Home Náutica Motor do barco no banco dos réus

Motor do barco no banco dos réus

Acidente que arranca o couro cabeludo é mais frequente na região norte do país

De vez em quando se ouve, vê ou lê sobre o escalpelamento, o acidente em que mulheres e crianças ficam presas à rotação do motor do barco pelo cabelo. A situação é tão trágica que a Marinha do Brasil está doando tampas especiais para os motores para evitar que mais dramas ocorram nos rios da região amazônica.
Mas se engana quem pensa que é um problema localizado e que no sul do país algo assim não aconteceria. Se usássemos o barco com a mesma frequência que o pessoal do norte usa, certamente os números de fatalidades se aproximariam. Basta uma cabeleira longa e solta próxima do motor central do barco e está pronto o desastre. Por aqui, não se veem tantas mulheres a bordo ou homens com a melena crescida em atividades junto ao motor, mas há outra situação semelhante com o mesmo risco.
Em marinas menores, há um mecanismo elétrico que desenrola o cabo para que o barco deslize para a água e, no regresso da viagem, recolhe-o para trazer a embarcação para o seco. Se alguém de cabelos compridos se aproximar do giro do aparelho, é enrosco na certa. E esse tipo de acidente ocorre em qualquer lugar do país.
As imagens de couro cabeludo arrancado são fortes demais para não impressionar o mais duro dos corações. A Marinha do Brasil faz um trabalho de conscientização chamado “Projeto educando para evitar sofrimento”, em que mostra fotografias de mulheres e crianças feridas ou mortas dessa maneira. Só este ano, já foram registrados oficialmente quatro casos no estado do Pará, de acordo com a associação das Vítimas de Escalpelamento. O mais recente ocorreu dia 29 de julho, quando Daniela Carvalho, de 11 anos, chegou a ser atendida no hospital, mas não resistiu e morreu. Desde 2006, foram registrados 111 casos de escalpelamento, sendo 77 de crianças e 34 de adultos.
“Sentimos que ainda há muita resistência ao trabalho da Marinha, pois o barqueiro imagina que vamos apreender a embarcação, quando na verdade paramos os barcos para inspeção. Caso a embarcação não tenha o eixo, instalamos o equipamento imediatamente. Cada cobertura de eixo tem uma identificação que também já serve como um registro do barco e do proprietário”, explica o capitão dos Portos da Amazônia Oriental, Sérgio Ricardo Duarte. A Marinha tem feito operações frequentes que incluem, além da instalação do eixo, um trabalho de conscientização das populações ribeirinhas sobre o acidente, reforça o capitão dos Portos. Uma simples cobertura sobre o motor central evitaria essas histórias tristes que acontecem ainda nos dias de hoje por falta de conhecimento e de cuidado. 

Compartilhe:

Deixe uma resposta

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com