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Boleiro descansa após baita temporada no México

Família é o combustível de Peu

Peterson Silvino da Cruz não é um nome muito conhecido pra quem gosta de futebol. Mas o apelido Peu deve soar mais familiar. O boleiro de 21 anos é de Navega city, mas já tem na carreira passagens por clubes como Internacional, Avaí, Fluminense, Légia Varsóvia (Polônia) e Santos Laguna (México), onde está por empréstimo até o final do ano. Ele pertence ao tricolor carioca.
Os títulos mais importantes são o tricampeonato do Gauchão de base (mirim, infantil e juvenil), pelo Inter, e o Catarinense profissional de 2012, pelo Avaí. “Não cheguei a jogar, mas fazia parte do time principal”.
Com o fim da temporada mexicana, ele tá de férias, curtindo o carinho da família e dos amigos. Faltam algumas semanas para Peu curtir o pai Silvino e a mãe Edvânia, além de outros parentes e amigos. O papo com o DIARINHO foi na casa dos avós Zeca e Edenir, no bairro São Domingos. Ele garante: o carinho da família é o seu combustível pra seguir na luta da carreira.
Com seis anos Peu começou a jogar futebol, quando se dividia em partidas no colégio Paulina Gaya com o futsal no Caic. Depois, passou pelo União de Navegantes, Marcílio Dias e Guabiruba, até chegar no Internacional. Dos 16 aos 19 anos, ficou no Avaí, onde foi “subido” para o profissa, pelo técnico Silas. “Na minha estreia, fiz o quarto gol da vitória contra o Concórdia, no Catarinense de 2011”. Depois, fez estágio na Lazio, da Itália, onde conheceu Hernanes e Felipe Anderson, antes de ir jogar no time do Fluminense.
Pelo time B do tricolor, disputou o torneio que mudou sua vida. Foi num quadrangular na Polônia com Légia Varsóvia, Rapid Viena (Áustria) e um time sérvio. E os brazucas foram até a final. “Fiz gol na semi, contra o Viena, e na final fui bem também, mas perdemos”. As boas atuações valeram um empréstimo pro Légia, sua melhor fase. “Fui artilheiro do time e eleito o melhor driblador”. Ele também realizou um sonho: viu a neve de perto.
Nas férias, porém, veio o baque. Rolou troca de treinador, e o norueguês que assumiu levou todo o ataque, dispensando quem tava lá. “Nem consegui voltar pra buscar minhas coisas. Tenho muitas roupas de inverno e chuteiras”.
Não demorou pra pintar a chance para defender o Santos Laguna, do México. A equipe foi semifinalista do torneio Clausura e melhor campanha da primeira fase da Libertadores. Mas Peu ficou no time B. “Dos nove jogos, fui titular em seis. Fui líder de assistências num torneio que disputamos”, sigaba. Ele considera o futebol mais difícil que já jogou e onde mais batem. Por outro lado, se a adaptação na Polônia foi difícil, no México a coisa foi mais tranquila. “Eles gostam muito de brasileiro. Na Polônia, temos famas de baladeiros e desinteressados, e eles não facilitam a adaptação; só conversam em polonês. Teve uma vez que mudaram um horário do treino e nem me avisaram; acabei multado”.
O empréstimo no México vai até dezembro, e o clube tem preferência de compra junto ao Fluminense. Ele ainda não sabe o que vai acontecer no futuro, mas já foi tranquilizado. “Me falaram que se não tivessem gostado do meu futebol, teriam me dispensado depois de três meses. Dizem que estão satisfeitos”. Pro segundo semestre, que começa no dia 18 de junho, o plano de Peu é agarrar as chances que receber pra chegar rápido no time principal. Mas não vai ser fácil. O elenco tem nomes como Peralta, que vai jogar a copa do Mundo pelo México.
Como todo jogador de futebol, o jovem dengo-dengo quer chegar à seleção brazuca. Já esteve perto de vestir a camisa amarelinha uma vez. Foi em 2011, no Avaí, quando pintou na pré-lista da seleção sub-19, mas acabou ficando fora da listagem final. Se pensa lá na frente, ele não se esquece de quem o ajudou lá no início. “Comecei com o José Alves, o professor Nene, que morreu em 2007. Me levou pra copa Ferretti, em Jaraguá, quando fui artilheiro, e me levou pra vários testes. Queria dar muita coisa pra ele, pelo que fez por mim”.
Peu ainda era novo, nem tinha completado 14 anos, quando deixou o Guabiruba com destino ao Rio Grande do Sul. “O presidente do clube era empresário de futebol e me levou pro Internacional”. Meses depois, ele recebeu o seu primeiro salário: 300 pilas, sendo que ele ficava com R$ 100 e mandava o resto pra família, em Navega. O começo em Porto Alegre não foi fácil. Na época, o boleiro ainda era filho único [os irmãos Ian e Eduardo nasceram depois] e o único neto homem, por isso sofreu pra ficar longe da família. “Mas acho que minha família foi o diferencial. Quando eu reclamava de saudade, ao invés de me chamarem de volta, me incentivavam a persistir”. O estilo da gauchada também dificultou um pouco a adaptação. “Aqui, em Navegantes, tu conheces o cara num dia, e no outro ele tá tomando café na tua casa. Lá, eles são mais fechados”, compara.
A parceria também ajudou bastante. No Beira-Rio, Peu dividiu apartamento com os já profissas Taison (hoje no Shakhtar Donetsk da Ucrânia) e Sandro (hoje no Totteham da Inglaterra). “A molecada ficava de cara em ver que o Taison dormia num colchão fininho”, lembra o boleiro dengo-dengoso. Mais experientes, os dois “adotaram” o atacante catarina. “Eles podiam acordar mais tarde, mas faziam questão de acordar cedo pra garantir que eu iria pra escola”. Também davam vários conselhos. Peu garante que aprendeu muito com os colegas de profissão, que acabaram virando amigos.

Amizade com os ídolos
Com passagens por Internacional e Avaí, Peu já estava acostumado a jogar com craques, mas foi marcante o primeiro dia dele no Fluminense. Deco foi o primeiro a se apresentar. Pouco depois, chegou o Fred. “Tremi. Fiquei lá pensando: jogava com eles só no Playstation 1, quando o Deco estava no Barcelona e o Fred lá no Lyon”, brincou.
O técnico Abel Braga foi quem puxou o jovem pra treinar com o time principal, e logo no primeiro dia já teve que enfrentar um problema. Gum estava mordido por ter ficado fora de um jogo da Libertadores e mandou ver sapatada pra cima do dengo-dengo. Num lance, entrou de sola depois de tomar um balão, e pegou Peu em cheio. “Caí no chão com dor, e chegou o Felipe pra me defender. Perguntou se eu tava bem, e quando disse que sim, foi pra cima do Gum, batendo boca com ele, perguntando se nunca tinha subido da base”, narra Peu.

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