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Veleiro manezinho quase pronto

Embarcação construída por alunos e profes da UFSC já tá nos finalmentes, no Sapiens Park, na Capital Manezinha

Mariângela Franco
mariangela@diarinho.com.br

O projeto ECO (expedição Científica Oceanográfica) UFSC 60 é ambicioso, porém real. Desde o ano passado, professores e alunos da universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) estão trabalhando a mil para construir, no prazo combinado, o veleiro inédito no meio acadêmico brasileiro.
A embarcação começou a ser construída em 2010, no Inpetro (instituto do Petróleo, Gás e Energia), dentro do Sapiens Park, em Floripa. De lá o barco sai, em setembro deste ano, diretamente para o mar de Canasvieiras. Além de custar menos do que um pronto, ainda aproveita o conhecimento e a mão de obra dos estudantes e seus mestres. Quando concluído, os grupos de pesquisas científicas e tecnológicas com foco no monitoramento, conservação ambiental e engenharia submarina vão usufruir da embarcação em parceria com outras universidades, inclusive a Univali, de Itajaí.
Duas universidades brazucas têm barco à disposição dos alunos para atividades desenvolvidas ao longo dos cursos, mas nem a universidade de Rio Grande (Furg) nem a de São Paulo (USP) construíram a própria embarcação. A agência Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) entrou com R$ 1,8 milhão de recurso utilizado pra compra de equipamentos e materiais e pagamento das bolsas para alunos de graduação e pós-graduação. O veleiro manezinho vai ter capacidade de hospedar até 10 pessoas, entre pesquisadores e tripulantes, além de um laboratório.
Um dos coordenadores do projeto, Jair Carlos Dutra, contou que, em função das necessidades da empreitada, novos equipamentos tiveram que ser desenvolvidos. “As aparelhagens de solda, por exemplo, foram construídas dentro da universidade”, sigabou o professor do Laboratório de Solda, puxando brasa pra sua sardinha.
O profe revelou que grande parte do veleiro está pronta, inclusive o casco já foi desvirado, sob as lentes de cinegrafistas que divulgaram as imagens na internet. A fase agora, de acordo com o professor, é de montagem do convés e dos móveis.

Detalhes do veleiro
Especialmente criado para expedições científicas oceanográficas, o veleiro de 60 pés (18,6 metros) possui algumas características que o fazem diferente, como a quilha retrátil, que vai permitir navegação em águas rasas, mangues e estuários de rios. O casco é feito em alumínio naval, e o interior é composto por fibra de vidro. O barcão é de propulsão híbrida, diesel/elétrica, o que além de permitir navegação sem ruído, vai aumentar em até cerca de duas vezes a autonomia. Por enquanto, a motorização do veleiro é a convencional, até que alguma boa alma se disponha a patrocinar o sistema híbrido.
O projeto básico foi concebido pelos arquitetos navais Olivier Petit e Nicholas Berthelot, do Atelier d’Architecture Navale, com sede em Marseille, na França. A ideia do barco foi tema da dissertação de mestrado do aluno de Engenharia Mecânica Cleber Marques, que continua no projeto, agora como doutorando. Andrea Piga, também aluna de doutorado, adaptou-o aos objetivos do projeto.

Viagens programadas
Quando for levado ao mar, o veleiro vai fazer uma expedição na reserva do Arvoredo, ao norte da Capital Manezinha. Um dos objetivos é avaliar o impacto das plataformas de petróleo que ficam a 90 milhas do local. “Serão analisados diversos aspectos, como impacto ambiental, poluição e biodiversidade”, detalhou o professor Orestes Alarcon, idealizador do projeto ECO.
Mais ambiciosa é a meta de levar as equipes até os polos, especialmente a Antártica. Para que o sonho se realize totalmente, novas parcerias estão sendo firmadas para garantir os custos dos estudos no extremo Sul do planeta.

O veleiro ECO UFSC60
Comprimento: 18,6m (60 pés);
Linha d’água: 17,3m;
Largura máxima: 5,3m;
Calado: 1,4m / 4,5m (quilha retrátil);
Deslocamento (a plena carga): 35t;
Tanques de sete mil litros; quatro mil litros de combustível e três mil litros de água;
Área vélica: Vela mestra 73,4m², Mezena 25,6m², Genoa 74,8m² e vela de stail 35,8m² ;
Motoração híbrida: propulsão 150 kW com autonomia de até 6500 milhas náuticas (mn) à velocidade de três nós e média de cinco mil milhas náuticas a seis nós, com banco de baterias de 80kW, estimando a utilização de 5kW adicionais para consumo geral;
Sistema de regeneração a partir do hélice com potencial até 15kWh;
Sistema de geração solar e eólico auxiliares.

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