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Coluna do César Valente

O MUNDO É DOS ESPERTALHÕES!

Atrás da cortina
Lembram do Renan Calheiros? Esse mesmo, aquele político alagoano que teve que renunciar a um mandato para não ser cassado e que depois, graças ao eleitor bom, generoso, complacente e meio fraco da memória, voltou ao Senado. E foi eleito presidente da Casa por representar o modo de pensar, ser e agir da maioria dos senadores. Por menos que gente goste dele, do seu jeitão e do que fez e faz, seus colegas gostam. E acham que ele é a pessoa certa no lugar certo.Muita gente discorda, com base em processos, denúncias e uns tantos rabos que ele foi deixando ao longo de seu caminho. Tanto que criaram um auê quando ele foi sungado à presidência, substituindo outro ícone da moral e da ética política vigente, o eterno coronel maranhense José Sarney.E o que aconteceu? Nada. Porque criaram uma cortina de fumaça. Uma distração. Um outro evento que atraiu todas as atenções: colocaram o alegre e glostorado Feliciano na Comissão dos Direitos Humanos. Pronto. Foi como se Renan Calheiros tivesse vestido o manto da invisibilidade. Ninguém mais falou nele, nem nos seus malfeitos. Agora todos só têm olhos e ouvidos para as trapalhadas Felicianas.

ATRÁS DOS VOTOS
Ainda que Feliciano e todos os demais componentes da aguerrida “bancada evangélica”, vez por outra, sejam utilizados pelos espertalhões de alto coturno em suas manobras, aqui e ali, não podem ser considerados tolos.Eles sabem muito bem o que fazem, por que estão ali e o que pretendem com aquele seu jeito meio desengonçado de mover-se entre os espertos graduados da política coronelista brasileira.O PT (e todos os demais partidos não religiosos) não descansaram enquanto não atraíram para o seu aconchego os milionários bispos e seu séquito de pastores. De olho no voto fiel dos pobres que acorrem aos milhares para os salões evangélicos em busca de consolo, abrigo para a alma e salvação na vida eterna.Em pouco tempo os líderes religiosos descobriram que é muito melhor pedir votos para si mesmos do que recomendar que votem em outrem. E a cada eleição é uma enxurrada de pastores e bispos concorrendo em todas as instâncias.Partidos “de esquerda” que deveriam, em nome de uma certa coerência histórica, manter distância respeitosa daqueles que administram “o ópio do povo”, são vistos aos beijos, abraços e em trocas despudoradas de favores por cima e por baixo dos panos, com todo e qualquer clérigo que lhes prometa apoio e apoio de seus rebanhos muito bem apascentados.

Atrás da Grana
O ministro da Pesca do governo Dilma, Marcelo Crivella (PRB, bispo licenciado da Universal e sobrinho do Papa Edir Macedo) foi muito feliz ao resumir, para um grupo de cerca de 3 mil pastores evangélicos, no último dia 22, a essência da relação deles com o governo:“A nossa presidenta e o presidente Lula fizeram a gente crescer porque apoiaram os pobres. E o que nos sustenta são dízimos e ofertas de pessoas simples e humildes. Com a presidenta Dilma, os juros baixaram. Quem paga juros é pobre. Com menos juros, mais dízimo e mais oferta.”Não é tocante o desprendimento, o espírito público e a forma profundamente religiosa com que o eleitor, em especial o eleitor pobre, é tratado?As igrejas pentecostais se beneficiam da extrema liberalidade com que canais de TV e rádio são alugados e cedidos para seu proselitismo e suas promessas de milagres em troca de doações. E ocupam postos-chave nos parlamentos e no governo, numa esperta troca de favores, que pode transformar o Brasil numa espécie de Irã cristão. E aí, adeus PT e partidos “de esquerda” não religiosos.

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