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Famílias passam noite em filas nas escolas

Espera rolou na Henrique Middon, Paulina Gaya e Júlia Miranda, em Itajaí e Navegantes

A pesar das matrículas nas escolas da rede estadual iniciarem hoje em Itajaí e região, a corrida pelas vagas começou no sábado de manhã, quando pais e alunos acamparam em frente às escolas, num processo cansativo e alvo de críticas da comunidade. Muitos deles dormiram ao relento para garantir a matrícula em uma escola perto de onde moram.
A gerente regional de Educação, Isabel Cristina Cardoso Belizário, declarou que a orientação para as escolas foi de distribuir senhas, mas pelo que a reportagem do DIARINHO viu, a recomendação da secretaria passou longe de ser atendida.
O medo de perder a vaga fez com que alguns perdessem o dia de trabalho, outros trocassem o conforto de suas casas por cadeiras de praia em meio aos passeios públicos das escolas, sem ao menos acesso a banheiro ou qualquer tipo de assistência.
Os mais criativos montaram uma barraquinha para se proteger à noite.
O mecânico Giovani Kucker, 41 anos, tava indignado. Ele disse que o ano passado teve que fazer plantão na fila para garantir a vaga para a filha. Esse ano foi a vez de repetir a sina pelo filho Lucas.
“É uma palhaçada ter que vir para cá em pleno domingo para conseguir a vaga”, reclamou o mecânico. Ele e o filho passaram a noite de sábado em frente à escola de Educação Básica Professor Henrique Midon, no bairro Barra do Rio.
Na mesma fila tava Sônia Maria Nunes, 55 anos, do lar. Ela passou todo domingo em frente à escola para garantir uma vaga para a netinha de seis anos. “Me revezo com meu marido e filha, mas não é fácil ficar aqui”, relatou.
Até grávida
O encarregado de produção Luis Carlos Pereira, 41 anos, teve que faltar o serviço para ficar na fila. “Acho isso um absurdo, mas é necessário porque senão não consigo matricular meu filho. Agora vou ter que repor essas horas no meu emprego”, relatou o homem.
Foi o caso também da gestante Valdete Rocha, 39 anos. Grávida de três meses, ela chegou na escola por volta das 9h30 de domingo. “Temos que ficar aqui senão não conseguimos a vaga. E nestas condições, porque não podemos nem tomar muita água porque não tem nem banheiro para usar”, contou a mulher.

Mais de 50 na fila nos Cordeiros
Na escola Elizabeth Konder Reis, nos Cordeiros, a fila acumulava cerca de 50 pessoas no final da tarde de ontem. A maioria chegou no sábado de manhã. A estudante Luana Goulart de Moraes, 17 anos, passou o final de semana na fila para garantir a vaga ao ensino médio. “Meu pai e meu irmão revezaram comigo. Quero esta escola porque é perto de minha casa”, contou a menina.
Havia filas também na escola Henrique da Silva Fontes, em Itajaí, e em Navegantes nas escolas Professora Júlia Miranda de Souza, no centro, e na escola escola Paulina Gaya, no São Domingos.  
Isabel Belizário declarou que as filas rolam porque a maioria das pessoas quer as vagas matutinas. Ela disse que orientou as direções das escolas para fazer a distribuição de senhas ou a oferecer um atendimento humanizado, com a liberação de banheiros e serviços básicos.

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