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“…qui male sputa jacit”

– Em tempos em que a sociedade brasileira está envolvida por variados debates e discussões bizantinas, deixando sua sobrevivência e consequente afirmação, como coletividade cujos membros vivem subordinados às mesmas leis ou preceitos evoco, talvez por saudosismo, os ensinamentos de infância e das preliminares escolares.
– Naqueles tempos, lá pelos idos do segundo quarto do século passado, as crianças iniciavam sua preparação para o ingresso na vida em sociedade recebendo ensinamentos de civilidade e boas maneiras, entendidas como conjunto de formalidades, de palavras e atos que os cidadãos adotam entre si para demonstrar mútuo respeito e consideração; cortesia, polidez.
– Viver em sociedade é uma arte que implica regras e comportamentos que se devem tornar tão naturais como o ar que respiramos.
– Em artigo intitulado “Civilidade – gentileza atrai gentileza”, Eduardo Diório publicou em 2008, no Jornal da Tarde (SP), o depoimento da escritora Rosana Braga, autora do livro “O Poder da Gentileza” que afirmou: “Nunca vi, nem nunca ouvi dizer, em toda a minha vida, sobre alguém que não gostasse de ser tratado com gentileza. Também nunca soube de alguém que tenha se ofendido ao ser considerado gentil”, como prova de que uma atitude de bom grado não faz mal ao ser humano: nem para quem recebe, muito menos para quem oferece tal gesto.
– Observação oportuna, pois tudo indica que agora “gentileza” se tornou sinônimo de tolice, embora preservemos a crença que a essência de nossa busca deve ser por coisas eis que, no fundo, nada mais almejamos além da felicidade, amor e prazer, que não se encontram nas coisas e sim na relação que mantemos com as pessoas.
– Ao que Maura de Albanesi, psicoterapeuta, acrescenta: “para se travar um bom relacionamento e um convívio agradável e saudável – ou seja, ser gentil – é preciso deixar de lado os preconceitos. As pessoas costumam tratar os outros a partir do seu referencial de valores e princípios, de certo e errado, de justiça ou injustiça, e assim por diante. Elas acreditam que a janela de seus olhos retrata toda a verdade em si e do mundo. O que muita gente esquece é que cada um é peça fundamental no universo, sem a qual ele jamais ficaria completo”.
– Sem discernimento fica difícil ser gentil. Na prática, tentar se colocar no lugar do outro, escutar mais e falar menos, ser paciente, justo e solidário, são atitudes simples, porém importantes para tornar-se uma pessoa mais útil perante o próximo.
– A propósito do Jean Wyllys: “Bis tergendus erit, qui male spúta jacit”. (“Quem mal cospe, duas vezes se alimpa”), não basta renunciar e se refugiar no exterior.

alvarobrand
Bacharel em Direito, mestre em Ciência Jurídica, na área de concentração em fundamentos do direito positivo, pela Univali.
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