Polícia cidadã

Acabo de ler, na internet, o artigo do sociólogo Demétrio Magnoli, publicado no jornal “A Folha de São Paulo” sob o título “Inimigos da Polícia” cuja síntese é a afirmativa de que “Policiais bandidos sempre existirão, mas a polícia bandida é fruto de seus superiores”.
Também, como é da minha praxe, leio os comentários dos leitores ao artigo em questão, cujas opiniões são endereçadas ao jornal, que os disponibiliza em seguida ao texto divulgado no site.
Assim, somente após este exercício é que avalio o cabimento, ou não da exposição de alguma opinião a respeito do assunto.
Isto posto, correto é o reconhecimento do articulista da existência de uma expressiva maioria de policiais que no cumprimento de sua missão de proteger a ordem pública e a segurança dos cidadãos o fazem com total respeito aos dispositivos legais.
Mérito, também, ao reconhecimento de que inúmeros policiais excedem o seu dever, assumindo riscos pessoais excessivos para salvar pessoas em perigo, amparam familiares durante os sequestros de um ser querido e, até mesmo, realizam partos em situações de emergência.
Merece reparo, entretanto, a ausência de um esclarecimento relativo ao fato de que, sendo a polícia uma corporação composta por milhares de pessoas bastante compreensível é a presença de indivíduos avessos às regras e regulamentos estabelecidos e, portanto, refratários à disciplina indispensável à existência do grupo.
De fato, correta é a enumeração do articulista de que são inimigos do grupo os policiais que usam sua arma “como ferramenta para burlar a lei”, chantageiam pessoas, associam-se a máfias políticas ou empresariais e praticam o arbítrio, a brutalidade gratuita e formam milícias. Esses degradam a profissão, sujam o uniforme de seus colegas e fazem esquecer os fatos heroicos.
O policial profissional sabe que o policial bandido é seu inimigo e também sabe que a polícia é o que seus comandos querem que seja, enquanto a sua orientação seguir as regras e os regulamentos para ela estabelecidos, questionando quando ocorrerem desvios, pois para isso foram instruídos e orientados na preparação que antecede ao seu ingresso na força.
É nesse aspecto, da formação intelectual exigida, é que reside o profissionalismo de qualquer agente, seja ele policial civil ou militar.
Somente com profissionalismo é que o policial obterá o respeito e impedirá que a polícia se torne objeto de temor, aversão e ódio, tão perigoso para os policiais, até mesmo quando tiverem de operar em comunidades que preferem o silêncio à cooperação ou, em casos extremos, escolhem cooperar com os criminosos.
Para encerrar, destaco a manifestação feita por um único dos quarenta leitores que comentaram o citado artigo, o policial profissional deverá levar em conta, no desempenho das suas funções, a ausência de noções de cidadania na costumeira forma de agir do povo em geral.

alvarobrand
Bacharel em Direito, mestre em Ciência Jurídica, na área de concentração em fundamentos do direito positivo, pela Univali.
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