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“Na Europa ninguém é processado por causa de uma piada”

Os mais de 20 milhões de acessos no seu canal de vídeos na internet, a experiência com monstros sagrados do humor como Agildo Ribeiro, Jorge Dória e Chico Anysio, as personagens que evidenciam sua capacidade de se multifacetar para fazer rir, as dezenas de prêmios nos festivais de humor da TV paga que o alçaram ao sucesso ou ainda a parceria com a imprevisível e performática Luciana Gimenez compõem um pouco do que é Diogo Portugal, mas assim, falam muito pouco desse humorista da nova geração.
Focado no que faz, Diogo é o cara que busca ficar de olho nas situações do cotidiano para dali fazer verter a comédia, dali executar a crítica ácida e mordaz que faz rir, tão comum dos modernos humoristas do stand up.
Sem medo de censuras ou processos, o humorista que saiu de Curitiba para ganhar o Brasil foi o centro da polêmica envolvendo o empresário de Itajaí flagrado nas redes sociais convidando duas moças para uma, digamos, tórrida aventura sexual. E não ficou nisso em seu show, na semana passada: fez piada também com a prisão do vereador itajaiense enrolado numa penca de bandalheiras. É esse o Diogo Portugal que o leitor vai conhecer um pouco mais neste Entrevistão do jornalista Juvan Neto, com fotos e vídeos de Elton Damásio.

Raio X
Nome: Diogo Portugal
Idade: 46 anos
Naturalidade: Curitiba, PR
Estado civil: Casado
Filhos: uma menina
Trajetória: vencedor do Prêmio Multishow do Bom Humor Brasileiro em 1996. Em 2004, Diogo já era considerado “microcelebridade local” em Curitiba e seus personagens foram ficando conhecidos . Seu office-boy Elvisley lhe rendeu o contrato com a TV Globo para compor o elenco do programa Zorra Total em 2009. Fundador do festival Risorama de Curitiba, e curador do Risadaria de São Paulo. Atualmente, é o humorista que divide a cena com Luciana Gimenez no “Luciana By Night” da RedeTV!.

“Cá entre nós, quem nunca fez merda, né, cara? A questão é a merda dele virou um meme!” – sobre a situação envolvendo o empresário de Itajaí gravado convidando duas moças pra um programa

DIARINHO – Em primeiro lugar, é um prazer entrevistar um humorista bem-sucedido no eixo Rio-São Paulo e que é sulista, porque nesse meio só dá cearense, né?
Diogo Portugal – É verdade. E quando eu comecei isso era muito mais forte, essa coisa do Ceará. E com o tempo a gente começou a trabalhar essa coisa da comédia da cara limpa, essa coisa mais diferenciada aqui do sul… [Mas o humorista cearense, nordestino, não é necessariamente o do stand up, não é? Ele é o mais clássico]. Verdade. É um humor mais tradicional, da imitação, do escracho. Mas eu gosto muito também, e o stand up é uma forma um pouco mais refinada de comédia, porque é um humor de observações, de cotidiano, essas coisas. [Mas você também transita entre a cara limpa e os personagens, não é? Você também tem a coisa do personagem, que se assemelha ao Chico Anysio…] Verdade, aqui em Itajaí, meu show anterior foi o “Portugal é Aqui”, em que são seis personagens que eu faço. Aí tem o porteiro Eldiomar, tem o Elvisley, que é o officeboy, tem o lutador que é o Bomba, a manicure manezinha, a Pâmela, uma ex-prostituta e tal. Eu gosto muito de fazer. [Mas você prefere o stand up?] Não necessariamente. Mas o stand up é na verdade um gênero de humor que pensavam que era uma moda, mas que pegou, veio e ficou.

DIARINHO – Bem, Diogo: você fez piada com o empresário aqui da região, um milionário envolvido num bafão que movimentou Itajaí e estourou na rede social.
Diogo Portugal – (Risos) Olha, a piada que eu fiz foi mais com o meme gerado do que com a pessoa. Cá entre nós, quem nunca fez merda, né, cara? Todo mundo faz merda! A questão é a merda dele virou um meme. Só se falava disso em Itajaí, em Brusque, aí eu falei pô, vou falar disso! [Alguém imitou o Sterblitch, o “Poderoso Castiga” do Pânico, também envolvendo o empresário, né?] É, eu ouvi a imitação do cara, tirando sarro do menino lá, o namorado, a vítima (risos fortes), a vítima (mais risos). [E como você consegue ficar por dentro dos assuntos das cidades onde você está, e transformar em piada?] Ah, perguntando pra você, por exemplo (risos). O que tá acontecendo aí? Às vezes chego na cidade e não tá acontecendo nada. Mas é muito melhor quando tem coisas acontecendo. O diferencial que eu criei do meu show e que já há humorista imitando, obviamente, é que eu procuro me aproximar do lugar. Se eu falar de alguma coisa que está no universo delas é legal. Eu uso essa técnica para show para empresas também. Às vezes erro também. Não consigo tocar a plateia. [Você chama isso de “piadas-lixo”, né? As que não funcionam… Você faz piada com a piada que não deu certo…] Isso. Eu solto um tema, faço a piada, não dá certo, e faço as piadas-lixo do tema.

DIARINHO – Voltando à questão do empresário de Itajaí: o advogado dele falou em processo, ameaçou te processar. Como você lida com isso? Nós vimos o vídeo e conferimos que você não cita nomes na piada…
Diogo Portugal – Da melhor forma. Eu não me preocupo com isso, pois faz parte do meu trabalho. Processos e tudo. Não é uma coisa que eu fico pensando “meu Deus, eles querem entrar com uma ação!…”. De certa forma, às vezes até tento fazer uma piada que eu envolva a pessoa para que ela veja que ela significa alguma coisa. Porque se a pessoa é nada, é um merda, ninguém fala. Aqui em Itajaí, porque está gerando uma polêmica? Porque o empresário que convidou as meninas pro programa é uma personalidade, tem notoriedade. Se fosse uma pessoa simples que não significasse porra nenhuma, não rolava. Pô, toma como um elogio! [E olha, preparar um programinha na terceira idade, uma situação dessas…] Pois é! O que importa é a maneira como eu vou falar. Não tenho nada contra esse empresário, muito pelo contrário, agora sou fã dele. Quero eu chegar lá na terceira idade fodendo desse jeito! (muitos risos).

DIARINHO – Há muitos humoristas hoje optando por um ativismo político, seja à esquerda, seja à direita. Temos posicionamentos do Gregório Duvivier, mais à esquerda, e do Danilo Gentili, à direita. O que você acha desse ativismo? O posicionamento político do humorista não pode afastar uma parcela de público que não concorda com a visão dele?
Diogo Portugal – Eu não tenho uma posição política muito formada. Mas sou extremamente crítico. Quando eu vejo alguns posicionamentos do Gregório, quando ele fala bem do PT, ele vê e pega o lado bom da melancia, e esquece totalmente o lado podre; o Danilo também: ele bate apenas no lado podre, que a gente tá vivendo. Com todo o respeito pelo Gregório, acho ele sensacional e é um dos melhores do Brasil na atualidade, mas com toda a sinceridade: se a Dilma pedisse a conta hoje, o Brasil estava melhor. Realmente, ela está prejudicando o país, e veio toda essa coisa da Lava Jato. Mas se não tem a Lava Jato, onde ia parar isso? Então eu sou fã do juiz Sergio Moro, lá de Curitiba, e inclusive quero tirar uma foto com ele enquanto ele tá vivo (risos). [Alguns críticos desse juiz lembram que o Moro não condenou o PSDB na ação do Banestado, que julga mais impiedosamente o PT do que os tucanos] Pode ser que sim, mas não se não tiver um Sérgio Moro é pior, pois nessa limpa quem tá devendo vai cair. Político é político, cara! Os caras fazem merda e não importa se é do PMDB, do PT, do PSDB. O que acho que deve ser feito: uma amenização da merda! Vamos botar alguém na cadeia pra ver se esse país muda! Bicho, o Brasil é um país trabalhador, um bocado de gente que paga imposto, trabalha pra c…, não é justo acontecer tanta merda. Agora, se o humorista escolhe fazer essa linha à esquerda, ou aquela à direita, nenhuma delas é a minha linha. A minha é o assunto do momento, no dia, na hora e na notícia. Não levanto nenhuma bandeira. Mas viralizei um vídeo de manifestação contra a Dilma, foi uma forma de manifestar com piadas, meti o pau, falei um monte de bosta. E o Richa lá no Paraná tá outra merda, e hoje o sonho do professor do Paraná é não apanhar da polícia (risos). O Álvaro Dias também botou cavalo contra os professores e agora foi o primeiro a criticar… eu gosto do Álvaro Dias, acho um cara ético, mas sabe, é política, né cara. [O Álvaro Dias tem uma fama oposta à do empresário comilão itajaiense, né?] (muitos risos).

DIARINHO – Você é um humorista que desponta em Curitiba. Porque é rara a inserção de valores do humor aqui no sul? Seja com o stand up ou no humor convencional, enquanto o Ceará exporta tanta gente?
Diogo Portugal – Eu acho que é uma facilidade de linguagem que o nordestino tem, como se a piada do nordestino, do cearense, fosse engraçada antes dele falar; “ei macho”, “ei aí”, já é engraçado. Eles têm uma coisa deles, a comunicação do cearense é mais engraçada. Já o sulista é introspectivo. A gente é meio londrino, acho que é o frio. Mas estão surgindo novos nomes da comédia no sul. Um dos grupos que eu mais gosto é o Galo Frito, que é aqui de Balneário Camboriú. [E tem o Muriel do Dazaranha, com as aventuras do Darci] Eu gosto muito do Darci, sou fã do Muriel, acho ele sensacional, inclusive estou fazendo uma série chamada “Portugal descobriu o Brasil”, e precisei escolher um comediante em cada lugar, e eu escolhi ele. Ficou muito legal. [Você acabou respondendo a seguinte pergunta, sobre com é tirar sarro do sulista, do curitibano sisudo…] Do curitibano eu tiro sarro com muita propriedade, porque sou de lá. Curitiba é uma cidade que não pode ser médium, porque ela não recebe ninguém (risos). E ainda falam que o curitibano é muito fechado, já o gaúcho é mais aberto! (risos).

DIARINHO – E você foi um dos primeiros a tirar sarro do sotaque manezinho, que é próximo do nosso sotaque peixeiro, não é?
Diogo Portugal – Eu digo que o manezinho fala e o peixeiro repete né? “Tu visse, tu visse”, “ó a galega, ó a galega”. “Qui côsa maix quirida” (risos). [Mas nós temos nossas variantes locais de sotaque… E sobre a sua personagem manicure Catarina, ou Marlene, o que você diria?] A Catarina, ela é uma catarinense não sei de que lugar, eu digo que ela é da Palhoça, eu tenho muitas piadas com a Palhoça (risos). Fiz uma historinha que ela foi a primeira namorada do Guga, que ela ensinou ele a dar as primeiras raquetadas e acabou que o Guga curtiu pra caramba (risos). [E você conhecia nosso sotaque de onde?] Eu tenho familiares aqui em Santa Catarina. Meu avô tinha terras no pé da serra, em Anitápolis. Ali passei toda minha infância, visitando cachoeira, subindo em árvores, putz só bagunça. Tenho muito carinho por Santa Catarina. Eu não via hora de começar as férias para passar dois meses em Anitápolis. Infância como a maioria ninguém teve. Minha filha sabe o que é um I-pad mas não sabe o que é subir no pé de uma fruta chamada ingá. E o sotaque? Era das minhas primas, uma morava em Floripa, outra morava aqui em Itajaí, e outra morava onde mesmo? Ah, na Palhoça (risos).

DIARINHO – A figura do humorista tem sido requisitada como figurante nos talk shows, embora o Danilo seja protagonista de um, mas emprega outros humoristas coadjuvantes. Você está com a Luciana Gimenez, no By Night. O que é melhor nesses programas? Ser o coadjuvante ou o protagonista?
Diogo Portugal – Eu estou no Bi Night, mas a diferença com o Gentili é que lá no programa da Luciana eu sou o roteirista sozinho (risos). O melhor é ser o protagonista, mas isso não é fácil, pois veja o Rafinha Bastos: um humorista expressivo, mas o programa dele caiu. Tem que ter um conjunto de coisas, estar numa boa emissora. Eu adoraria ter um talk show meu, mas acredito que no momento há muitos no ar. Então tento trabalhar em outras vertentes. [No caso da Luciana Gimenez, vocês têm uma parceria legal, um jogo de cena legal e ela tem o timing da entrevista] Sim, é isso, mas o legal é que Luciana é muito bem-humorada, mas mesmo assim, não gosta de fazer piadas ácidas. Aí eu entro. Ela não gosta de zoar a Dilma, a Preta Gil, então eu faço, pra fazer sacanagem deixa comigo. E muita gente diz que a Luciana tem fama de burra, e aí eu respondo: “Ah, é! Teve um filho do Mick Jagger, mais tarde casou com o dono da emissora… burra é a minha mulher, que casou comigo! (risos). Bem, eu toco ainda o “Fritada”, que é um projeto muito ácido que eu faço no Multishow. Mas a internet é também meu grande público, onde eu posto meus vídeos.

DIARINHO – Falando em stand up, o humor da internet é politicamente incorreto, não é? É agressivo, praticamente não tem limites…
Diogo Portugal – Não necessariamente ele é agressivo. Depende da situação. Tem coisas bobas que eu faço na internet… E nem sempre o alvo é uma pessoa. Mas não tem muita regra, o humor não tem direção, vai com o vento, vai contra o vento. [Mas a gente vê por exemplo o Porta dos Fundos, que é polêmico] Mas o Porta dos Fundos é uma grande revolução na internet. Eu vi os caras nascerem no Rio de Janeiro, sou amigo de todos eles. Foi uma junção de bons comediantes com um cara com muita força na internet, que é o Kibeloco [O Antônio Tabet, né?] Sim. Se juntaram e foi um sucesso estrondoso. Se você for analisar, foi uma coisa necessária para o humor brasileiro o Porta dos Fundos. Ele fez que a TV aberta começasse a se mexer. “Pô, os caras tão roubando nossa audiência”. Ou seja, eles provaram pro mundo que existe uma vida fora da televisão. E isso é muito legal: a gente acordar no mundo de hoje e falar à TV: caralho, chupa Globo! Vocês não são mais a hegemonia do mercado! Não são só vocês! Vocês continuam sendo a Globo, a televisão continua sendo a televisão. Mas surgem as webcelebrities, né? E tá cada vez mais difícil de entender a cabeça da molecada. Eu tenho visto os novos sucessos, esses youtubers, né, todo mundo viciado na internet. E são vídeos toscos, assim, e eles caem na graça. A gente tem que acompanhar isso.

DIARINHO – Diogo, você não teme que essa indústria do dano moral engesse esse humor novo? Porque vimos você, por exemplo, fazendo a piada com a perna de pau de nosso cantor mais famoso…
Diogo Portugal – (risos) Cara, na Europa isso não acontece, de a gente ser processado por uma piada. No Brasil acontece mais. Sou totalmente contra, por exemplo, o caso do processo do Rafinha com a Vanessa Camargo. Ele perdeu e ele pagou, mas é só uma piada, cara! [Existe tabu no stand up ou vale tudo mesmo? Tu tens os teus limites?] Existe uma coisa chamada coerência. Se a piada não for tão engraçada e o assunto é gratuito, fica que nem cachaça ruim. Já um assunto sobre câncer, sobre Aids, pô, às vezes fica uma piada engraçada. Tem que ter uma genialidade aí. Um humorista que consegue pegar um assunto ruim e fazer piada é genial. [Mas a piada “eu comeria ela e o bebê”, você acha isso engraçado?] Não, acho uma piada velha! Era a nova roupagem da piada sobre “qual o cúmulo da pontaria? Comer a mulher grávida e acertar o bebê”. Rainha falou na hora, de improviso, num programa de TV ao vivo! Será que ele calculou isso? Daí a ele não ter pedido desculpas, ter ido até o final, é porque ele defendeu a bandeira da categoria. E é muito da personalidade dele. Sei que o Rafinha não é fácil.

DIARINHO – Diogo, você acompanhou o Zorra Total no início, integrou o elenco, e agora, o programa foi recauchutado, renovado, juntando um pouco do pessoal do stand up, a velha guarda, mas ainda está bem mais moderado do que um programa feito para a internet. O que você tem achado? É esse o caminho da TV aberta agora?
Diogo Portugal – Acho que eles estão fazendo experiências. A maior experiência que a Globo está fazendo é pegar o pessoal que faz o maior sucesso, os Barbixas, por exemplo, grupos de humor de improviso, e fazer um programa de humor como o “Tomara que Caia”, que esse pessoal faz com genialidade, junto com os atores da Globo. Mas porque não pega direto os caras, pô? Os caras fazem bem, arrebentam no Facebook, no You Tube. [Mas o “Tomara que Caia” tá levando pau na rede social, não é?] Aí é que tá: eles estão pegando o formato da internet, jogando na TV, e dizendo “nossa, nós somos geniais”. Genial porra nenhuma! Os Barbichas se disserem que vêm pra Floripa amanhã, lotam três sessões só divulgando pelo Facebook. [Mas é legal ver o Paulo Silvino, Agildo Ribeiro, misturado com o povo novo do Zorra, né?] Cara, o Paulo Silvino tem que ter uma Meca pra ele! (risos). Pra mim, ter feito Zorra Total foi muito mais do que levar porrada da internet de gente que não gosta do humor clássico. Até hoje, qualquer piada que eu poste chega alguém e fala “ah, o Zorra Total não saiu de você!”. Como se o Zorra Total fosse um xingamento. Cara, eu gosto de piada engraçada, não importa se é Zorra, se é Praça. Se não for engraçada eu não vou achar legal. Agora, o que eu vivi no Zorra Total, estar num vestiário, num camarim, com Paulo Silvino, Agildo Ribeiro, o próprio Chico Anysio, com quem eu contracenei, o Orlando Drummond (seu Peru), Tony Tornado… as histórias do Jorge Dória, as coisas que eu escutei, isso ninguém me tira, bicho! Fiz parte disso! Agora, o Marcius Melhem está tocando o Zorra, é um cara muito inteligente, de vanguarda. O Zorra está mamando um pouco na fonte no TV Pirata, do Tá no Ar também. E um pouco de internet. A Globo, o que aconteceu, depois do Porta dos Fundos, o que resolveu? “Vamos tirar o jurídico da frente e vamos falar disso, disso e disso, de coisa que a gente não falava”. E aí apareceu o Tá no Ar. E quem se ferrou? Quem se ferrou foi o Casseta e Planeta, que viveu os últimos anos de vida numa puta ditadura, engessado, não podia falar nada, não falava de outra emissora. De repente, “Agora você pode tudo, Marcelo Adnet”. Eu gosto muito do Marcius, do Adnet, somos amigos de se encontrar. Agora, não gosto de rotular ninguém. Mas acho que as grandes emissoras devem ficar atentas pra esse novo mercado, a internet.

DIARINHO – É possível ficar rico fazendo piada?
Diogo Portugal – É possível sim. Mas tem que trabalhar muito, cara. Tem gente que tem mais sorte. Você vê uns comediantes que caem na graça mais fácil. O cara entrou no canal do Multishow e tá lotando o teatro. Mas tem muita gritaria e pouca piada. Eu não acredito disso. Acredito no que você vai construindo com o tempo. E não acredito na riqueza fácil. Os caras veem as pinga que eu tomo, mas não vê os tombo que eu levo. Já passei por muita derrota e não é qualquer fracasso que me derruba. Já tive com casa cheia, já tive casa vazia, já tive aplauso, e tive vaia. E tive desaprovação. A gente não aprende nada no elogio, na aprovação. Só aprende nas pegadas. [É muito ruim uma piada seguida de silêncio, Diogo?] É muito ruim, é desesperador (risos). É a prova que você não tá funcionando. É foda!

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