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Família explica porque pedreiro foi morto, por engano, dormindo

Familiares prometem registrar queixa na delegacia. Eles querem que a justiça constate que o trabalhador era inocente

Depois da dor de sepultar o pedreiro Valdir Alves da Rosa, 47 anos, morto pela polícia Militar durante a perseguição a uma quadrilha de assaltantes em Camboriú, o sentimento que toma conta da família é o de revolta.
Os familiares alegam que Valdir foi morto dormindo e que ele não tinha nada a ver com os bandidos. Valdir também não estaria armado e nem teria tentado atirar contra os policiais.
A morte foi no início da madrugada de quarta-feira. A polícia perseguia assaltantes envolvidos num assalto a uma casa no interior de Camboriú, onde uma família foi feita refém. Os bandidos fugiram num Golf branco. O veículo foi abordado em uma rua do bairro Monte Alegre. Houve troca de tiros, mas os assaltantes fugiram. Na rua Silveira, já no bairro Tabuleiro, os bandidos bateram o carro no muro de uma igreja.
Na versão da polícia, um menor de 17 anos foi baleado ao tentar atirar. Os outros três suspeitos teriam corrido pra dentro de uma casa, onde dois foram presos e o terceiro, que seria Valdir, morreu após a suposta investida contra os policiais.
A família do pedreiro diz que ele dormia na sacada do apê onde morava com a mulher, dois enteados e um neto de três anos. Ele tinha problemas com alcoolismo e, quando tava bêbado, dormia na sacada.
Segundo a costureira Sabrina Camargo dos Santos, 24 anos, que chegou a ver o padrasto morto no chão, apenas um bandido subiu no sobradinho nos fundos do terreno, onde a família mora de aluguel. “A gente acha que o bandido veio se esconder. Quando abri a porta, tinham levado o bandido e meu padrasto tava morto”, conta.
Valdir foi encontrado de costas e com tiros no peito, barriga e pescoço, conta a enteada. Ela acredita que os policiais confundiram o padrasto com um dos criminosos. “Ele tava tão bêbado que mal conseguia subir a escada”, lembra, descartando que Valdir tenha reagido.

Problemas com bebida
Até ontem, os familiares de Valdir ainda não tinham ido à delegacia denunciar os policiais. “A única coisa que a gente quer é limpar a honra dele”, diz a prima, Roseli Sviderski, 43, que mora na mesma rua. “O problema dele era a bebida. Bebia, mas a única coisa que fazia era chorar. Não fazia mal pra ninguém”, diz.
Natural de Verê (PR), e pai de dois filhos, um de 18 e outro de 22, Valdir tava desempregado depois de sair de uma terceirizada que prestava serviço pra companhia Águas de Camboriú. Prestes a receber a última parcela do seguro desemprego, chegou a fazer uns bicos de pedreiro.
A mulher de Valdir, Cláudia dos Santos, 42, estava com ele há cerca de dois anos. Nos últimos sete meses, conta que o marido começou com as bebedeiras. “Bebia e ficava no canto dele. Não agredia ninguém”, recorda.
Ela lamentou que o marido nem teve condições de se defender, morreu dormindo. “Dá dó porque é uma pessoa inocente. Não teve reação nenhuma”, diz.
A família vai tentar recuperar as imagens das câmeras de monitoramento de uma empresa que fica em frente à casa. Segundo a família, um vizinho teria visto os policiais pegarem a arma de um dos assaltantes pra colocar junto ao corpo de Valdir. Ninguém da família, no entanto, chegou a ver o revólver. “Falaram que a arma tava na cintura dele, mas ele nunca teve arma”, afirma a mulher.

Caso investigado
Dois inquéritos apuram a morte. Um administrativo na polícia Militar, para verificar as denúncias levantadas por familiares e divulgadas nos comentários da página da PM no Facebook. Já o outro inquérito corre na polícia Civil. Conforme o delegado Maurício Preto, a investigação foi aberta a partir das informações repassadas pela PM.
Por enquanto, observou, ninguém da família falou sobre a ação policial. Ele ainda destacou que os familiares de Valdir poderão ser ouvidos no decorrer da investigação e que também aguarda o laudo pericial das duas armas apreendidas, uma que seria de uma menor assaltante e outra que estaria com Valdir.

Suspeita em Navega
A morte de Jeferson dos Passos Santos, 24 anos, em suposto confronto com a PM de Navegantes, no domingo passado, também gera controvérsias. Um denunciante, que pediu para não ter o nome informado, diz que Jeferson não tava armado. Ele teria sido perseguido, e ao pular de uma quitinete querendo fugir, quebrou a perna e o braço. O denunciante diz que ele se escondeu dentro da igreja, mas foi acuado e morto pela PM.
Segundo o delegado Rodrigo Coronha, nenhuma informação com essas afirmações chegou até a equipe de investigação. A PM também não recebeu nenhuma denúncia do caso. 

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