Home Colunistas Pingando nos Is Só nas “cuecas”

Só nas “cuecas”

Como esperado, pouco efeito surtiu a entrevista de Lula. O que teria um ex-presidente preso a nos ensinar? Ele e seu partido foram julgados nas urnas e ficou claro o que o povo pensa dele e do PT. Falou um monte de asneiras, como é de seu costume, e mais uma vez pôs a culpa de tudo o que aconteceu nos outros. Lula não conhece a palavra autocrítica. Aliás, não conhece nada além do próprio ego.
A confusão que presenciamos no Brasil não é inédita. Em termos de interesse nacional, seria oportuno que a mídia defendesse, abertamente, as reformas pretendidas pelo governo eleito. Que explicasse os objetivos e as consequências da falta de sucesso das iniciativas de mudança. Esclarecesse os interesses contrários e expusesse os articuladores. Não é bem isso o que ocorre.
As críticas ao governo são precipitadas para os só quatro meses de ação. As resistências, pelo menos em parte, denotam má-fé e tentativas e negociações indevidas. O Executivo não é responsável pelo comportamento do Congresso Nacional, como se divulga.
Trata-se de um noticiário de “cocada”, de baixa qualidade. É flagrante o esforço de prejudicar a imagem do presidente. Não se percebe o empenho de ajudar o país a se desvencilhar das crises e distorções que o governo herdou. A mídia também tem responsabilidades.
Entende-se e até se admite que na política deve haver um jogo de cintura, mas não se pode desconsiderar que limites devem ser respeitados.
Especialmente quando estamos passando por um momento dependendo do apoio do Congresso à aprovação da Medida Provisória que reduziu de 29 para 22 o número de ministérios, que “caducará” no dia 3 de junho e cuja aprovação tem enfrentado resistências e dificuldades opostas pela “oposição”, pois há “muitos interesses” em manter este esquadrão de ministérios ativos, com a sua infinidade de cabides de emprego, totalmente desnecessários e inúteis.
Da mesma forma, para agradar o Congresso, querem porque querem tirar o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) das mãos do ministro da Justiça e Segurança Pública (“Bolsonaro admite tirar Coaf da Justiça contra vontade de Moro”, “Estadão”, 26/4).
É impressionante como a cambada de opositores picaretas do Congresso Nacional morre de medo do ministro Sérgio Moro. Foge dele como o diabo foge da cruz. Lembrem-se que a transferência do Coaf, que estava antes da reforma administrativa sob o guarda-chuva do antigo Ministério da Fazenda, foi um dos principais pedidos de Moro para deixar a magistratura de lado e entrar no governo.
Importante também é lembrarmos que o Coaf é quem controla todas as transferências de valores (pagamentos, cheques, dinheiro, etc.) feitas no território nacional. Da sua vigilância só escapam os pagamentos em dinheiro vivo, nas “malas” e nas “cuecas”.

alvarobrand
Bacharel em Direito, mestre em Ciência Jurídica, na área de concentração em fundamentos do direito positivo, pela Univali.
Compartilhe:

Deixe uma resposta

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com