Home Notícias Quentinhas Acabou a grana pra Martin Luther

Acabou a grana pra Martin Luther

Afirmação é do secretário de Planejamento, Fábio Flor. Foco agora é derrubar casas no final da 4ª avenida

Maria Izabel da Silva, 69 anos, moradora da rua Aracuã, no Ariribá, em Balneário Camboriú, começou a reforma da casa há uns 10 anos. Depois dos primeiros reparos, ficou sabendo que as casas da rua iriam ser demolidas para dar lugar à avenida Martin Luther, que corta também o bairro das Nações. Desde então, ela e os irmãos, que moram ao lado, não conseguiram mexer nas construções e aguardam as indenizações da prefeitura para se mudarem.
A pior situação é a do irmão de dona Maria, que é um homem doente. A casinha de madeira está caindo aos pedaços e precisa de uma reforma urgente. “Mas não podemos fazer nada. É muito chato isso, porque eles falaram que iam fazer logo e agora tão dizendo que vai demorar ainda mais”, diz.
A família mora num mesmo terrenão que ocupa todo o lado direito da rua Aracuã, abaixo da avenida dos Tucanos. Ela informa que a intenção é construir uma casa maior no começo da rua, onde não vai passar a avenida. “Mas estamos esperando a indenização, que até agora não saiu. Por mim, eu nem saía daqui, seria o melhor”, afirma.

Desvio permanente
Na semana passada a prefeitura tirou os cones na esquina da avenida do Estado Dalmo Vieira com a rua Uganda e fez um canteiro de cimento para sinalizar a conversão à direita. Além disso, foram colocadas plaquinhas de sinalização. Isso chamou a atenção do povão, que ficou com a pulga atrás da orelha. O secretário de Planejamento de Balneário Camboriú, Fábio Flor, afirma que o canteirinho foi feito porque não há previsão para que a obra de extensão continue.
Segundo ele, o município não tem dinheiro para terminar o trampo. “Nós só temos recursos para as desapropriações da 4ª avenida, que é o nosso foco”, afirma. Ele explica que os recursos vêm do fundo de Transferência de Potencial Construtivo (TPC), quando as construtoras pagam ao município uma taxa extra para desobedecer a lei e construir fora do padrão estabelecido.
“O desejo é seguir com a Martin Luther até o final do bairro Ariribá, na divisa com Itajaí, mas hoje não há orçamento para executar esta obra, que sairia em torno de R$ 40 milhões”, diz Fábio.
Por enquanto, o que está previsto para começar daqui a 60 dias é a construção da avenida Martin Luther até a rua Venezuela, onde o traçado já está aberto. As obras neste pequeno trecho devem incluir drenagem, pavimentação, ciclovia, calçada e pracinhas. Os serviços serão feitos entre 60 e 90 dias. Mesmo assim, o desvio continuará sendo pela rua Uganda, pois a rua Venezuela é muito íngreme e, de acordo com Fábio, não suportaria o fluxo do trânsito.

Movimento, poeira e barulho 24 horas
As obras da Martin Luther iniciaram em 2008. Ela começa na rua Uganda e termina na avenida do Estado, ao lado do corpo de Bombeiros. O projeto original é levar a avenida até a divisa com Itajaí. Com isso, a avenidona formaria um binário com a avenida do Estado. Enquanto a primeira vai de Itajaí a Balneário, a outra faz o sentido contrário.
Atualmente, quem vem de Itajaí e precisa usar a Martin Luther tem que passar obrigatoriamente pela rua Uganda. A via, que antes era mais parada do que água de poço, virou um inferno para os moradores.
Júlio Cesar da Silva, 58, conta que desde que a rua virou trajeto obrigatório dos motoristas, é rolo 24 horas por dia. “É ruim para entrar e sair da garagem de casa, por causa do movimento. À noite não temos sossego com tanto barulho. As casas vivem fechadas por causa do pó dos caminhões”, reclama.
Segundo ele, os moradores até já pensaram em se reunir para fazer um abaixo-assinado e entregar à prefeitura. A lista de reclamações é extensa. “Nós achamos que isso seria por pouco tempo, mas até agora a obra não continuou. Essa rua não é apropriada para receber esse trânsito”, diz.
Janaina Gonçalves, 23, mora há três meses numa casa que fica na esquina da Martin Luther com a Uganda. Ali em frente fica um terreno, onde a casa já foi desapropriada e demolida para a continuação da avenida. Mas como o local ainda não está em obras, o pessoal usa para desviar o caminho, tanto de carro e moto, quando a pé. “Tá bem complicado porque eles demoliram, mas não tem asfalto e levanta muito pó quando passa carro ali. Eu não posso deixar as roupas no varal porque enche de poeira”, conta.
Em dias de chuva, os terrenos viram um lamaçal e as crianças que vão para a escola Ariribá acabam se sujando de tanto barro que tem. Janaina reclama também do barulho provocado pelo grande fluxo de carango e brutos. “A gente não tem sossego, é muito movimento”, diz.
Ao lado de casa dela, na avenida Martin Luther, há um pedaço de terreno que sobrou durante as obras da via. A promessa da prefeitura era implantar uma pracinha, com parquinho e equipamentos de ginástica, mas até hoje nada foi feito e o local virou depósito de lixo e mato. O secretário Fábio Flor promete que a pracinha será feita durante os serviços de ampliação da avenida até a rua Venezuela.

Grana é pra esticar a 4ª avenida
O foco da prefeitura neste momento é fazer as desapropriações para o prolongamento da 4ª avenida, desde a rua 2650 até a rua 3100. O secretário de Planejamento, Fábio Flor, informa que a prefeitura já conseguiu fechar negócio com mais de 20 proprietários. Só em indenizações a prefa deve gastar R$ 50 milhões.
A previsão do secretário é terminar esta etapa até outubro. Só depois é que as casas devem ser demolidas. Enquanto isso, a Martin Luther entra para a lista das obras intermináveis de BC.

Compartilhe:

Deixe uma resposta

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com