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O país da sagrada mediocridade (2)

Repito hoje o título de um artigo aqui publicado em dezembro de 2009, ou seja há mais de 10 anos, em cujo ultimo parágrafo escrevi: “Encerro valendo-me ainda da conclusão de Mauro Chaves: “O problema maior é que o país das vacas sagradas também pode ser aquele em que se cultivam e consagram os valores permanentes da mediocridade.”
Medíocre vem do latim mediocris, medio / cris, médio! E está inserido entre o bom e o mau, o gigante e o minúsculo, a qualidade e a falta dela, a criatividade e a cópia. A palavra pode ser classificada como um adjetivo e substantivo de dois gêneros, que pode ser usado para pessoas, situações, objetos, etc. Resumindo, medíocre são coisas que não agregam muito valor, mas não prejudicam o mesmo.
Jonathan Swift, médico irlandês, escritor e amante das aventuras, autor do livro As Viagens de Gulliver, exemplifica muito bem o papel negativo do medíocre no ambiente profissional: “Quando surge um verdadeiro gênio no mundo, podemos reconhecê-lo pelo seguinte sinal: todos os medíocres conspiram contra ele”.
Os medíocres não se importam com os resultados do seu negócio, pois estão conformados com a situação atual. E aí mora o perigo, eles podem contagiar os seus gênios, conspirando através de sabotagens, críticas destrutivas, desmotivações,
Infelizmente, nós estamos educados para a mediocridade, usando esta palavra no sentido de “média” mesmo. O brasilense, vivendo na proximidade dos brasileiros está vivendo o efeito “meia boca”. Você tem uma coisa mais ou menos, você tem um relacionamento mais ou menos, você tem algumas coisas na sua vida que estão mais ou menos, você tem mais ou menos a vida que você queria “Ah, assim está bom”.
E nos acomodamos na mediocridade. É impressionante como a maioria das pessoas prefere viver no comodismo da mediocridade do que se expandir, do que tentar ultrapassar os limites.
Por sua causa somos subdesenvolvidos, analfabetos, pobres, sem saúde e educação…
A propósito, José Ingenieros (1877-1925) escreveu: “A psicologia dos homens medíocres caracteriza-se por um traço comum: a incapacidade de conceber uma perfeição, de formar um ideal. São rotineiros, honestos e mansos; pensam com a cabeça dos demais, compartilham a alheia hipocrisia moral e ajustam seu caráter às domesticidades convencionais (…). Não vivem para si mesmos, senão para o fantasma que projetam na opinião dos semelhantes. Carecem de linha; sua personalidade se borra como um traço de carvão sob o esfuminho, até desaparecer”.
Registra Ingenieros que, ao se associarem, tornam-se perigosos, pois “a força do número supre a debilidade individual: juntam-se aos milhares para oprimir quantos desdenham encadear sua mente com os grilhões da rotina” (O Homem Medíocre, Ed. Ícone, SP, 2006).
Prometo voltar ao assunto, pois: “Sempre há medíocres. São perenes. O que varia é seu prestígio e sua influência” (José Ingenieros).

alvarobrand
Bacharel em Direito, mestre em Ciência Jurídica, na área de concentração em fundamentos do direito positivo, pela Univali.
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