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Construtora detona área verde que seria obrigada a recuperar

Corte deveria ser limitado a árvores exóticas, mas verdinhas nativas também viraram lenha

O que deveria ser o cumprimento de um projeto de Recuperação de Área Degradada (Prad) resultou em mais danos ao meio ambiente. A construtora Mendes Sibara foi mais uma vez autuada por derrubar árvores nativas num terreno na rua Cecília Brandão, no bairro Fazenda, em Itajaí. O local conta com áreas de proteção permanente (APP) e uma bica d’água. Ano passado, a empresa foi multada em R$ 10 mil por permitir a entrada de tratores no terreno pra uma “limpezinha”. Nas duas carcadas, a construtora conseguiu converter as punições em compensações ambientais.
A área degradada abastece com água inúmeras famílias da região conhecida como BNH e os moradores atuam como vigias do local. Qualquer movimentação estranha é denunciada. Foi justamente o povão unido que flagrou o corte indevido de vegetação e apresentou a bronca pra fundação do Meio Ambiente de Itajaí (Famai) na semana passada. Em vistoria, o órgão confirmou a derrubada de espécies nativas no terreno.
De acordo com a superintendente da Famai, Rogéria Gregório, a construtora Mendes Sibara foi autuada, mas não vai receber penalização na forma de multa. Ao invés disso, terá de fazer uma compensação ambiental. Uma praça do bairro Cordeiros foi a escolhida pra revitalização. A empresa vai ofertar a vegetação. Ainda não há definição de quando isso vai rolar.
Conforme relata Rogéria, em esclarecimentos prestados à Famai, a Mendes Sibara informou que a derrubada de árvores rolou por engano e em virtude do início das ações previstas no Prad. A peãozada tava no terreno pra derrubar as espécies exóticas, mas acabou cortando também ipês e aroeiras, árvores nativas. Nenhum engenheiro da empresa acompanhava os serviços.
Durante a tarde de ontem, o DIARINHO tentou contato com a Mendes Sibara para esclarecer o assunto. O proprietário da empresa, Luiz Mendes, estava viajando e nenhuma outra pessoa estava autorizada a comentar o assunto.

Nada de multa
Esta é a segunda vez que a construtora se livra de uma multa que doa no bolso. Em maio do ano passado, um trator da prefeitura foi flagrado dentro do terreno da Mendes Sibara, destruindo toda a vegetação no entorno de uma nascente. Até o curso d’água foi alterado. Na época, a secretaria de Obras informou que a construtora, proprietária do terreno, solicitou uma limpeza no local.
A Mendes Sibara assumiu toda a bronca e foi multada em R$ 10 mil. No entanto, recorreu da punição. Foi então que, em fevereiro deste ano, a construtora assinou um termo de Compromisso para executar um Prad. A construtora chegou a apresentar uma proposta do programa, na qual prevê a retirada de espécies exóticas, plantio de novas mudas em área seca e área única, preparo do solo e enriquecimento da área. No cronograma de recuperação apresentado pela empresa, até maio toda a área já deveria estar reflorestada.
Como não há indícios de cumprimento do combinado, A Famai revela que a Mendes Sibara foi notificada a iniciar imediatamente a recuperação da área.

Moradores querem que terreno seja transformado em área de utilidade pública
A associação de moradores do BNH vai se encontrar com o prefeito Jandir Bellini (PP) na próxima segunda-feira. O assunto é o mesmo de outros carnavais: pedir que o terreno da bica seja declarado de utilidade pública. Além disso, os moradores também sugerem a desapropriação do imóvel e que o local se torne um jardim botânico ou um parque natural protegido. “A gente quer que aquele local seja de preservação. O que nos sobra hoje, em Itajaí, são as áreas de morro. Eles formam a mancha verde sobre a mancha cinza que a cidade se transformou”, comenta Giordano Zaguini Furtado, presidente da associação.
O líder da comunidade ressalta que os moradores têm a impressão de que o compromisso da construtora em recuperar a área não vai sair do papel. Pelo contrário, ações como a derrubada da vegetação na semana passada fazem todo mundo temer que, logo logo, um novo espigão seja erguido em meio às riquezas naturais. “Aquela área tá sendo potencializada como um local de construção civil. Isso nos assusta, e não vamos aceitar”, garante.
Segundo a Famai, o órgão já recebeu um ofício da associação de Moradores pedindo a declaração de utilidade pública do terreno. Rogéria informa que o assunto será discutido no conselho do Meio Ambiente (Condema), mas cabe ao executivo canetear a decisão.

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