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De Itajaí para mais uma aventura pelo mundo

Expedição Oriente zarpou de Itajaí seguindo rota de chineses no século 15; galera compareceu em peso para a despedida

Por Mariângela Franco
mariangela@diarinho.com.br

Lenços brancos agitados ao vento na tarde domingo, no píer do Centreventos Itajaí, deram adeus ao veleiro Kat, tinindo de novo em seu primeiro e imenso desafio: percorrer cerca de 30 mil milhas (equivalentes a quase 50 mil quilômetros) e levar seus 12 ocupantes a 50 portos, 29 países e cinco continentes.
Esta terceira circum-navegação da família Schurmann cumpre um cronograma rigoroso e extenso, afinal, foram cinco anos de planejamento e negociações para que os dois anos e três meses de duração da viagem sejam suficientes para o desempenho de vários projetos, além deste que nomeia a aventura.
Em entrevista coletiva na manhã de domingo, os Schurmann apresentaram a equipe, explicaram os objetivos da expedição e responderam aos questionamentos dos jornalistas, a maioria de grandes publicações nacionais. Emocionada, Heloisa lembrou a filha caçula, Kat, que os acompanhou na segunda volta ao mundo e morreu em 2006. Em outro momento difícil, a matriarca citou a descoberta de uma doença no neto Emmanuel em maio deste ano. O rapaz preparou-se estudando mandarim, culinária, mecânica de motor, navegação e mergulho para participar da viagem, o que deve rolar no fim do ano, após o término do tratamento do linfoma.
Participam até o fim da jornada Vilfredo, Heloisa, o filho Wilhelm na função de imediato, o chef Bem Lierbaum, o marinheiro Carlos Antônio Silva, o operador de som Fabiano de Queiroz, o operador elétrico Fernando Horn, a equipe de mídia e fotografia formada por Eduardo Talley, Gustavo Millet e Heitor Cavalheiro, as administradoras Gabriela Chimbo e Natalie Ancieta, além de Pierre e David, filhos dos Schurmann que acompanham parte da viagem e administram a equipe de terra.

Tecnologia a serviço da ecologia
Ian Hudson, representante de Gavin Mensies (autor do livro “1421 – o ano em que a China descobriu o mundo”, que inspirou a expedição), e o prefeito de Itajaí Jandir Bellini participaram da entrevista coletiva que apresentou os apoiadores principais da Expedição Oriente. São eles a Estácio, um dos maiores grupos de ensino superior da América Latina, a HDI Seguros e a Solví – soluções para a vida. Cada um explicou as razões para terem “comprado” a ideia aparentemente louca de tentar provar uma teoria antiga e mergulhado fundo na parceria.
Claudia Cunha Dias, coordenadora de projetos sociais da Solví, argumentou em favor da evolução tecnológica já conquistada pela humanidade, mas ainda não utilizada plenamente. “O grande dificultador para a sustentabilidade é que muitos falam e poucos entendem; o ser humano se preocupa com três gerações: a sua, a de seus filhos e a dos netos, deixando para o futuro as soluções que já estão disponíveis, porque tecnologia para isso existe”, discursou a porta-voz da empresa. Os equipamentos da Solví garantem que o veleiro Kat tenha a tecnologia necessária para não causar danos ao ambiente.
Os Schurmann revezaram-se na condução das respostas aos questionamentos da imprensa. Vilfredo falou sobre as etapas mais difíceis da jornada, planejadas para serem enfrentadas na data mais favorável. Mesmo assim, para cruzar a passagem de Drake, entre a América do Sul e a Antártica, espera ventos que podem chegar a 180 Km/h. De acordo com o capitão, o veleiro está preparado para os desafios, tendo recebido certificação de entidade europeia.
Heloisa comentou sobre os projetos paralelos que irão desenvolver ao longo do tempo. Um deles é a pesquisa de qualidade da água, cujos resultados serão repassados à USP para análise e mapeamento. E levantando a bandeira da sustentabilidade, estão programados encontros com o pessoal das terras visitadas para mostrar os sistemas de reciclagem do lixo e reaproveitamento de material orgânico a bordo, em lições práticas de preservação ambiental.

A Expedição Oriente
Depois que os Schurmann concluiram a segunda expedição, percorrendo as rotas de Fernão de Magalhães, suspeitaram que o navegador tinha informações privilegiadas que o resto do mundo ignorava. Ao chegar às mãos dos navegadores brazucas o livro “1421”, do inglês Gavin Menzies, a suspeita ficou forte demais para ser ignorada. O inglês apresentava pesquisas em que os chineses teriam cruzado os oceanos muito antes dos ocidentais. A tese diz que em 1421 uma grande esquadra com gigantescos juncos entre 142 e 163 metros de comprimento zarpou da China e chegou à América 70 anos antes de Colombo. “Não foi apenas uma rota, foram diversas rotas navegadas pelos chineses, e nós iremos em busca de algumas delas”, explica Heloisa.

Inovação e entusiasmo
O veleiro Kat foi totalmente construído em Itajaí. O projeto é de Nestor Volker, designer com mais de dois mil barcos na água no mundo. Mas a quilha retrátil foi bolada por Horacio Carabelli, que desenhou um modelo sem igual no Brasil; o bulbo de 14 toneladas foi fundido em uma usina em Tubarão. O sistema permite navegação em águas mais rasas, quando a quilha sobe e fica 1,80m na água, ou mais profundas, em que ela desce a 4,5m da superfície. Mais segurança, garante Vilfredo.
Tecnologia de ponta também vai garantir a comunicação via satélite de qualquer pontinho perdido no oceano. Em terra, 30 pessoas cuidam do site que já está transmitindo imagens da expedição e coordenam a participação dos internautas nas diversas mídias e jogos online. O endereço é www.expedicaooriente.com.br.
Para finalizar a entrevista, Heloisa respondeu a um jornalista que sim, também desta vez há uma criança a bordo. “Eu”, disse com ar brincalhão. “A Kat nos acompanha como estrelinha que sempre vai nos mostrar o que só uma criança vê: a beleza do céu, a força do mar e o amor entre todas as pessoas”.

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