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Emoção e recorde de público no último dia da Volvo em Itajaí

Estimativa é que mais de 300 mil pessoas prestigiaram a parada da regatona

Nem era preciso ter repetido o convite. Bastou anunciar que começaria o desfile de despedida dos 56 atletas, pro povaréu que estava na vila da Regata correr para perto do píer montado nos fundos do centreventos da Marejada, em Itajaí. Sofreram os baixinhos que demoraram a chegar e que, em vão, tentavam achar alguma brecha para dar a última olhada naqueles quase super homens e supermulheres que singram os mares mais violentos do planeta na maior e mais radical competição náutica da história.
A emoção e a festa do público era tanta, que é bem possível que os estrangeiros chegassem a pensar que a vela é tão popular no Brasil quanto o futebol. Cada anúncio de equipe era seguido por um berreiro de incentivos e as palmas da massa. Ontem, estimam os organizadores, bem mais de 20 mil pessoas estiveram na vila da Regata para o último dia da parada da Volvo Ocean Race em Itajaí. Imagine tanta gente assim fazendo barulho.
Um final de festa coroado também com um recorde. “Nós tínhamos como meta superar a edição do ano passado, quando nós colocamos 282 mil pessoas dentro da Vila. Atingimos essa meta ontem (sábado) e a gente tem a expectativa de superar a casa dos 300 mil visitantes”, disse o engenheiro João Luiz Demantova, 50 anos, secretário-executivo do comitê organizador da parada da regata em Itajaí.
Uma quantidade de público que surpreendeu até quem está acostumado a ver o movimento da Volvo Ocean Race mundo a fora. “Uma linda etapa. E ter essa gente toda em Itajaí é muito bom para o esporte, para a Volvo e para Itajaí. Isso é ótimo”, elogiava o argentino Maciel Cicchetti, o Cicho, da Team Vestas, cuja equipe somente voltará para o mar a partir de Lisboa.
Era perto da meia hora da tarde quando o desfile começou. Não levou muito mais que 30 minutos, até que os atletas chegassem aos barcos e dessem o adeus para o público – ou melhor, o até breve. Sorriam, mas não escondiam a tensão da largada de mais uma perna (que é como chamam o trajeto entre uma parada e outra).
Pro público, não havia tristeza. Havia, sim, muita alegria e respeito à coragem dos atletas. “Eu tava vendo agora as mulheres que tão participando. A dificuldade que é, o que elas passam, o rosto queimado e tudo. Mas tem a dedicação e o amor por aquilo que estão vivendo”, admirava-se a gaúcha de Caxias do Sul Eliana Maria Canalli, 54.
O professor Clóvis Demarchi, 51, veio com a família inteira, incluindo cunhada e primos. Na edição anterior, Clóvis, que é de Itajaí, estava em Portugal quando a parada da Volvo aconteceu por lá. “Não foi como aqui, eles não se envolvem tanto quanto as pessoas daqui”, comparou.
Pros estrangeiros que fazem parte dos bastidores da Volvo, o clima era de nostalgia antecipada. Ontem, não escondiam que vão sentir saudades e não poupavam manifestações de carinho ao povo que os recebeu por aqui.
O espanhol Adolfo Rodrigues, 44, precisa ser prático na atividade para a qual foi contratado pela organização da Volvo Ocean Race. “Minha função é assegurar que quando chegue a regata tudo esteja funcionando, que todas as equipes tenham hotel, que os contêineres cheguem a tempo e todas as atividades funcionem a contento”, explica. Sacou a responsa e a seriedade que ele precisa ter?
Mas o homenzarrão sério de mais de dois metros não esconde o carinho pelos itajaienses. “Nós vamos levar mais do que deixamos. Foi uma experiência magnífica, nesta etapa da Volvo, com pessoas excelentes e um trato excepcional”, elogiou. E não pensou duas vezes em dizer: “A melhor stopover que tenho ido!”.

R$ 2 milhões em comida
O artesão e artista plástico itajaiense Mauro Sérgio dos Santos, o Mauro Caelum, 57, teve um motivo a mais para gostar da Volvo Ocean Race em Itajaí. Expositor na feira de negócios da vila da Regata, vendeu peças até para a Espanha. “Tá maravilhoso. Pra mim e pra todas as pessoas que estão aqui expondo, mostrando o seu trabalho”, comentava.
João Luiz Demantova, secretário-executivo da organização da parada da Volvo em Itajaí, ainda não sabe dizer quanto a regata movimentou em grana aqui na região. Uma pesquisa da Univali está fazendo esse levantamento. Mas já tinha uma estimativa do que foi vendido em rango. “Nós ultrapassamos a casa dos dois milhões de reais, e isso aqui dentro da vila da regata”, comemora. Na edição de 2012, foi metade disso e já era um bom volume de dinheiro. Falando em volume, na outra Volvo aqui em Itajaí, o cálculo é que R$ 43 milhões foram movimentados no estado por conta da parada.

Ontem mesmo, começou o desmonte da estrutura
Já começou o desmonte da estrutura da Volvo Ocean Race em Itajaí. Eram 16h quando iniciou a desativação do estaleiro e das estruturas das equipes. A partir das 17h, quando o público teve que deixar o local, foi a vez da estrutura externa. “Para terça-feira estarão as principais estruturas da Volvo desmontadas. Durante a semana estarão as demais, porque sábado vamos levar para os contêineres e depois para Lisboa”, informou Adolfo Rodrigues, responsável pela logística da vila em Itajaí.
Só da equipe de organização da Volvo, são mais de 150 pessoas, entre pessoal que trabalhou no estaleiro e na reforma dos barcos, no departamento comercial, artístico, eventos e na parte de imprensa. Alguns poucos contratados pela Volvo eram brasileiros, como o médico itajaiense Alcides de Souza, que calcula que aviou pelo menos umas 20 receitas para estrangeiros que se machucaram levemente ou passaram mal com a comida tupiniquim. Ah! Ele descobriu duas grávidas entre as estrangeiras.
Cada uma das seis equipes competidoras que chegaram em Itajaí, sem contar os atletas, tinha outros cerca de 10 integrantes. A prefeitura mobilizou 160 funcionários, aproximadamente.
As forças de segurança também apareceram em peso. Ontem, a polícia Militar tinha 20 homens espalhados pela vila da Regata e entorno da Marejada. A coordenadoria de Trânsito (Codetran) da prefeitura disponibilizou 22 agentes por dia. Ontem eram 25, informou Ewerson Luiz Gama, coordenador de trânsito do órgão. O delegado José Antônio Peixoto conta que a polícia Civil cedeu sete tiras, incluindo ele próprio.
Foi tanto policial que deu pra turista curitibana Daniele Rampelotti, 37, uma tremenda sensação de segurança. “Tem muito policiamento. Não tem maloqueiro, que a gente tem medo em eventos muitos grandes, né?”, comentou Daniele, que junto com o marido e dois filhotes desceu a serra e veio curtir o evento.

300 voluntários
Para essa edição da Volvo, a Univali arregimentou cerca de 300 voluntários. Entre eles, tava Eduardo da Rocha, estudante de fotografia e que pela segunda vez veio dar uma força de graça pra fazer a regata acontecer. Também tava a artesã Sandra Almerinda da Silva, 59 anos, a voluntária com mais idade nesta etapa.
Até sexta-feira, ela monitorou a visita guiada da alunada das escolas da região. Ontem, distribuía o mapa da vila da Regata pra quem chegava na Marejada. Foram cinco horas de dedicação por dia e não faltou nenhum. “Eu gosto de participar. Gosto de fazer amizades. É muito bom conhecer pessoas diferentes”, disse, pra explicar o motivo de trabalhar como voluntária.

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