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Açougueiro que matou a mulher tinha abusado da enteada

Filho mais velho foi ferido com duas facadas ao tentar salvar a mãe das garras do padrasto

Cristóvão Evelázio da Silva, 61 anos, passou a terça-feira de Carnaval atrás do balcão do pequeno comércio no bairro Cidade Nova, em Itajaí, trabalhando. Foi a forma que ele encontrou para aliviar a dor de ter perdido uma filha brutalmente assassinada.
A pastora Ester da Silva Rodrigues, 34 anos, filha de seu Cristóvão, foi morta com 11 facadas, na manhã de sábado. O assassino é o marido dela, o açougueiro Josias dos Santos, 44. Josias também feriu o enteado, que tentou ajudar a mãe no momento em que ela foi atacada.
Após a morte da filha, o pastor Cristóvão ainda descobriu que o genro tinha abusado de uma de suas netas.
Ester, os três filhos, duas meninas de 11 e 14 anos e um menino de 16, e Josias moravam na casa 161 da rua Manoel Olivio Theodoro, no bairro Cidade Nova, pertinho da loja de utilidades. A casa verde de alvenaria foi o palco da tragédia de sábado.
Há cerca de cinco meses, a vítima descobriu que Josias teria abusado da filha dela, de 11 anos. Ela chegou a dizer a amigos que estava tentando alugar uma casa, para se mudar com os filhos. O plano de Ester era arrumar um emprego, sair de casa e denunciar o marido à polícia.
Há cerca de 15 dias, Ester foi até o quarto das filhas e contou que tinha resolvido denunciar o marido à polícia. Só que Josias teria escutado a conversa e aí a tragédia começou a se anunciar.
Sábado passado, o casal discutiu e a mulher foi agredida com socos e pontapés, quando fazia o café da manhã da família. Uma das meninas tentou ajudar a mãe, mas acabou arremessada contra a parede pelo padrastro.
O filho de Ester mandou as irmãs se trancarem no quarto e também quis ajudar a mãe. Quando chegou na cozinha, ele levou duas facadas do padrastro.
O menino saiu correndo para a rua, pedindo socorro.
Além dos socos e pontapés, Ester levou 11 facadas pelo corpo. Ela morreu antes da chegada do socorro. Já o menino foi socorrido e passa bem.
Josias desapareceu de casa antes da chegada da polícia. Ele fugiu numa CG 150 preta. Ester foi velada em uma igreja do bairro e enterrada domingo passado, no cemitério da Fazenda.

Querida por todos
Os pais guardam na memória a imagem de uma filha querida, cheia de amigos e sempre pronta para ajudar aos outros. O último contato de Ester com a família foi na sexta-feira, quando ela costumava visitar a família. Na saída, carinhosa, ainda disse: “Mãe, fica com Deus que eu já vou indo”.

Família espera justiça
Ontem, a família tentava voltar à rotina. Apesar do trauma, os pais de Ester abriram o mercadinho de utilidades e foram trabalhar em plena terça-feira de carnaval.
Cristóvão e a mulher, Zadir Manoel da Silva, 60, esperam que o genro seja preso logo. “Sabemos que ela (filha) não volta mais, mas queremos que a polícia pegue ele,” falou a mãe de Ester.
A família acredita que Josias planejou o crime, pois já tinha ameaçado Ester de morte outras vezes.
O delegado Weydson da Silva, da divisão de Investigação Criminal (DIC), não foi localizado pela reportagem para falar sobre o andamento das investigações.

Filhos traumatizados
Se para os pais está sendo difícil aceitar a morte de Ester, para os três filhos da vítima o trauma está quase imposível de suportar.
O adolescente de 16 anos, que foi ferido pelo padrastro, está se sentindo culpado por não ter conseguido salvar a mãe. Ele já está em casa se recupera bem dos ferimentos provocados pelas facadas, mas não consegue esquecer a cena do assassinato da mãe.
Já as meninas têm muito medo de sair de casa e estão sob os cuidados dos avós, que devem pedir à justiça a guarda definitiva das três crianças.

Se conheceram e engataram casamento
Ester morava no estado de São Paulo com os filhos. Viveu com o pai dos meninos até descobrir que ele tinha uma outra mulher e filhos desta relação. Ela se divorciou e, no começo do ano passado, quis tentar vida nova em Itajaí.
Ester ficou na casa dos pais durante um mês e, nesse meio tempo, conheceu Josias, que trabalhava como açougueiro no supermercado Esavi, no Cidade Nova. Ele tinha vindo de Rondônia e também era divorciado.
O pai de Ester conta que a filha queria alguém que fosse evangélico, sem vícios, para engatar um novo relacionamento. “Ela falou que só aceitava casar se ele viesse me pedir permissão”, narra Cristóvão. E assim foi feito. Em maio do ano passado, os dois alugaram uma casa e foram viver com os filhos de Ester. “Começaram a vida bem e estavam se preparando para casar no papel”, explica o pai.
Mas não demorou muito para as brigas entre os dois começarem. Em agosto do ano passado, Ester se arrumava para ir ao trabalho, quando Josias foi até o quarto das enteadas. Ele tapou a boca da menina mais nova, puxou o vestido e teria abusado da criança com a língua. A menina conseguiu se soltar, chamar a mãe e contou o que aconteceu. Mas Josias negou e disse que só estava fazendo cócegas na barriga da criança. Dali em diante, a vida do casal ficou marcada pela violência. Josias costumava chegar em casa bêbado, e os vizinhos suspeitam que ele usasse também drogas. Apesar do que passava com o marido, Ester não contou aos pais o que estava sofrendo. Seu Cristóvão e dona Zadir só ficaram sabendo do abuso à criança e das ameaças no dia que a filha morreu.

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