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Entrevistão com os candidatos a prefeito

Penha é um dos balneários mais disputados da região, especialmente na temporada de verão. As 19 praias atraem turistas de todo o Brasil que, além de curtir o litoral, também têm a oportunidade de conhecer um dos maiores parques de diversão do mundo, o Beto Carrero World. Cidade em constante crescimento e que já começa a ter problemas no trânsito, caótico na temporada, e também com a falta de segurança. A habitual falta de água é outro grave problema da temporada. Quem for eleito prefeito no dia 2 de outubro ainda terá que buscar novas ideias para fomentar a economia da cidade, baseada no turismo e na mariculturas. Foram sabatinados sobre estes e outros temas, Felipe Schmidt (PSD), Júlio Duarte (DEM) e Aquiles Costa (PMDB), os três candidatos que concorrem às eleições municipais. A entrevista foi feita pela jornalista Franciele Marcon. As fotos são de Matheus Berkenbrock.

“A concessão de água vai passar por auditoria, garantindo que todas as planilhas sejam cumpridas com rigor e urgência”
Felipe Schmidt

“Hoje não vejo cenário de falta de água para o próximo verão aqui no município de Penha”
Júlio Duarte

“A Penha não tem manancial. A água vem de Balneário Piçarras. Quando foi prometido que isso seria resolvido, foi uma mentira”
Aquiles Costa

Raio-X
Nome: Aquiles José Schneider da Costa
Naturalidade: Itajaí
Idade: 34 anos
Filhos: três filhos
Formação: Logística e incompleto de Administração
Trajetória profissional: empresário do ramo do combustível, funcionário público desde 2002, se tornou vereador em 2008 com expressiva votação; em 2012 concorreu a prefeito de Penha e conseguiu 48% dos votos do eleitorado, foi secretário da agência de Desenvolvimento Regional (ADR).

Raio-X
NOME: Felipe Schmidt
NATURALIDADE: Florianópolis
IDADE: 32 anos
ESTADO CIVIL: Casado
FILHOS: Dois
FORMAÇÃO: Direito TRAJETÓRIA PROFISSIONAL: Presidente do DA de Direito da Univali e presidente do DCE. Em Penha, fundou a Associação Municipal dos Estudantes (Amep), que já contemplou com transporte mais de 1000 alunos do ensino superior. Foi eleito vereador em 2012 com a terceira maior votação da cidade. Em 2015, Felipe foi presidente da Câmara de Vereadores e criou a TV Câmara On-line. Mantém escritório de advocacia no centro da cidade.

Raio-X
NOME: Júlio Cesar Duarte da Silva
NATURALIDADE: Blumenau
IDADE: 38 anos
ESTADO CIVIL: casado
FILHOS: Duas
FORMAÇÃO: ensino superior incompleto em Administração
TRAJETÓRIA PROFISSIONAL: aos oito anos de idade, vendia leite do sítio de sua família. Na adolescência, começou a trabalhar na Contabilidade RC Flores. Migrou para o setor da gastronomia, trabalhando no Jack Lanches. Com auxílio de sua mãe, Dona Tude, abriu a Júlio Lanches. Tempos depois, abriu uma filial da Júlio Lanches em Balneário Piçarras e comprou a antiga Jack Lanches. Abriu também a Pizzaria do Júlio e a Choperia Gertrudes Bier. Hoje também é proprietário da loja de roupas infantis, Miá Kids.

DIARINHO – Penha é uma das últimas cidades da região a viver o processo de verticalização. Como pretende lidar com a construção civil pra evitar os problemas de sombreamento, adensamento, e outros inerentes ao crescimento da cidade?
Felipe Schmidt: De fato nossa cidade é uma das que mais vai crescer nos próximos anos. Isso é bom, desde que seja de forma ordenada. Nós temos um desafio grande que é fazer a reforma, revisão do Plano Diretor que, em 2017, completa 10 anos. A revisão do Plano Diretor é determinante e a criação da nossa fundação de Meio Ambiente é extremamente importante para que o crescimento seja ordenado.
Júlio Duarte: Nós iremos apoiar os novos investidores que virão para o município. Porque queremos o desenvolvimento, queremos que o turismo de Penha alavanque e cresça cada vez mais. Em parcerias, claro, com todos, com o Comdema; como o Plano Orla, que já existe. A gente vai poder seguir dentro da lei, como a lei manda.
Aquiles Costa: O Plano Diretor norteia e orienta o crescimento da cidade. Através do Plano Diretor, vamos nortear o crescimento da cidade, da avenida Eugênio Krause para trás. Nós temos um projeto muito importante, que é o eixo fundamental, para o crescimento ordenado da nossa cidade, que está no entorno da terceira avenida. Vamos executar esse sonho antigo e fazer com que a verticalização possa acontecer de maneira ordenada.

DIARINHO – Os moradores de Penha sofrem com a falta de médicos e a falta de postos de saúde. Como investir em saúde pública para atender os moradores de todos os bairros?
Felipe: A cidade investe quase 30% em saúde, pelas contas apresentadas pelo atual prefeito. No entanto, os moradores não conseguem ter qualidade condizente com o valor investido. Precisamos reorganizar a secretaria de Saúde em uma gestão informatizada, otimizando recursos, garantindo menos tempo de espera nas filas para exames e consultas; e também para a disponibilidade de remédios, por exemplo. Hoje temos um sistema que as pessoas precisam chegar às 3h30 para terem a chance de serem consultadas no mesmo dia. Nós vamos garantir que o agendamento seja feito por telefone, pela internet, passando pelo nosso médico-auditor dentro da secretaria de Saúde. Além de garantir que o programa Remédio em Casa, que já é uma lei aprovada, de autoria do vice-prefeito, seja efetivada, começando pelos idosos e pelas pessoas que têm dificuldade e mobilidade. Garantir o programa saúde digital com os prontuários digitais e com a informatização do sistema, vai fazer com que não haja mais a perda, que é corriqueira na cidade de Penha, das requisições de exames, de consultas e encaminhamento pela Amfri. Com a gestão organizada, não só na saúde, mas na prefeitura, eu consigo ampliar os recursos para investir na parceria do convênio com a Amfri, garantindo mais exames de média e alta complexidade.
Júlio: Nós iremos investir em mais médicos. Se for preciso botar dois ou três médicos para poder suprir a necessidade dos nossos moradores, nós iremos fazer. Nós iremos informatizar toda a saúde, onde teremos a parte de entrega de remédios adequada para cada cidadão penhense. Dando uma boa estrutura e uma boa qualidade de vida e saúde para cada um dos penhenses.
Aquiles: Não é um problema de falta de investimento, é um problema de falta de controle: 15% do orçamento do município vai para a saúde. A gente precisa ter controle e planejamento. Com a boa gestão dos recursos públicos é possível permanecer com o quadro da saúde estável, tendo mais médicos nos postos de saúde, mais especialistas, mais medicamentos e, acima de tudo, exames. Quando o nosso pessoal precisa de exame, a dificuldade é muito grande. Quando precisa tem que ir às cinco horas da manhã, três horas da manhã pegar uma ficha. Isso precisa acabar! A gente quer fazer a informatização do sistema de gerenciamento da saúde.

DIARINHO – O DIARINHO noticia com frequência o problema da falta de pavimentação, falta de padronização de calçadas e falta de mobilidade da cidade. Como tornar a malha viária da Penha mais eficiente?
Felipe: Vamos precisar investir de forma estratégica os recursos que temos. O investimento tem sido feito de forma aleatória. O prefeito escolhe a rua para pavimentar, com base naquilo que pode trazer mais retorno, seja eleitoral ou de avaliação de governo. No entanto, o investimento estratégico passa por a gente pavimentar as vias importantes da cidade, como a avenida Anibal de Lara Cardoso, Nilo Anastácio Vieira e a rua Felipe João Anacleto, que vão nos dar uma alternativa de rota na alta temporada, quando a gente chega a praticamente quintuplicar a população de Penha. Saindo de 30 para 150 mil habitantes. Investimento estratégico através do programa Pró-vias, que garantirá manutenção de 100% das vias públicas e investimento em todos os bairros. Se cada prefeito tivesse feito um pouco em cada bairro, não haveria tanto por fazer. Cada bairro da nossa cidade, esquecido até hoje, vai receber recursos públicos para investimento em pavimentação e infraestrutura.
Júlio: O plano de governo do Júlio e Tibeco contempla a parte de acessibilidade, fazendo as novas urbanizações com a acessibilidade. Temos o projeto de urbanizar o município, seja com asfalto, com lajota. Queremos fazer um bom trabalho com o município de Penha. O que for necessário para melhorar, criando a terceira avenida, fazendo a avenida via Praia Alegre, com acesso a Piçarras. Parar com o enforcamento que existe hoje no centro. Pretendemos trabalhar em cima de uma terceira avenida, para poder dar uma expansão maior para os bairros. A Penha tem uma viabilidade muito boa porque tem seis ou sete acessos para a BR-101.
Aquiles: Eu vou responder falando de três projetos que a gente tem: primeiro, eu falei anteriormente que é a terceira avenida, que vai desafogar o trânsito no verão. Nós queremos e teremos um projeto muito importante que é a extensão do anel viário, que acaba em frente ao material de construção Ebber. A gente quer levar até na Praia Alegre – para desafogar principalmente na temporada. Acima de tudo, nós temos um programa, um plano de pavimentação por bairro, onde nós vamos dedicar uma fatia do orçamento para esse programa específico de pavimentação de várias ruas transversais. Isso vai permitir que a nossa cidade possa oferecer uma qualidade melhor de trânsito e mobilidade urbana. Além disso, é muito importante destacar a manutenção das vias pavimentadas. Não adianta só pavimentar, é preciso dar manutenção. Vamos ter uma equipe permanente de pavimentação.

DIARINHO – Toda temporada de verão o problema da falta de água volta a importunar moradores e turistas. Quando o serviço de água foi privatizado a promessa do município era o fim da falta de água e o total saneamento do município. Nada disso aconteceu e a comunidade ainda reclama que a conta de água está mais cara. O que fazer?
Felipe: O próximo gestor público, e espero que seja eu, vai precisar auditar todos os contratos públicos da prefeitura de Penha. A concessão do sistema de água e esgoto vai precisar passar por uma auditoria, garantindo que todas as planilhas sejam cumpridas com um maior rigor e máxima urgência. Com isso, nós vamos precisar ter autossuficiência em água, que, infelizmente, Penha não tem um manancial de água para suprir a cidade. Por enquanto é o rio Piçarras, mas temos alternativas do rio Itapocu e do rio Itajaí-açu. Tudo isso demanda investimentos que serão feitos pela empresa concessionária, seja ela a Águas de Penha, seja qualquer outra, caso o contrato não seja cumprido. Ou seja, quem cuidar da água e do esgoto de Penha vai ter que trabalhar, senão a gente vai pegar junto e garantir que o povo não fique sofrendo com a falta de fiscalização. De modo geral, Penha não tem fiscais acompanhando os contratos públicos. É uma concessão, mas o poder concedente é nosso. Nós vamos cuidar para que o esgoto aconteça o mais rápido possível e a autossuficiência de água vai acontecer através de captação em outros municípios, infelizmente.
Júlio: Hoje existe um contrato de concessão com a empresa Águas de Penha, que a partir do mês de novembro vai ter um investimento para a captação de água. Hoje não vejo cenário de falta de água para o próximo verão no município de Penha. Eu acho que não vai acontecer. Já tem o contrato com essa empresa, então vão ser aplicados R$ 186 milhões no município. E o que for preciso para nós, dentro da lei, ficar em cima da empresa, para isso ocorrer corretamente, a gente vai fazer.
Aquiles: A Penha não tem manancial de água. A água de Penha vem de Balneário Piçarras, a cidade vizinha. Quando foi prometido que isso seria resolvido, foi uma mentira. Eu era vereador na época e afirmei isso por diversas vezes, inclusive em audiências públicas. Eu era minoria na câmara e a gente não conseguiu achar outro caminho com a atual administração. O prefeito achou por bem a concessão, com a privatização da água e do saneamento, com a empresa Águas do Itapocoroy. Um dos fatores que me faz acreditar que é possível discutir isso com mais profundidade é o fato de que o maior argumento utilizado para privatização da água foi uma pesquisa em que o município de Piçarras teria água por mais três anos para fornecer para a Penha. Mas a Univali fez uma pesquisa recente e revelou que são mais de 30 anos. Ou seja, o manancial de Piçarras pode fornecer água para Penha por mais 30 anos. Não faz sentido a gente investir milhões para trazer água do rio Itapocu – é um contrassenso. Um assunto que precisa ser debatido com a sociedade, ser revisto e certamente encontrar um caminho menos oneroso, mais rápido e mais ágil para poder resolver esse problema tão importante. Penha tem 19 praias, 31 quilômetros de orla marítima e a balneabilidade do nosso município é muito importante.

DIARINHO – Penha sofre muito com a falta de segurança. O DIARINHO noticia com frequência furtos de veículos, de casas e assaltos violentos. Os moradores, junto com a PM, se organizaram e criaram grupos no WhatsApp para ajudar a evitar crimes – no estilo vizinhança em alerta. Quais as políticas públicas que o senhor pretende colocar em prática para ajudar a combater a criminalidade?
Felipe: Primeiro o conselho comunitário de segurança de Penha precisa ser fortalecido. Ele foi reativado através de uma audiência pública que realizei na presidência da Câmara. A polícia Militar estabeleceu uma grande parceria com a comunidade. Os munícipes estão fazendo a sua parte, nós, dentro da prefeitura, vamos precisar fazer a nossa. Nós teremos um departamento municipal de segurança pública que vai coordenar os investimentos em ações estratégicas em parceria com a polícia Militar e Civil. As corporações serão ouvidas no nosso governo. Além disso, vamos triplicar a quantidade de câmeras de vídeo-monitoramento com a tecnologia OCR para garantir a inteligência e o combate preventivo à criminalidade. Eu passei por isso, eu fui assaltado na minha casa. Um ponto que se esquece, muitas vezes, são os terrenos baldios. A falta de fiscalização da prefeitura, que tem lei para garantir a limpeza dos terrenos baldios, permite que o marginal use desse espaço privado para ingressar na sua casa, lhe abordar, lhe fazer refém e assaltar. Nós teremos uma ampla atuação na fiscalização e na limpeza da cidade, com uma boa iluminação pública, apoio a programas de prevenção e combate às drogas, minimizando o efeito ou a causa da criminalidade, que, muitas vezes, são as drogas. E também a criação dos agentes de trânsito, o que permitirá a PM agir com maior liberdade no combate ao crime.
Júlio: Segurança pública é competência do estado. A gente vai em cima do estado para trazer efetivo para o município de Penha. Vamos buscar mais câmeras de monitoramento. No nosso plano de governo também contempla a criação da guarda municipal. Mas a competência maior parte do estado e o estado tem que colocar mais efetivo no município de Penha.
Aquiles: A criminalidade vem crescendo de maneira vertiginosa na Penha e nas cidades vizinhas. É um problema sério e não dá mais para o gestor colocar a culpa só no estado. É preciso fazer como os municípios vizinhos estão fazendo: Balneário fez, Itajaí fez, Navegantes também, que é a guarda municipal. Chegou a hora de Penha ter uma guarda municipal. Isso para mim é ponto pacífico, superado e nós vamos fazer no nosso governo, vamos implementar a guarda municipal para poder cuidar mais do trânsito e permitir que a polícia Militar cuide do combate ao crime, à marginalidade, fazendo o serviço ostensivo, de maneira mais qualificada.
DIARINHO – A economia da cidade se baseia no movimento do parque Beto Carrero World, ou seja, o turismo e a maricultura. Alguma outra ideia para fomentar empregos?
Felipe: Nós vamos fortalecer esse grande potencial que nós temos que é o turismo. O setor, o trade turístico, precisa ser apoiado e orientado para empreender melhor. O turismo, a pesca, artesanal e maricultura, são determinantes para a economia e a subsistência da nossa gente há séculos. No entanto, é preciso diversificar a matriz econômica, incentivando as novas tecnologias, as empresas de tecnologia da informação, como acontece com Florianópolis, que deixou de ter o turismo como sua principal fonte de renda na arrecadação municipal. O investimento em novas empresas, nas leis de incentivo fiscal às empresas que se instalarem às margens da BR-101, onde Penha tem uma área gigantesca para crescer, serão preocupações nossas. Teremos a criação do centro de apoio aos empreendedores do turismo, a casa do empresário e faremos com que a economia de Penha, de forma diversificada, não fique refém da sazonalidade. Vamos trabalhar para que o ano inteiro, a gente tenha emprego e renda na nossa cidade.
Júlio: Hoje precisamos de uma economia mais sustentável, o ano inteiro. Vamos sentar com o parque Beto Carrero para fazer uma parceira para poder desenvolver com as associações, a CDL (Câmara de Dirigentes Logística) e Acipen (Associação Comercial e Industrial de Penha), ações para incentivar a economia. Criando mais opções dentro do município para o turista. Nós somos uma cidade turística, eu sou comerciante, sou empresário, a gente depende daquilo também. Temos o parque, temos 19 praias e precisamos melhorar. Precisamos ter mais opções para segurar o turista dentro da cidade. A gente pretende urbanizar o rio Iriri, criar um mercadinho público, praça de artesões, incentivar o Natal Luz. Quem sabe um investidor resolva fazer um shopping às margens da BR-101? Temos potencial para isso, pegando as três cidades: Navegantes, Piçarras, Penha e até Barra Velha.
Aquiles: O município tem uma boa base da economia na pesca industrial e artesanal, mas sem sombras de dúvida, o turismo é a grande indústria sem chaminé, a nossa maior vocação. A gente tem uma grande hoteleira, mas precisa aumentar ainda mais. Uma boa rede gastronômica também. Sem sombras de dúvida, a nossa política pública vai ser para fomentar mais o turismo, trazendo um calendário anual de eventos, permitindo que as pessoas fiquem na nossa cidade o ano inteiro, aquecendo o nosso comércio e gerando emprego e renda. Vamos investir também em um parque industrial, um distrito industrial na BR-101. Penha possui todas as características para atrair grandes empresas, gerando empregos dignos, de carteira assinada.

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