Home Notícias Quentinhas “Não cobramos entrada em nenhuma atração da Vila da Regata. Foi pioneiro num evento internacional”

“Não cobramos entrada em nenhuma atração da Vila da Regata. Foi pioneiro num evento internacional”

A Volvo Ocean Race, maior regata oceânica do mundo, chega a 12ª edição. As equipes Team SCA, Abu Dhabi Ocean Racing, Dongfeng Race Team, Team Brunel, Team Alvimedica, Mapfre e Team Vestas Wind são as participantes da VOR 2014/2015 e partiram de Alicante, na Espanha, em outubro do ano passado. A linha de chegada é a cidade de Gotenburgo, na Suécia. Mas até chegar lá, as embarcações vão passar por outras oitos cidades espalhadas pelo mundo, incluindo Itajaí, que está novamente na rota da VOR. As equipes devem aportar em águas peixeiras a partir do dia 3 de abril e permanecem até o dia 19 do mesmo mês. Pra falar um pouco do que vai rolar durante a Stopover Itajaí, as jornalistas Fernanda Vieira e Fernanda Silvestrin conversaram com o engenheiro executivo do Comitê Central Organizador, João Luiz Demantova. Ele falou sobre o investimento feito pela prefeitura de Itajaí, sobre o que o público pode esperar desta edição, sobre aas atrações disponíveis e totalmente grátis e as ações de sustentabilidade da Stopover Itajaí. Tudo isso você acompanha no Entrevistão desta semana. Os cliques são do fotógrafo Elton Damásio.

“Falando em termos de investimento, a Volvo Ocean Race está dando um retorno de mídia incalculável para Itajaí”

Raio X
Nome: João Luiz Demantova
Naturalidade: Curitiba/PR
Idade: 50 anos
Estado Civil: Divorciado
Filhos: Três
Formação: Engenheiro Civil
Trajetória Profissional: Formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná. Implantou uma construtora em Balneário Piçarras, em 1996. Depois foi convidado para trabalhar na administração de Balneário Piçarras. Assumiu os cargos de secretário de Obras e de Turismo e assessor de projetos especiais. Após trabalhar na prefeitura de Balneário Piçarras, montou um escritório de consultoria aos municípios. De 2003 a 2008, trabalhou na associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí (Amfri). Desde 2011 ocupa o cargo de Secretário Executivo do Comitê Organizador da Volvo Ocean Race.

DIARINHO – Itajaí foi uma das paradas (Stopovers) da Volvo Ocean Race 2011/2012 que ficou famosa pela recepção calorosa e organizada. O público total que visitou a Vila da Regata passou de 330 mil pessoas. Qual a expectativa para a parada que acontece no mês de abril?
João Luiz Demantova – Primeiro, só um esclarecimento. Na realidade, dentro da Vila da Regata, na edição de 2012, nós tivemos 282 mil pessoas. E tivemos um público estimado de 50 mil pessoas nos molhes para o acompanhamento das regatas e largadas, o que totalizou 330 mil pessoas. Nós temos uma estimativa agora, para esta edição, a nossa meta, é colocar na Vila da Regata 350 mil pessoas e mais 50 mil no último fim de semana, na corrida dos molhes de Itajaí e Navegantes, o que totalizaria em torno de 400 mil pessoas no evento. Essa é a nossa meta. [É um público bem eclético…] É sempre bom lembrar que esses eventos náuticos de Itajaí são embasados por dois pilares, que é o pilar da sustentabilidade e o pilar da inclusão social. O pilar da inclusão social, que é o meu preferido, e que eu vejo que é o grande sucesso desses eventos, permite que todas as atrações sejam totalmente franqueadas ao público. Isso para poder garantir o acesso de todas as classes sociais e de todo tipo de público dentro da Vila da Regata. Nós não cobramos entrada e não cobramos nenhuma atração. Isso foi pioneiro em Santa Catarina, em um evento deste porte, de nível internacional, e foi um sucesso absoluto. É a garantia desse público eclético. Nós tínhamos jovens, nós tínhamos famílias, nós tínhamos a população de todas as classes econômicas e sociais representadas e presentes dentro da Vila da Regata e nos molhes.

DIARINHO – A previsão é que os veleiros comecem a chegar no dia 3 de abril, véspera do feriado de Páscoa. As embarcações e as equipes devem permanecer em águas peixeiras até o dia 19 do mesmo mês. Além dos barcos e do pessoal que participa da Volvo Ocean Race, quais são os atrativos que o público local pode esperar durante estes 17 dias? Quais serão as atrações?
João Luiz – A primeira é a 12ª edição da Volvo Ocean Race. Esta é uma das atrações. A segunda atração é a Feira World Business Show, que ocorre dentro do Centreventos. É uma feira de negócios multisetoriais voltados para promover as empresas de Santa Catarina. E o terceiro evento nós vamos ter uma mostra artística. A primeira edição de uma mostra artística cultural de Itajaí. Então, essas são as grandes atrações. Como oferecimento de opções de lazer e entretenimento ao público dentro dessas três atrações, nós teremos shows musicais, palestras, gastronomia, um programa muito forte gastronômico, além de atividades náuticas e desportivas. A Volvo Ocean Race traz para cá diversos equipamentos que são próprios para entretenimento do público. Os pavilhões das equipes que vem, têm uma interatividade muito grande com o público que frequenta a regata. Então, todos esses pavilhões, têm uma área aberta ao público e nesta área existem vários brinquedos interativos, como simuladores de caminhões, enfim, uma gama de atividades. Nós teremos também uma atração que nós estamos repetindo, que tivemos na Aventura pelos Mares do Mundo, na primeira edição, que foi a Marejópolis, voltada exclusivamente para o público infantil. Uma atração que tem muita participação. Nós temos também um pavilhão especial do Sesc com brinquedos lúdicos e jogos para crianças. Nós temos a presença do instituto Caracol que fará uma série de atividades, também infantis, com teatrinhos e contação de histórias. Além das corridas, das regatas, que são a Pro Am e a In Port Race e a largada no último fim de semana. [E os shows nacionais?] Vamos anunciar a programação definitiva no próximo dia 10, no auditório do Centreventos.

DIARINHO – O investimento pra trazer a Volvo pra Itajaí é de quantos milhões? A cidade consegue ter um retorno efetivo deste investimento? Quais setores da economia são beneficiados com a Stopover Itajaí?
João Luiz – É muito interessante e legal falar disso. É importante a gente mostrar que esses eventos náuticos, quando a administração municipal, através do prefeito, criou este programa, o objetivo de todos esses eventos que acontecem é tornar Itajaí um polo náutico de reconhecimento internacional. O caminho que a gente pensou há quatro anos, foi justamente o da Volvo Ocean Race, porque a Volvo Ocean Race? Porque ela é a maior regata oceânica do mundo. Ela é considerada a fórmula 1 dos mares. Exatamente como se fosse um circuito anual de fórmula 1 que tem as suas etapas, a mesma coisa acontece com a Volvo Ocean Race. Então é uma regata de visibilidade mundial muito grande. E o sucesso foi tão grande desse investimento, que Itajaí começou a colher imediatamente os frutos. Porque vários outros eventos internacionais começaram a procurar Itajaí para ter a cidade como sede. Isso dado o sucesso que aconteceu na Volvo Ocean Race. E na esteira veio a regata Jacques Vabre, agora a volta da Volvo, provavelmente a volta da Jacques Vabre, agora em dezembro deste ano, e vários outros eventos que temos prospectado. Então, falando em termos de investimento, só a projeção internacional que Itajaí teve, está comparada em pé de igualdade com cidades como Auckland, que é capital da Nova Zelândia, cidades como Lisboa, Miami, na edição passada, agora este ano é em Newport, nos Estados Unidos. Isso já coloca Itajaí numa projeção, dando um retorno de mídia que, para a cidade, é incalculável. Na edição passada a gente contratou a PWC, que é das maiores consultoras do mundo, pra fazer um estudo sobre o impacto econômico que o evento teve em Itajaí, Santa Catarina e no Brasil. O investimento feito na edição passada foi de R$ 8,5 milhões. Nós tivemos um orçamento de um investimento para este ano de R$ 9,1 milhões. É o que a gente pretende gastar para montar todo o evento. O retorno ocorrido na edição passada foi de R$ 45 milhões. Isso de impacto direto no estado e no município de Itajaí. Para um investimento de R$ 8,5 milhões, há um retorno financeiro pros setores de R$ 45 milhões. A gente tem uma expectativa que esses R$ 9,1 milhões investidos agora nesta edição, vão trazer um retorno, um impacto econômico para Santa Catarina superior a R$ 65 milhões. Essa é nossa estimativa. Então isso mostra de uma maneira clara, que esse evento não é uma despesa, ele é realmente um investimento. Tanto é que o estado de Santa Catarina é o nosso apoiador. Apoiou a primeira regata, apoiou a Jaques Vabre e está apoiando a Volvo Ocean Race novamente.

DIARINHO – Uma das expectativas era que a marina de Itajaí ficasse pronta, ainda que parcialmente, a tempo do evento. A obra atrasou? Qual a previsão do funcionamento da marina ?
João Luiz – Sim. Na realidade, veja bem, nós tínhamos uma previsão de utilização parcial da estrutura da marina para os eventos náuticos de Itajaí, isso através de um acordo que a gente tem com a marina. Isso vai ser cumprido. Nós estaremos utilizando a parte da marina que estará pronta, já com dois flutuantes instalados. A Volvo Ocean Race vai utilizar parte da estrutura para encostar os barcos de serviço dentro da marina, se tudo correr dentro do cronograma, dentro desse prazo de 30 dias. Agora, com relação a abertura completa da marina, eu não tenho essa informação.

DIARINHO – Além de pensar na diversão dos visitantes, qual a preocupação dos organizadores para que as equipes participantes também fiquem satisfeitas com a estrutura oferecida por Itajaí?
João Luiz – Bom, um evento como a Volvo Ocean Race é extremamente complexo. Particularmente, a Volvo tem toda uma base de planejamento de origem sueca. Realmente, eles tem um nível de organização, de detalhamento e de planejamento muito grandes. Então, a gente tem que pensar em vários detalhes. O caderno de encargos que a gente assina no contrato deve dar umas 250 páginas de orientações a serem seguidas. A gente procura fazê-lo certinho, dentro do que tá especificado. O grande diferencial que nós tivemos na edição passada, que surpreendeu a Volvo Ocean Race, e que foi fator decisivo para o retorno da parada a Itajaí, foi a questão da forma como a cidade recebeu a regata. A receptividade. Esse evento só tem sucesso se há participação popular. Então, na realidade, toda a cidade abraçou o evento com orgulho, como se fosse um evento de Itajaí. Isso teve um impacto muito grande dentro da Volvo Ocean Race. Todos os velejadores, os depoimentos dos skippers, os capitães dos barcos, sempre foram nesse sentido, que eles ficaram impressionados com a hospitalidade de Itajaí, o calor humano da população, da proximidade com a festa que foi feita. Além de tudo, evidentemente, o elogio da Volvo com relação à organização, estrutura. Então, tudo isso faz parte do contexto, mas sem dúvida nenhuma o evento só teve o sucesso que teve na edição passada, devido a essa receptividade da população de Itajaí. É o ponto de descanso, de encontro, voltado para os velejadores. Mas não é uma estrutura local nossa, tá dentro desses equipamentos que vem junto na Volvo Ocean Race. Depois, evidentemente, a gente faz vários programas aqui com eles. Depende da chegada e da disponibilidade deles, porque eles passam 20 dias, em média no mar, velejando em condições duríssimas de sobrevivência e superação, e quando eles chegam aqui, quando a família não vem para recebê-los, normalmente eles voltam para suas cidades para rever as famílias. Na edição passada, a gente teve várias visitas desses velejadores nas nossas entidades sociais, asilos, escolas. Eles fazem questão de estarem próximos da população também. São grandes ídolos mundiais. Nós temos diversos medalhistas olímpicos. O topo do esporte de vela está nessa regata.

DIARINHO – Durante a edição anterior da Volvo, Itajaí mostrou que sustentabilidade e aventura podem andar juntas em um evento de grande porte. A Itajaí Stopover foi eleita a melhor parada sustentável da Volvo Ocean Race. As ações de sustentabilidade envolveram a limpeza de rios e praias da cidade, a reciclagem dos materiais descartados durante o evento, exposições, artes plásticas e atividades com estudantes. O que está programado no quesito sustentabilidade para esta edição?
João Luiz – Muito bem lembrado. A Volvo não costuma fazer premiação dos Stopovers, ela não faz comparativos entre as paradas, é uma estratégia de negócio deles. O programa de sustentabilidade apresentado para a Volvo Ocean Race, na edição passada, chamou tanto a atenção que eles fizeram questão de criar um prêmio comparando a sustentabilidade e esse prêmio veio para Itajaí, por excelência do projeto que foi apresentado. Este ano, nós estamos aumentando um pouco o projeto, temos grandes novidades, depois será apresentado na íntegra. O que eu posso adiantar é que ele terá um local próprio dentro da própria Vila da Regata. Teremos uma área de sustentabilidade, com vários atrativos ao público. Exposições, a questão da educação ambiental estará presente dentro da vila. Também teremos agora, se não me engano, dia 21, preciso confirmar essa data, de novo o Juntos Pelo Rio e, este ano, em virtude da questão da dengue, será Juntos Pelo Rio e Unidos Contra a Dengue. É um programa bem bacana porque essa limpeza que é feita nos rios surgiu na primeira Volvo, em 2012, continuou em 2013 e 2014 e, agora, está indo para a sua quarta edição. Então a gente pode já dizer que isso foi um legado que a corrida deixou para Itajaí. As pessoas se reúnem, limpam as margens, limpam os molhes e isso também acaba contribuindo muito nessa questão da dengue, da prevenção. Retira o lixo, pneus, água acumulada, esse tipo de coisa nesses pontos.

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