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Construtora é acusada de vender mesmo apartamento para mais de um cliente

Prédio não entregue, imóveis vendidos para mais de uma pessoa, salas comerciais que não existem, são algumas das acusações de clientes

Você acessa o site da Raka Construtora, de Balneário Camboriú, e vê a frase “Investindo em seus sonhos”. Para muitos clientes que compraram imóveis da construtora, o sonho virou um pesadelo e cada vez mais tenebroso.
Imóveis pagos e não entregues, apartamentos adquiridos por mais de uma pessoa e salas comerciais ou mesmo apês vendidos mas que, de fato, não existem fazem parte do suposto calote que o construtor Rafael Silveira Dias, dono da Raka, estaria aplicando.
A lista de acusações é tão grande que até o ministério Público tá investigando o caso. Na justiça também já rolam várias ações de clientes contra a construtora. Boa parte delas as chamadas “obrigação de fazer”, na tentativa de forçar Rafael a terminar o residencial Bora Bora.

Inquérito civil
Boa parte das vítimas é de fora de Santa Catarina. “Ele não faz mais a venda na região, procura investidores no interior do Brasil pra conseguir fazer as vendas”, afirma o publicitário Houston Amorim, de Balneário Camboriú, e que faz parte de um grupo no Whatsapp de pessoas que afirmam serem vítimas de Rafael. O grupo tem aproximadamente 30 pessoas.
Na sexta-feira, alguns dos clientes da Raka foram à 6ª promotoria de Justiça de Balneário Camboriú, onde fica a curadoria de defesa do consumidor. “Eles vieram aqui e apresentaram documentos com a denúncia”, informa Leandro Renato Moretto Tumelero, assessor da promotoria.
O que o grupo não sabia é que o ministério Público está investigando o caso desde o final do ano passado. “Já há um inquérito civil aberto para apurar o caso”, afirma o assessor.
O caso começou a ser investigado pelo promotor Rosan da Rocha, que está de férias e volta no final deste mês. A documentação dos clientes lesados, entregue na sexta-feira, foi encaminhada ao promotor André Otávio Vieira de Mello, que está respondendo interinamente pela curadoria de Defesa do Consumidor e vai ainda analisar se toca pra frente ou espera o titular da investigação.
Na avaliação de Houston, que comprou uma sala comercial ainda não entregue pela construtora, Rafael enrola os clientes e a própria justiça. “Ela bota três, quatro peões para dizer que está trabalhando, mas a obra tá parada. Tá maquiando por fora pra continuar fazendo as vendas”, acusa. Segundo ainda Houston, na página da Raka no Facebook são mostradas fotos de gente trabalhando, mas tudo não passa de enganação.

Prédio já era pra estar pronto
O residencial Bora Bora fica entre as ruas 2700 e 2650. Sem contar o térreo, onde pela planta ficam oito salas comerciais e depois os pisos das garagens, o prédio tem 14 andares. A maioria com dois apartamentos de três quartos (um deles com suíte) cada, além da cobertura.
A entrega da obra, segundo os compradores, era para ter acontecido entre setembro e dezembro do ano passado, mas mais da metade do edifício ainda está no esqueleto.
A afirmação dos clientes da Raka de que não conseguem falar com a construtora foi confirmada pelo DIARINHO. Quando se liga para os dois números que constam no site da empresa (3361-1118 e 3363-4552), ouve-se a mensagem “Oi, no momento este telefone está programado para não receber chamadas”.
O celular de Rafael Dias, dono da Raka, dá o seguinte recado: “No momento o número encontra-se desligado ou fora da área de serviço”.
Ontem à tarde, quando o DIARINHO esteve no prédio, viu apenas dois peões no térreo.

Vendeu sala que não existe e um apartamento para dois clientes
O empresário Ebster Depieri, de Umuarama, no extremo oeste do Paraná, é um dos integrantes do grupo do Whatsapp de vítimas do construtor Rafael Dias. Ele também é um dos muitos autores de ações contra a Raka. “Na pior das hipóteses, se ele não acabar o prédio, nós assumimos a obra e vamos finalizar”, aposta.
Mas o problema com Ebster não é nem a não entrega do apartamento que comprou na intenção tanto de investir quanto de vir com a família e amigos curtir o verão em Balneário Camboriú. “Tem um outro rapaz que tem um apartamento com o mesmo número que o meu”, conta.
Ou seja, Rafael Dias teria vendido o mesmo apartamento duas vezes. Pelo que Ebster descobriu, o outro dono tenta na justiça rescindir o contrato e ter o dinheiro de volta.
O empresário de Umuarama chegou a conversar com o dono da Raka sobre isso. “Ele falou que o cara comprou, mas desistiu. Mas quando pedi a rescisão, ele disse que ia mandar e não mandou até hoje”, relata. Como o empresário insistiu, Rafael teria mandado Ebster procurar um advogado.
O também paranaense Gilmar Cichon adquiriu uma sala comercial que, descobriu depois, sequer havia na planta do prédio. “Comprei uma sala de 72 metros quadrados, que seria entregue com mezanino, de frente para a rua 2650, mais garagem”, descreve.
Gilmar descobriu que comprou a sala nove mas que, no projeto, há apenas oito salas comerciais. “Fiz uma queixa-crime contra ele (Rafael Dias) por estelionato”, diz Gilmar.
O paranaense, que costuma veranear em Balneário Camboriú e tem outros imóveis na cidade, já pagou pela sala comercial que não existe R$ 180 mil.

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