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Fabrício Oliveira, prefeito eleito de Balneário Camboriú

“Não se suportam mais eleições em que você tem que pagar a conta inchando a máquina pública, e aí fazendo uma administração lenta, morosa, política” 

“O eleitor não vai à urna para derrotar um candidato. Mas para votar naquele candidato que tem maior aderência à necessidade ou à sua perspectiva do futuro da cidade”

“Não há nenhum problema que nossa região tenha e que não tenha já sido resolvido em algum lugar do mundo”

De todos os prefeitos eleitos da região, Fabrício de Oliveira (PSB) será o que terá mais pessoas a quem responder quando iniciar sua gestão, em janeiro do ano que vem. Referência turística no Sul do Brasil, Balneário Camboriú tem a estimativa de receber perto de um milhão de turistas durante a temporada. Problemas no abastecimento de água e no saneamento básico estão entre algumas das dificuldades que o próximo prefeito de Balneário Camboriú enfrentará logo no comecinho do governo. Agregue aí um trânsito emperrado e uma praia com vários pontos impróprios para banho e você terá ideia do tamanho dos problemas. Ao jornalista Sandro Silva, Fabrício diz como pretende se virar nos 30 durante a temporada e como pensa em solucionar aquelas situações para lá de indigestas durante a gestão. Sob os cliques de Matheus Berckenbrock, também revelou que o empresário da construção civil Carlos Humberto Silva, seu vice, estará na administração.

Raio X
Nome: Fabrício José Satiro de Oliveira
Idade: 40 anos
Naturalidade: Curitiba
Estado civil: Solteiro
Filhos: Não os tem
Formação: Direito; cursou a escola do Ministério Público.
Trajetória profissional: Garçom, vendedor de sorvete, bilheteiro, promoter, gerente e sócio da casa noturna Baturité, vereador por duas vezes, secretário municipal, conselheiro tutelar, gerente do instituto de Previdência de Santa Catarina (IprevSC), secretário de Desenvolvimento Regional em Itajaí, presidente da Junta Comercial do Estado de Santa Catarina (Jucesc), diretor administrativo da Assembléia Legislativa, deputado federal pelo PSB (assumiu a suplência) e prefeito eleito de Balneário Camboriú com 32.552 votos em 2 de outubro.

DIARINHO – O senhor ganhou a eleição com uma confortável diferença de votos, numa disputa que se anunciava muito difícil. A que atribui esse resultado positivo?
Fabrício Oliveira – Tem que se entender alguns aspectos. Eu faço essa leitura por algumas vias. Creio que há o cenário político atual, onde há uma ansiedade pela mudança, pela renovação e onde, acima de tudo, se quer uma nova postura… Isso nós vínhamos trabalhando. Nós ouvimos, no pré-eleitoral, quase 16 mil famílias. As pessoas tiveram aderência ao nosso projeto porque tivemos oportunidade de ouví-las. Demos a oportunidade de dizerem o que pensam sobre a cidade e aí traçamos o objetivo. Na época da eleição nós também conseguimos mostrar esses objetivos, que eram as novas ideias. Não são ideias que nunca foram inventadas ou que não foram colocadas em prática. Pelo contrário, são exemplos, posturas, atitudes que deram certo em muitos lugares do estado, do Brasil e do mundo e que podem dar certo em Balneário Camboriú. [Por exemplo?] Um governo montado levando em conta alguns princípios básicos da administração, que é a competência, que é a transparência, que é o conhecimento. Hoje não se suportam mais eleições em que você tem que pagar a conta inchando a máquina pública e aí fazendo disso uma administração lenta, morosa, extremamente política. O relacionamento político ele é saudável, sim. Mas desde que seja um relacionamento de interlocução permanente e constante. Então, eu creio que a nossa história, também o passado que nós temos e que nos deu condições de apontar um caminho para o futuro, também foi determinante. Fez com que nós pudéssemos ter essa grande quantidade de votos. A nossa campanha não derrotou nenhuma outra. Veja bem, o eleitor não vai à urna para derrotar um candidato. Mas ele vai à urna votar naquele candidato que tem maior aderência à sua necessidade ou à sua perspectiva do futuro de uma cidade. E nisso a nossa proposta, a nossa história, a nossa postura soube se comunicar muito bem.


DIARINHO – Quais serão suas prioridades no começo de governo? Que problemas pretende atacar primeiro e como?
Fabrício – Veja bem, Balneário Camboriú é uma cidade atípica. Nós temos um pico intenso de soluções e problemas. Dentre eles a cidade fica muito adensada; tem que funcionar o esgoto, tem que funcionar o saneamento, água, com mais intensidade do que funciona. Então nós temos duas etapas, que é a etapa de todos os serviços da administração pública nesse começo de ano, que é quando Balneário Camboriú tem que funcionar no auge e depois vai ser, obviamente, o momento onde nós vamos aí implementar algumas mudanças estruturais que consideramos importantes.

DIARINHO – O prefeito atual, Edson Periquito, se desfiliou da associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí (Amfri). Mas o senhor já avisou que vai voltar. O que o motivou a fazer Balneário Camboriú retornar à Amfri?
Fabrício – Olha, já fui secretário de Desenvolvimento Regional. Acompanhei de maneira muito intensa, na época, a discussão do desenvolvimento regional e a importância de você integrar política de desenvolvimento entre os municípios. Te dou exemplos: transporte público, saúde, segurança. Embora segurança seja uma competência que não está na pasta de discussão da secretaria Regional, mas também pode se ajeitar à pasta da Amfri. E tem o projeto InovAmfri, que é um projeto de fundamental importância. Um projeto que trouxe à nossa região as melhores consultorias do mundo para debater problemas em que Balneário se encontra no eixo. Mais soluções do que problemas, diga-se de passagem. Porque, como eu disse: não há nada, nenhum problema que nossa região tenha que não tenha já sido resolvido em qualquer lugar do mundo. Quando você traz para dentro importantes consultorias, com know how [experiência], com conhecimento e com credibilidade, creio que se nós rompermos as barreiras político-partidárias que compõem todos os municípios, vamos avançar nessas soluções em conjunto. Nós vamos ter uma região mais independente em termos sociais, econômicos e de mobilidade urbana. Então, esse é o nosso objetivo, retornar à Amfri para que possamos discutir de maneira regional as políticas públicas. Importante isso, porque nossa região já não tem limite territorial. Você não consegue distinguir as divisas entre os municípios. Portanto, qualquer problema ou solução de um município acaba afetando o outro.


DIARINHO – A falta de água e a questão da balneabilidade das praias são recorrentes em toda a temporada. O senhor tem alguma solução mais imediata para esses problemas?
Fabrício – Olha, nós dividimos a transição em algumas etapas. Na semana passada encerramos a etapa de gestão e governança. Agora vamos adentrar em temas mais pontuais e importantes. Dentre eles a questão orçamentária, a questão da Fazenda, a questão da água, a questão da saúde e as demais pastas. É claro que Balneário Camboriú, pelo volume de pessoas que ficam por aqui na temporada, também já tem um comprometimento na questão da água. Nós vamos nesse momento de transição fazer todo o esforço possível, junto com a equipe do atual prefeito, para que possamos potencializar o que já existe e para que possamos amenizar o efeito da superpopulação que fica nessa época para que não venha a faltar água. Depois disso, nós vamos ter que adentar em algumas medidas que nós nos comprometemos na campanha, que é o Balneário de Águas Limpas. Nós temos que adentrar, por exemplo, na cobertura do saneamento para a despoluição do rio Camboriú. Nós temos que adentrar no plano da captação excessiva de água de alguns picos que se encontram também no rio Camboriú. E aí a discussão com Camboriú também é muito importante. A questão da reserva de água, a questão das águas em algumas regiões do município. Por exemplo, as nossas praias agrestes. E como eu disse, a ligação de esgoto e a despoluição do canal do Marambaia. E cuidar do nosso principal corredor econômico, que é a nossa praia. A nossa praia nós temos que começar a trabalhar de maneira urgente na balneabilidade para que, de fato, nós possamos não somente incentivar as pessoas a usufruir da gastronomia, a comprar apartamentos, a ir no comércio, mas, também, a entrar no nosso mar.


DIARINHO – O projeto para a eleição de diretores de escolas, enviado agora em final de mandado para a câmara pelo atual governo sem que o senhor soubesse, sugere que esse processo de transição está sendo conflituoso em Balneário Camboriú. O senhor e sua equipe estão tendo a colaboração do prefeito Edson Periquito ou estão enfrentando alguma dificuldade?
Fabrício – Esse tema sobre a direção de escolas não foi ainda discutido com o prefeito. [Estão naqueles pontos temáticos?] Estão naqueles pontos temáticos que ainda serão discutidos. Até porque é um tema que apareceu agora nessa discussão. Apareceu na câmara de Vereadores e que tá sendo levado à discussão. Eu penso que tem que se aprofundar, né!? Nós também entendemos a importância da discussão de que a eleição para direção de escola seja feita com alguns requisitos, com algumas metas a serem alcançadas. Não somente uma eleição trará esse resultado que nós precisamos, que é avançar em alguns indicativos e metas da educação. E a direção da escola é fundamental. [O senhor está propondo, então, que a eleição para diretor de escola esteja ligada à cobrança de metas?] Eu tô propondo que, para que nós possamos fazer as eleições de diretores, é importante que nós tenhamos muito claro o diagnóstico da educação para que tenhamos, na eleição de diretores, alguns compromissos e metas a serem alcançados. E discutindo com os próprios professores, com o próprio setor da educação. Qualquer ação estrutural– e essa é uma ação estrutural importante na educação – não pode deixar de ser exaustivamente discutida para que nós tenhamos todos os indicativos e metas a serem alcançados. A educação também, junto com os professores e sua estrutura, é algo que tem que ser alcançado com suas metas. [Não seria apenas, então, a eleição pela eleição…] Não pode ser eleição pela eleição. Você falou algo importante: não pode ser a eleição pela eleição! Eu estou sentindo um certo desconforto dos professores em relação a isso. Mas eu penso que tem que ser discutido, de maneira que nós possamos de fato olhar a educação como um todo. A escola é parte determinante disso, porque a escola é o nosso objetivo principal. [Com a apresentação desse projeto, agora em final de mandato e para votar já em dezembro, houve algum constrangimento no processo de transição?] Não foi abordado esse processo ainda. [Mas deve surgir algum constrangimento?] Olha, existem duas questões: a pauta administrativa e a pauta política. A pauta política, de temas mais sensíveis, ela terá que ser feita em uma abordagem diferente, até para que nós possamos… Claro que o prefeito tem a prerrogativa de avançar no que compete ao seu governo, ao seu mandato. Mas é claro que a gente, também, como ser político, a gente também entende a movimentação do seu entorno sobre isso. Então eu creio que não teremos problemas em discutir isso.


DIARINHO – Como o senhor pretende montar seu secretariado? Pretende dar um perfil mais técnico ou mais político? Trará servidores de carreira ou gestores reconhecidos na cidade e região?
Fabrício – Olha, nós faremos uma mescla, para os vários objetivos que nós queremos alcançar. Precisamos de gestores com uma experiência ou com o conhecimento ou com perfil executivo e precisamos também potencializar e usar os nossos funcionários, para que nós possamos também fazer um processo de otimização da máquina administrativa. Claro que todo o processo de transição, todo o processo político, é um processo de pressão. Mas eu não tenho problema de cobrança, que são coisas diferentes. Então, nós estamos à vontade. Estamos fazendo o diagnóstico da máquina administrativa no seu detalhamento. Temos alinhado já o perfil do que nós queremos e após, então, da parte dos setores entendida, nós começaremos a anunciar como vai ser a composição do governo.


DIARINHO – Mas o senhor pode já nos adiantar algum nome do seu futuro staff?
Fabrício – Nós não temos ainda os nomes definidos. O que nós temos é que o coordenador da transição, que é o Edson Kratz, que tá fazendo a parte da coordenação da transição, com certeza, estará no governo. [E o seu vice, o empresário Carlos Humberto, que já tem experiência administrativa?] O Carlos Humberto deverá ser um grande colaborador do governo. Até porque ele tem um perfil de gestor. Como já foi presidente de uma das mais importantes entidades do setor econômico do estado e já foi empresário, com certeza vai ser importante não só na gestão, como também um caminho de interlocução com entidades os setores produtivos da cidade. [Estará no governo?] Estará no governo!

DIARINHO – Há projetos da atual administração que ficaram pendentes e que ajudariam a resolver problemas da cidade, como é o caso do elevado da Quarta avenida e do Centro de Eventos, por exemplo. O senhor pretende incorporar essas ideias e obras ao seu governo?
Fabrício – O elevado da Quarta avenida está no Plano Diretor. Ele e outras obras que nós queremos dar sequência. Por exemplo: a abertura e a continuidade da Quarta avenida, a ligação da Martin Luther até o bairro Ariribá. E outras obras que estão no plano diretor e nós daremos sequência. A questão do Centro de Eventos também. O Centro de Eventos é uma obra fundamental para Balneário Camboriú. Nós discutimos isso com o secretário de Turismo dias atrás. Defendemos uma gestão que seja uma parceria pública e privada. Primeiro, evidentemente, nós vamos cobrar e ficar também participando das etapas da execução e finalização dessa obra para que ela esteja, definitivamente, dentro de seu calendário. Depois disso, nós queremos definir junto com o setor privado e o governo do estado a sua gestão. A gestão deve contemplar a discussão com a área privada, deve contemplar um calendário nacional e internacional de fomento à nossa economia nos 12 meses do ano. Mas terá que ser longe da burocracia, longe da lentidão e, muitas vezes, longe da ineficiência da máquina administrativa, da máquina pública, como um todo. Por isso nós defendemos uma parceria público-privada. E, para isso, nós temos entidades, temos associações, para que possamos tocar o Centro de Eventos para que seja otimizado com um grande calendário.


DIARINHO – Houve resistência de alguns setores, em especial dos integrantes do Observatório Social, em relação à aprovação da lei do Plano Diretor agora em final do mandato de prefeito. O senhor gostaria também de adiar essa votação para o ano que vem, como propõe o Observatório Social, ou acha que a lei já pode ser votada agora?
Fabrício – Embora tenha sido um projeto que tenha passado pelos trâmites legais – e dentre eles as audiências -, eu tenho ouvido também setores da sociedade e o observatório é um deles, da vontade de que esse projeto seja melhor discutido. E eu vejo isso como importante, como algo muito importante. Nós precisamos ter muito claro com a sociedade de Balneário Camboriú, de maneira clara, a cidade que nós queremos para daqui a cinco, 10, 20 anos. Portanto, essa discussão, quando ela é melhor aprofundada, quando é melhor discutida, eu tenho certeza absoluta de que nós possamos fazer um encaminhamento melhor. Se essa é a vontade da sociedade, claro, e eu tenho visto algumas entidades nessa manifestação.
 

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