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11 mil confirmam presença em protesto contra comerciante

Manifestação vai ser contra bar da Brava, que enxotou banhista que foi usar guarda-sol do estabelecimento

Imagine 11 mil pessoas se aglomerando num pequeno trecho da Praia Brava, em Itajaí. Algum show de rock? Que nada! Esse é o número de internautas que até às 20h de ontem confirmaram presença no ‘Farofada no TJ’, um protesto pra lá de inusitado marcado pra rolar sábado, a partir das 10h da manhã.
A manifestação vai ser contra o comerciante Tim Jones e seu bar, o TJ’s. Tudo porque o cara não segurou a onda e respondeu grosseiramente, nas redes sociais, à reclamação de uma cliente.
O caso viralizou no Facebook e no Whatsapp. Como a moça maltratada foi chamada de farofeira várias vezes pelo empresário, o povão não perdoou. O protesto, “Farofada no TJ,” foi convocado pelas redes sociais.
O evento foi criado pelo universitário Lucas Lima, 22 anos, na tarde de terça-feira. A intenção é protestar contra a falta de educação do proprietário do estabelecimento e falar sobre a liberdade de uso do espaço público. “É uma forma de protesto educativo, pois todo mundo é igual e a praia é de todos, independente de classe social, e todos têm que ser respeitados”, discursa.

Bombou
Menos de uma hora depois da criação do evento no Facebook, já havia 200 pessoas confirmadas. Em menos de 24 horas foram mais de oito mil. Ontem à noite, já estavam em 11 mil confirmações e outras 5,6 mil intenções de participação. “Quando vi que chegou nessa proporção até fiquei com medo”, comenta Lucas.
Lucas até faz um apelo. “A única coisa que peço é que o pessoal que for lá não tenha a mesma conduta que ele (o proprietário). Que seja um evento em paz, de respeito e que não aconteça mal a ninguém”, pondera.
A ideia é fazer uma espécie de ocupação ao estilo “farofeiro”. “Vamos levar isopor com bebidas e comida e ficar lá, pegar um sol”, explica. Caso chova o evento será transferido para o outro sábado.

Entenda o rolo
O bafão envolveu a internauta Mariana Bessani, um garçom e o dono do restaurante e bar TJ’s Beach House.
Segundo a publicação feita por Mariana no Facebook, ela e outras cinco amigas foram até a praia e pediram para usar o guarda-sol disponibilizado pelo estabelecimento. Mas o garçom teria dito que o material era exclusivo dos clientes, ou seja, de quem consome no bar.
Mariana e as amigas estavam com um isopor com bebidas e disseram que queriam comer alguma coisa do restaurante. Mas não teve jeito. A internauta diz que o garçom foi extremamente maleducado.
Indignada com a falta de respeito, Mariana publicou a reclamação no Facebook. A resposta do dono do comércio foi o que gerou a polêmica. Tim xingou Mariana e passou a perseguí-la nas redes sociais. Chinelona, escrota, farofeira, jacu e uma sugestão para ela “voltar para o mato” foram algumas das agressões que o cara fez à mpça.
Em poucos minutos o caso tomou conta das redes sociais. A publicação foi compartilhada mais de mil vezes, quase cinco mil pessoas curtiram as postagens e teve mais de 1500 comentários. Uma banda de rock, com apresentação marcada no TJ’s, chegou a desmarcar o show. Tim Jones também fez uma postagem que parece incitar o preconceito racial. “Tua turminha de praia”, escreveu numa postagem endereçada à Mariana, com uma foto em que aparecem cinco rapazes negros. Mariana disse ao DIARINHO que prefere não se manifestar sobre o caso.

Promotor já denunciou o caso
O caso chegou ao ministério Público de Itajaí. Quem encaminhou a denúncia foi o promotor Rosan da Rocha, de Balneário Camboriú. Mas a assessoria da promotoria de Itajaí já informou que o caso deve ser levado ao ministério Público Federal, já que a areia da praia é terra da União.
Para o promotor, nenhum estabelecimento pode condicionar o uso de cadeiras e guarda-sóis ao consumo. “Se o estabelecimento disponibiliza esse equipamento na praia, ele não pode condicionar o uso ao consumo. Se o bar tem o guarda-sol e monta quando o cliente pede até pode”, explicou.
Em Itajaí, existe uma instrução normativa que regula a ocupação das areias da praia.
Francisco Carlos do Nascimento, diretor de projetos ambientais e recursos naturais da Famai, informou que os restaurantes e bares da Brava podem montar uma pequena quantidade de guarda-sóis e cadeiras na areia e depois montar outros conforme a demanda.
Mas o uso destes equipamentos não pode ser cobrado e nem ser exigido que a pessoa consuma no bar ou restaurante.
Ainda pela regra, o estabelecimento não pode ocupar área de restinga, deve instalar lixeiras e limpar a praia. “A gente permite o uso da faixa de areia porque traz benefícios para a cidade. São cerca de 100 empregos gerados nessa época do ano por causa do atendimento na areia. Atrai o turista, se torna um conforto a mais”, comentou Francisco.
Mas o diretor da Famai avisou que, se rolar há abuso, a liberação do espaço pode ser cortada. “A partir do momento que se coloca o equipamento na praia é como se fosse uma praça, está ciente que é uma área pública, a pessoa pode usufruir, mesmo que traga o seu isopor”, afirmou.

Como denunciar
Se os bares da orla não cumprirem a norma, devem ser denunciados. A denúncia pode ser feita à Famai pelo telefone 3348-8031 ou pelo e-mail famai@itajai.sc.gov.br. Também pode ser feita à secretaria de Urbanismo, pelo telefone 3341-6173. O atendimento rola em dias de semana.

Comerciante admite que errou
Tim Jones, 50 anos, admite que errou ao xingar a cliente nas redes sociais. “Eu tava num dia ruim, não devia ter dado mais ênfase. Por isso tô reconhecendo meu erro e vou me retratar pessoalmente com a pessoa”, afirmou Tim ao DIARINHO. Ele também disse que pretende publicar uma nota no Facebook.
Tim admite que usou a expressão farofeira. “Só falei porque é um jargão conhecido, mas não tenho preconceito,” garante. Ele argumentou que Mariana também o xingou pelas redes sociais, mas não disse quais palavras ela usou. “Eu tenho tudo aqui nos prints”, afirmou.
Sobre o dia em que Mariana diz ter sido mal atendida, Tim explicou que o garçom estava apenas repassando as orientações do estabelecimento. Segundo ele, o restaurante possui guarda-sóis, cadeiras, mesas, banheiro e ducha e essa estrutura é disponibilizada apenas aos clientes. Ele conta que são montados alguns guarda-sóis com cadeiras na faixa de areia antes de serem usados e o restante é montado conforme a demanda.
“Não é justo a pessoa vir com seu isopor, não trazer o guarda-sol e ainda usufruir da nossa ducha, banheiro e deixar lixo na praia”, alfinetou. “Elas falaram que iam consumir, mas era apenas uma possibilidade”, acrescentou.
O TJ’s existe há três anos na praia Brava e, segundo Tim, nunca teve reclamações. Sobre a polêmica nas redes sociais ele reconhece que poderia ter evitado, mas entende a revolta das pessoas. “Hoje em dia as pessoas usam a internet pra extravasar as suas emoções”, comentou, admitindo que agiu da mesma maneira.

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