultado da eleição do ano passado. “A conjuntura política brasileira é ainda um eco das eleições, que foram dividas. Ainda há um inconformismo”, avalia.
Para ele, há ainda o clima de denuncismo da mídia nacional. “Um dos delatores disse que rouba desde 1997 na Petrobras e isso alcança o governo Fernando Henrique”, observa, ressaltando que mesmo assim não se liga esse fato ao governo do PSDB, que também já sofreu denúncias de corrupção.

Polícia Militar monta estratégia para garantir segurança
Para garantir a segurança dos manifestantes e botar ordem no trânsito, a polícia Militar de Itajaí vai estar em peso na praça da Beira-rio. O tenente-coronel Rogério Teotônio da Silva, comandante do 1º Batalhão de Polícia Militar, diz que na praça estarão 50 fardados de prontidão e mais 20 agentes de trânsito da Codetran.
A Beira-rio será interditada a partir das 10h de domingo, do começo da praça até a rua Expedicionário Marqueti e não será possível estacionar neste perímetro. Quem vem de Balneário para pegar a Beira-rio terá que tomar a avenida Sete de Setembro. O acesso para a Beira-rio será feito a partir da rua Laguna. A rua Jorge Tzachel estará liberada para o acesso às praias.
Em Balneário todo o efetivo da PM vai tá de prontidão para qualquer confusão. São no total 128 policiais e mais 32 soldados em formação, informa o major José Evaldo Hoffmann Júnior, comandante do 12º Batalhão. A guarda Municipal também vai acompanhar o protesto.
O tenente-coronel Darci Antônio Varela Pereira, comandante do batalhão de Navegantes, diz que a PM vai acompanhar o evento do começo ao fim. “Pelo que me informaram os organizadores, começará às 13h e vai até às 18h, com uma previsão de 1000 a 3000 pessoas”, conta o estrelado. A PM dengo-dengo estará com cerca de 30 homens mobilizados. 

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