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Álvaro Simão Provesi

Presidente da Comissão Central Organizadora do JASC

Os Jogos Abertos de Santa Catarina (Jasc) 2014 acabaram na última terça-feira. Mas antes mesmo do encerramento, atletas, treinadores e autoridades já cravavam: Itajaí elevou os Jasc para um outro nível. Locais de prova e alojamentos impecáveis, jogos de altíssimo nível e ginásios completamente lotados. Com tudo isso, a city peixeira pode se orgulhar de ter feito o melhor evento nesses 54 anos de história.
Por trás de todo esse sucesso, está Álvaro Provesi, presidente do Comitê Central Organizador (CCO). Ele garante, porém, que a grande equipe montada em parceria entre a prefa e a fundação municipal de esportes foi o diferencial. “Esses jogos não foram feito à duas mãos, e sim por centenas de mãos. Eu sozinho não faria nada”.
No bate papo com os jornalistas Henrique Risse e Raquel Cruz, Provesi falou sobre a sempre polêmica importação de atletas, do futuro dos locais de competição e entregou também o segredo do sucesso dos Jogos: “prever” os imprevistos. As fotos são de Elton Damasio.

DIARINHO – Ao final dos Jogos, o presidente da Fesporte, Marcelo Kowalski, disse que Itajaí elevou os Jasc a outro nível, nos quesitos organização e presença de público. O que Itajaí deixa de ensinamento para as outras cidades?
Álvaro Provesi – Há dois anos, quando o conselho municipal de esporte, que é quem credencia as cidades para participar, colocou Itajaí como sede, o prefeito e a vice-prefeita me colocaram como presidente da comissão central organizadora, até porque eu já tinha participado de outros eventos. Em 2001, quando teve os jogos abertos aqui, fui membro da comissão técnica. Já fui atleta e venci, gosto muito de jogos abertos. Então, começamos a formar as comissões. Comissão de alojamento, de abertura, de infraestrutura, de segurança, todos aqueles pontos que a gente sabe necessários. As comissões e o pessoal foram se interessando cada vez mais, os secretariados abriram as portas. Tudo o que eu precisava, era só ligar para os secretários e a gente tinha o respaldo. É um evento muito grande, não é uma Volvo que é só ali na Marejada. São 89 municípios espalhados nessas escolas todas, mais quase 25 locais de competição. Toda hora acontecia alguma coisa em algum lugar e tu tinhas que estar ali. A gente tinha equipe de eletricista, plantão hidráulico, elétrico, de caminhão-pipa. Faltou água várias vezes. Faltava água, imediatamente o caminhão pipa ia e abastecia. Enfim, eu comecei a juntar esse povo, o que ele tinha de melhor, para fazer esses jogos. Sem sombra de dúvidas, tinha um propósito, fazer os melhores jogos abertos de todos os tempos. Eu falava isso no conselho, muitas vezes critiquei outras cidades como conselheiro, de jogos sem motivação, sem público, sem a cidade se preparar. Eu falava, tinha o telhado de vidro, mas que eles poderiam me cobrar, que aqui em Itajaí seria diferente. Deu no que deu. A gente se preparou para esses jogos, para fazer os melhores jogos. Eu dizia para o prefeito, se isso não sair, acho que tem que me demitir, porque eu tenho esse propósito, tenho esse compromisso de fazer. Se cada um pegar o que tem que fazer e fazer bem feito, as coisas acontecem. Por isso a gente se propôs e acho que a gente conseguiu.
Eu conheço quase todos os superintendentes do estado e eles vinham frequentemente elogiar não só os jogos, mas a cidade, a limpeza da cidade, a decoração natalina. A decoração era para o dia 23, mas eu acertei com a Dalva e com o Tarcísio [Zanelato], secretário de Obras, para que a gente já deixasse aceso no dia 15, para o pessoal ver, pelo menos, uma parte da decoração de Natal. E quando acendeu, os caras enlouqueceram, acharam muito legal. Diversos prefeitos estiveram aqui e todos elogiaram e ficaram admirados com a nossa decoração, que fez parte dos jogos também, porque era o ambiente da cidade. Para responder a pergunta, nós nos preparamos e nós previmos os imprevistos. Nós prevemos os imprevistos ao ponto de nós sugarmos todas as caixas de gordura e fossas das escolas, porque a gente sabia que poderia transbordar. Nesses jogos aí, várias vezes, a gente viu se incomodarem com fossa e água de colégio, então a gente sugando, fez algo que provavelmente nunca ninguém fez. E vários outros detalhes. Eu acho que isso aí foi um detalhe importante do evento.

DIARINHO – Quais os principais pontos positivos e negativos dessa edição dos Jogos Abertos?
Provesi – A gente acertou muito e teve alguns erros também. Vou dizer que foram bem menores do que os acertos. A gente acertou em vários aspectos, a começar em licitar tudo, até porque era um recurso público que a gente recebeu. Licitar tudo com antecedência foi uma grande sacada. A gente pode fazer com bastante antecedência, não ficou atropelado. Uma obra ainda ficou, a cobertura da arquibancada da pista de atletismo, que ficou quase em cima da hora, mesmo a gente tendo previsto ainda um pequeno atraso. Algumas coisas que deram errado, foram os placares eletrônicos, por exemplo, do [ginásio municipal de esportes] Ivo Silveira, que não funcionaram. Como estava em obra, não sei se deu alguma avaria. Começou funcionando, tanto no [ginásio] Gabriel Collares quanto no Ivo Silveira e em certos momentos deu pane. Era para ter trocado. Na verdade, era para ter passado pela revisão antes, eram coisinhas que a gente não deu muita importância. Isso aí foi um dos pecados.

DIARINHO – Qual o segredo para ter tanta gente nos ginásios e demais locais de competição?
Provesi – Eu creio que um dos segredos foi a fomentação que a gente fez antes dos jogos abertos. O lançamento dos 100 dias, essas coisas que antecediam, que a gente foi fazendo e colocando o pessoal dentro do clima. Fez o lançamento dos 100 dias, o lançamento do uniforme, o lançamento da logomarca, isso tudo com auê, com a nossa comunicação visual, o desfile das delegações com as camisas retrô. A gente foi cativando, mobilizando a comunidade. Outro fator importante foi a nossa secretaria de Comunicação, que funcionou. Eu não tenho habilidade para falar, mas todos os métodos que eles usaram para fazer uma comunicação de rádio, jornal, TV, folder, cartaz, enfim, na secretaria de Comunicação, eles tiveram um papel fundamental para esse público todo estar dentro dos ginásios. A própria abertura, quando eu vi que começou a encher, a lotar a ponto de ficarem 1500 pessoas fora, nos dados da polícia [Militar], ali eu tive a certeza de que o evento seria um sucesso.

DIARINHO – Itajaí conquistou o título inédito com uma pontuação recorde. A que se deve essa diferença absurda?
Provesi – Quando a gente chegou aqui em 2009, quando eu assumi – fui superintendente por quatro anos – a gente veio da enchente com quase nada; computadores apagados, começamos literalmente do zero, mas com a experiência e com a amizade que a gente tinha, nos unimos e começamos a fomentar de novo o esporte na nossa cidade. Em 2010 a gente já deu uma melhorada e sempre em jogos abertos ficava em oitavo, nono, décimo, em 2010 já demos uma melhorada significativa. Em 2011, começou a melhorar mais ainda e cada vez o prefeito apostando mais na própria dotação orçamentária da Fundação Municipal de Esporte, crescendo um pouquinho mais, porque é necessário que se tenha dinheiro para manter toda uma estrutura. Em 2011 a gente já estava muito fortenos jogos abertos. Em 2012, ‘a gente vai ser vice-campeão’, na época acho que eram 212 pontos, como agora também. E fomos para aqueles jogos abertos e fomos vice-campeões. Passou um pouco de 212, então Itajaí já começou a ser vista de outra maneira. Aí fizemos uma aposta, antigamente a gente investia um monte para uma ou duas modalidades coletivas, que tem 20, 30 pessoas, e tem que trabalhar em cima deles. Mas mudamos a estratégia, começamos a investir primeiro nas modalidades individuais, que é a mesma medalha, ao invés de levar um time de futebol de campo, que tu precisas de 20, tu faz com dois ou três e são os mesmos 13 pontos. Então, investimos no tênis de mesa, tênis de campo, xadrez, taekwondo, ginástica rítmica, ginástica artística e isso começou a somar nos nossos pontos. Nessa oportunidade fizemos a vice-colocação e começavam a olhar para Itajaí com outros olhos […] Então, no ano passado, fomos vice-campeões, no último dia Blumenau nos passou, porque tinha mais modalidades coletivas, pecamos nas modalidades coletivas e a diferença foi de 47 pontos. Isso, nós com nove modalidades a menos. Aí eu disse, ‘pessoal, em 2014, não tem, nós vamos estar com nove modalidades a mais em casa. Vamos colocar a faca nos dentes e vamos ter que ganhar’. Eu confesso que a dose foi um pouco demais, fazer 160 pontos, eu vejo que é uma diferença esmagadora, sem comentários, eu nunca vi disso.

DIARINHO – É possível repetir esse desempenho no ano que vem, em Joaçaba?
Provesi – É possível. Quando a cidade é sede, já está classificada para todas as modalidades. Lá em Joaçaba, nós vamos ter que passar pela regional nas modalidades coletivas. Na região, a gente disputa com Blumenau, Joinville, Rio do Sul, Timbó, Pomerode, Balneário Camboriú, Brusque, então a gente tem que passar por uma seletiva primeiro. Todas as que não foram o primeiro colocado, terão que passar por uma seletiva, que são as etapas regionais. Devemos, em alguma ou outra, não passar na regional, mas nós vamos muito fortes.

DIARINHO – Todos os anos a polêmica dos atletas contratados vem à tona. Itajaí até foi eliminada do basquete feminino por conta disso. É possível ter um Jasc de alto nível dentro das quadras e com grande presença de público, sem atletas de fora?
Provesi – Aqui, no Brasil e em qualquer lugar, tu não vês ninguém sendo campeão tendo a equipe só com prata da casa. Nem o Marcílio [Dias], nem o Flamengo, nem o Barcelona, nem ninguém. Impossível, impossível. Ninguém faz time só com prata da casa em esporte de rendimento. Fazem em brincadeira de bairro, em escolas, fazem campeonato citadino, agora, passou para rendimento e em disputa em nível de estado, ninguém faz. Vários atletas saíram daqui, nossa equipe de caratê, todinha saiu daqui e foi disputar os Jogos Abertos de São Paulo, por uma cidade de São Paulo. Isso a gente não faz, de equipes completas assim, mas reforços são obrigatórios.

DIARINHO – E se proibissem a importação de atletas, se os Jogos fossem realizados só com atletas da cidade, aí o público e o rendimento cairiam bruscamente?
Provesi – Vamos nessa que vocês estão: acabou a importação, não pode mais trazer. Sabe quantas cidades estariam nos jogos abertos? Umas cinco, talvez. Sabe o que aconteceria se só pudesse ser atleta de Santa Catarina? A nossa equipe, a nossa cidade, ah, tem um atleta que se destacou em Gaspar, nós vamos lá pegar ele de Gaspar. Joinville – tem um atleta bom em Navegantes, Joinville vai lá e chama para jogar. Os pequenos seriam achatados, eliminados. Os pequenos não sobreviveriam. Iria ficar só Itajaí, Blumenau, Joinville, Floripa e Criciúma, talvez. Só teria jogos abertos para essas cidades. Iria ser pior ainda, porque hoje Pinhalzinho ainda tem um time de futsal, algumas cidades podem se sobressair e, pelo menos, criar uma mídia na cidade deles com uma determinada modalidade. Tem alguns repórteres de Itajaí que entendem assim, são os primeiros depois a reclamar quanto tu estás lá embaixo. Não se dá crédito, porque é quem não entende. Quem não entende, não adianta. Eles falam muito, eu já convidei para virem debater comigo, mas eles não vêm. Falam só por trás. É salutar, é legal que tenha atleta de nível na cidade, as crianças daquela cidade se espelham. Agora, embora fiquem poucos [atletas vindos de fora], é um atrativo para os jogos, eleva a qualidade técnica do evento. Tinham vários, em todas as modalidades, em todas as cidades. Atletas de seleção brasileira, de olimpíada, tava cheio. Nós também tínhamos como, por exemplo, o Diogo Schebin, que é atleta olímpico e já corre há uns seis, sete anos por Itajaí. [São cinco anos, no triathlon]. E tem outros sim, agora, é rendimento. Quando se parte para rendimento, vence o melhor.

DIARINHO – O pessoal das outras cidades, principalmente as que brigam pelo título, costuma dizer que muitos atletas que defendem Itajaí nunca puseram os pés na cidade. De fato isso acontece mesmo?
Provesi – Tem, sim. Um ou outro atleta, em determinada modalidade, que veio para reforçar. Mas se Itajaí tem dois, Joinville e Blumenau têm cinco. Todos esses grandes que falaram têm bem mais atletas que Itajaí, com certeza. Mas nós temos sim, como é o caso do basquete. Alguém tinha o contato com a norte-americana [Effenisa Baker], acabou fazendo o convite e ela veio. Os atletas também querem vir jogar os Jogos Abertos. Se a cidade tem como trazer, que traga, por que não? É legal ter a norte-americana. Se tivesse alguém da NBA [liga de basquete dos Estados Unidos] jogando por alguma cidade, todo mundo iria pro ginásio pra ver. A gente trouxe sim, um ou outro atleta, mas apenas para compor uma modalidade.

DIARINHO – É possível o esporte crescer se não houver uma base forte? Quando importamos atletas acabamos deixando de investir na base. Isso não é um problema? Não acabamos jogando dinheiro fora e não vendo os frutos desse investimento se multiplicar?
Provesi – Isso aí pode ser um problema para as cidades que não tem essa visão, que não é o caso de Itajaí. Eu até quero colocar no conselho, criar uma lei, onde toda a modalidade que a cidade tiver no Jasc, que tenha também uma equipe nos Joguinhos [até 18 anos] e na Olesc [Jogos da Juventude Catarinense – até 16 anos]. Todas as modalidades que Itajaí tem nos Jasc, tem nos Joguinhos e na Olesc. O que não é o caso de outras cidades, até de cidades grandes. Eu, como conselheiro, quero colocar isso em reunião ainda este ano. Não é legal tu ter uma equipe só pros Jasc. Vamos colocar o tênis de mesa, tu traz dois atletas, ganha a modalidade e a tua cidade nem sabe o que é tênis de mesa. Isso não é legal. Agora desde que a gente tenha escolinhas, atletas disputando competições no colégio – como Itajaí já tem – tendo equipe nos Joguinhos e na Olesc, é legal. Aí temos um ciclo. É por aí que tem que caminhar. Itajaí tem escolinha de todas as modalidades, com exceção daqueles que não tem no Joguinhos, como bocha e punhobol. Mas até acho interessante ter, porque daqui a pouco essa modalidade pode não existir mais. Como o Bolão 23. Acho que se a gente não começar a fazer em casa, daqui uns dias não vamos ter mais atletas.

DIARINHO – Itajaí teve muito sucesso em esportes menos conhecidos, como bocha, bolão, e também nas lutas, mas fracassou em modalidades tradicionais como futebol, futsal, vôlei, basquete e handebol. A cidade pensa em investir mais forte nesses esportes?
Provesi – Nos esportes coletivos a gente não foi campeão. São modalidades bem mais caras. Toda cidade tem futsal, todas as crianças jogam, então é mais fácil de fazer. Esse ano, no futsal, nós jogamos a divisão especial e acabamos caindo pra divisão de acesso. Na especial tem Jaraguá do Sul, Joinville, Concórdia, Blumenau, todos os times que disputam a Liga Nacional de Futsal, então ficou muito pesado. Essa modalidades coletivas precisam de muito recurso. E você não consegue investir em todas. Veja o exemplo do nosso handebol. Temos um time forte, de liga nacional, assim como é o time de Balneário Camboriú. Qualquer um podia ganhar aquele jogo. Infelizmente, Itajaí não estava em um bom dia. Até no basquete tivemos aquele incidente no feminino [Itajaí foi eliminada por escalação irregular], mas era uma equipe para ganhar. No handebol feminino o nosso time não está na Liga Nacional, e ficou em terceiro. Só perdeu pra Blumenau e Concórdia, que estão na Liga. Mas nas modalidades coletivas é assim mesmo, tem alguns times muito fortes porque a cidade só investe neles. Mesmo assim eu vejo que a gente está no caminho certo, temos escolinhas em todas as modalidades.

DIARINHO – Itajaí já virou referência em esportes náuticos com as regatas Volvo Ocean Race e Transat Jacques Vabre, e também está negociando a passagem do Rally Dakar por aqui. Mas quando se fala em grandes competições de futsal, vôlei e UFC, por exemplo, Itajaí nem aparece no mapa. Não acha que a cidade poderia ter um ginásio de grande porte para receber outros tipos de competições?
Provesi – Eu vejo que isso é fundamental, tudo o que a gente quer é uma arena. Até onde é hoje o Centreventos era para ser uma arena, a exemplo de Jaraguá do Sul. Mas a equipe que estava no comando na época não conseguiu o terreno ali do lado, onde tinha uma empresa que não queria sair, então faltou espaço. Mas realmente era tudo o que a gente queria, uma arena para trazer megaeventos.

DIARINHO – Em 2015 Itajaí vai receber os Joguinhos Abertos de Santa Catarina. Qual o principal desafio de organizar duas competições tão próximas? A pressão aumenta devido ao sucesso dos Jasc 2014?
Provesi – A gente vai fazer os Joguinhos tão bem como fez os Jasc, com certeza, até com mais tranquilidade. Os espaços físicos já estão prontos, a gente vai ter que organizar bem a cidade. São jogos menores, não tem bocha nem bolão, vai ficar mais fácil. Já tem logística, já sabe onde errou agora. Vamos fazer bem melhor. E é um evento menor. A gente não vai fazer uma abertura no Marcílio Dias, por exemplo, vamos fazer em um ginásio. Não tem pressão para arrumar nada, já estamos prontos.

Raio X
NOME: Álvaro Simão Provesi
NATURALIDADE: Itajaí
IDADE: 47
ESTADO CIVIL: Casado
FILHOS: Um
FORMAÇÃO: Superior em Educação Física
TRAJETÓRIA PROFISSIONAL: De 1997 a 2004, Provesi foi supervisor do Desporto Escolar na Secretaria de Educação de Itajaí. Também foi superintendente da Fundação Municipal de Esportes (FMEL). Atualmente é coordenador técnico da FMEL.

“O negócio agora é a gente entender que ganhar é uma coisa, continuar ganhando é outra”

“Ninguém faz time só com prata da casa em esporte de rendimento”

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