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Fiéis montam tapetes em dia de procissão

Em Navega, em vez de serragem, ‘tapete’ até a igreja foi com alimentos para doação

Nem mesmo o frio intimidou os fiéis católicos para a preparação dos tradicionais tapetes de Corpus Christi. Desde as cinco horas da matina, a serragem colorida começou a dar forma aos desenhos que retratam a fé cristã pelas ruas de Itajaí. Em Navegantes, os tapetes foram montados com alimentos que serão doados a carentes. Durante todo o dia, missas e procissões marcaram o feriado que celebra o corpo e o sangue de Jesus Cristo, como um sinal da eucaristia.
O dia ainda amanhecia quando as ruas do centro e dos bairros São João, Dom Bosco, São Vicente, Cordeiros e Itaipava, em Itajaí, foram interditadas. Sacos de serragem de diferentes cores ocupavam as ruas, enquanto gente de toda idade rabiscava o chão com giz. Outros posicionavam os moldes de papel com os desenhos já prontos. Dentro de pouco tempo, estaria concluída uma obra de arte religiosa. Tudo feito com carinho e cuidado para ser desfeito pela procissão do Santíssimo Sacramento.
O ritual de Corpus Christi faz parte da vida de Janete Firmino há 10 anos. A dona de casa integra a pastoral matrimonial da igreja São João Batista e não ficou de fora da cerimônia. Ajoelhada, segurando nas mãos apenas uma colher, preenchia o desenho de uma pomba com trigo, café e serragem. “É uma alegria muito grande a gente ter forças para criar estes trabalhos ao nosso Senhor. Faço tudo com muito amor”, conta. Ao todo, mais de 150 pessoas se envolveram com a confecção dos tapetes no bairro São João.
Há um ano na city peixeira, Daiane Basso, 26, mantém a tradição que realizava no Rio Grande do Sul. Como membro da pastoral da renovação carismática católica (RCC) da igreja São João Bosco, a professora criou o próprio tapete, sem ajuda se moldes. Para ela, o importante é deixar a criatividade conduzir os trabalhos. “Só usei uma régua para delimitar o tamanho do tapete. O restante fui criando na hora”, revela. O grupo da moça era composto por cerca de 50 pessoas, que foram responsáveis por moldar todos os tapetes da rua Modesto Fernandes Vieira.
Ao observar o trabalho da jovem professora, a aposentada Lúcia Ribeiro Kopsch, 77, lembra-se dos tempos de mocidade em que passou confeccionando os tapetes em Rio do Sul. As ruas da city do alto Vale do Itajaí eram tomadas pelos trabalhos coloridos. “Hoje, eu estou mais malandra, não tenho aquela disposição, mas sempre compareço nos festejos para agradecer ao nosso Senhor Jesus Cristo por todas as bênçãos. Se eu ainda estou viva, é porque Deus tem sido bom comigo”, comenta.
No centro da cidade, a praça Irineu Bornhausen, em frente à igreja Matriz do Santíssimo Sacramento, foi contornada pelos trabalhos artísticos. Um grupo formado só por homens da pastoral da irmandade se empenhou para cumprir à risca o desenho proposto pela principal igreja da city. “A gente recebeu uma foto e o molde em papel. Vamos preenchendo com serragem até ficar pronto. O resultado é sempre muito bonito”, elogia Francisco Polidoro, 60 anos, sendo que há 20 participa ativamente da preparação dos tapetes de Corpus Christi. Representando a pastoral do divino Espírito Santo, a aposentada Irene de Souza destaca que o evento une a comunidade e expressa o amor divino. Só na Matriz, foram 50 sacos de serragem para montar os tapetes. Lá, a procissão foi comandada pelo bispo Dom Wilson Jönck, da Capital Manezinha.
Ainda rolaram festejos nas igrejas São Cristóvão, São Vicente de Paula, São Pedro Apóstolo e Nossa Senhora de Lourdes. Foram utilizadas cerca de cinco toneladas de serragem para a preparação dos tapetes. 

Navega teve tapetes de alimentos
Com uma proposta diferenciada, Navegantes resolveu unir a celebração de Corpus Christi com a caridade. Para a catequista Odete Petry, 57 anos, as duas situações nunca deveriam ficar desconectadas. Afinal, ela conta que Jesus Cristo ensinou que todos deveriam amar o próximo e ajudar os necessitados. “A gente também demonstra a nossa fé quando ajuda alguém que precisa. Os tapetes acabam logo depois da procissão, mas o alimento pode ajudar uma família inteira”, destaca.
A missa iniciou às sete horas da matina, no santuário Nossa Senhora dos Navegantes, e depois seguiu com uma carreata para outras cinco igrejas. Em cada templo, o padre Fabian Capistrano santificava os alimentos arrecadados pelos fiéis. O santíssimo desfilou em cima de um caminhão. A intenção era espalhar a bênção do sacrifício de Jesus por todos os cantos da city.
Católica desde o berço, Maria Izabel da Silva, 56, saiu de Balneário Camboriú para prestigiar o evento religioso em Navega junto com a família. Para ela, a substituição dos tapetes pelos alimentos deveria ser feita todos os anos. “Acho muito apropriado com a proposta de Corpus Christi. Temos que deixar de nos preocupar só com a matéria e com a beleza dos tapetes e fazer o bem ao próximo”, defende. Os alimentos arrecadados serão doados às famílias carentes atingidas pela enchente no início de junho.

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