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Caça de pokémons começou por aqui

Até coroa está participando do jogo virtual que é febre entre a molecada. Galera corre atrás de monstrinhos virtuais

João Batista
geral@diarinho.com.br

O joguinho para celular do Pokémon Go chegou ao Brasil na quarta-feira e, a exemplo de outros países, virou febre entre jovens e adultos brasileiros. Itajaí não ficou fora do fenômeno.
Ontem, um dos lugares onde a galera se amontoava para caçar os monstrinhos eram os corredores e o pátio da Univali. Parecia uma febre, de tanta gente que apontava o celular pra lugar nenhum, na busca dos bonecos virtuais.
Antes de entrar em sala ou nos intervalos das aulas, os estudantes não desgrudavam do celular procurando as criaturas pra caçar. Ambientes como o de universidades são tidos como ótimos para achar os pokémons. Quanto mais o lugar é movimentado com os caçadores, mais chances de aparecer e capturar os bichos de araque.
Estudante do curso de Engenharia Química, Ângelo Luiz Silveira Neto, 22 anos, passou boa parte da tarde de ontem jogando, enquanto esperava o início da aula, que só começaria depois das 17h.
Ângelo era um dos que tavam ansiosos para o jogo chegar ao Brasil. Fez o cadastro logo que o game foi liberado na quarta. Só ontem, já tinha capturado 90 pokémons pelos corredores da facul, desempenho que o fez alcançar o 7º nível do jogo, que tem 40 fases. Pelas regras, quanto mais capturas, mais forte fica o jogador, que pode se tornar líder de territórios de pokémons.
O jovem explica que a possibilidade de formar times com outros caçadores, interagir com quem tá mais perto do local e com o próprio lugar onde a pessoa já costuma ir, estão entre as coisas que tornam o jogo atrativo. “O cara já sai de casa procurando Pokémon”, diz.

Sem vício
Ele garante que hoje o jogo não tá prejudicando as aulas. O estrago só rolaria se fosse no fim do ano, na época das provas. “A hora que chegar no final de semestre, ninguém vai tá mais jogando”, acredita.
Também do curso de Engenharia Química, Renan Rosa Ferreira, 22, comenta que é preciso estar preparado fisicamente porque o jogo consome muita energia. Renan não é fã de outros jogos e comentou que só entrou na brincadeira para relembrar do desenho animado que aparecia na TV.
Renan acredita que o game é viciante, mas comenta que depende de cada um se controlar para não passar dos limites e prejudicar os estudos. “Tem que saber a hora de parar”, orienta.
Acadêmico do curso de Direito na Univali, Leonardo Pinheiro, 26, decidiu instalar o jogo ontem. Mas, afirma, foi mais pela curiosidade. “O que o jogo tem de diferente é o fato de usar o lugar onde tu tá e misturar com entretenimento”, considera, adiantando que tava decidido a não ficar caminhando feito zumbi pela universidade atrás dos monstrinhos. “Eu ainda prefiro surfar e andar de skate do que jogar”, conclui.

Olha a bandidagem!
O jogo não tá sendo usado só por quem quer se divertir. Tem gente pegando o programa para localizar vítimas e praticar furtos e roubos. Um usuário pode indicar que em tal lugar tem um Pokémon, atraindo um jogador desavisado pra ser assaltado, por exemplo. Outro risco é ter o celular levado pelos bandidos, o que já ocorreu em São Paulo, Espírito Santo e Goiás. Como a pessoa tem que andar vidrada na tela do celular, acaba virando alvo fácil pros criminosos.
A secretaria de Comunicação Social da Polícia Militar de Santa Catarina divulgou ontem uma campanha de orientação para que os jogadores se liguem na segurança. A dica é para o pessoal evitar caçar os monstrinhos em locais afastados e com pouca iluminação.
A PM de Itajaí tá reforçando o alerta, mas não chegou a registrar nenhuma ocorrência relacionada ao jogo ainda.

Usa câmera e GPS do celular
O Pokémon Go é um jogo gratuito para aparelhos de celular que usam os sistemas iOS e Android. O game usa a câmera e o GPS do celular para colocar os monstrinhos no mundo real do jogador, através da tecnologia de realidade virtual. A proposta é que o jogador avance nos níveis, na medida em explora os locais e vai caçando os pokémons.
O professor Tiago Vinícius Ficagna, do curso de Design de Jogos da Univali, destaca que o sucesso do jogo tem a ver com o fato de que a Nintendo, desenvolvedora do game, nunca tinha lançado o produto pra celular. “Antes se jogava só no vídeo-game da Nintendo”, explica. Além disso, o desenho faz sucesso há muito tempo e tem muitos fãs no mundo inteiro, inclusive adultos.
Como hoje a maioria da galera tá com o celular na mão, a coisa bombou, argumenta. Tiago ainda considera que a interação com outros jogadores e a caçada dentro de um ambiente real favoreceu o sucesso. Ele observa, no entanto, que a febre vai passar. “Daqui a um mês, metade do povo já vai deixar de jogar”. O reflexo é que novos jogos devem ser lançados usando o mesmo conceito.

Vício no joguinho pode provocar problemas de saúde
Cláudia Silva Schead dos Santos Schiessl, professora do curso de Psicologia da Univali, avalia que é natural o aplicativo do Pokémon Go se popularizar especialmente entre os adolescentes, mais ligados nas redes sociais e nos celulares. Nessa fase, os jovens tão em plena formação de identidade e vão na onda do que os colegas tão fazendo.
O problema, diz a psicóloga, não é o jogo em si, mas o uso excessivo das tecnologias de um modo geral, que podem desencadear doenças e comportamentos prejudiciais.
Falta de concentração, ansiedade crônica, baixo desempenho escolar, problemas de vista e de coluna, são alguns efeitos negativos pra galerinha que não desgruda do smartphone, alerta.
O vício pode ser comparado ao uso de drogas. “O mais preocupante são as pessoas que não tem um controle, ficam sem comer, sem dormir direito”, aponta a professora Cláudia. Para ela, os adultos têm o papel de controlar o uso dos aparelhos pelos filhos. “É difícil, mas é preciso ter restrições e criar regras”, adverte.

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