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Não costumam saber…

– Noticiário recente informa que um grupo de advogados está colhendo assinaturas entre filiados da OAB para pedir o impeachment do presidente da entidade, Felipe Santa Cruz, o qual, em bate-boca virtual com representantes da categoria, disse o seguinte: “Pelo menos eu sei quem é meu pai. Os filhos da puta não costumam saber…”
– A falta de classe, compreendido o termo – classe – em qualquer um de seus significados possíveis, desde a concepção de agrupamento de pessoas que praticam uma atividade, passando pelo entendimento de um grupo de integrantes de uma turma, ou partido, até o significativo de pessoa possuidora de boa educação e excelente trato social, tem caracterizado o comportamento das pessoas que pelo voto popular receberam a outorga de administrar ou representar os interesses da população gerindo-os de forma a proporcionar o bem estar coletivo, é que fez desaparecer o entendimento correto da política.
– A explicação encontra-se num processo de vulgarização iniciado ainda ao tempo dos governos chamados “revolucionários”, quando os opositores, nem sempre com muito tempo de estudo, praticavam uma linguagem sem cerimônia, que mereceu a designação de conversação “plebeu rude”.
– Característica do dialeto “plebeu rude” é o nivelamento “por baixo” de todos os interlocutores; o tratamento na terceira pessoa foi substituído pelo “tu”, desaparecendo qualquer reverência ao estado, cargo ou posição ocupada pelo destinatário da interpelação, comunicação ou referência.
– Consequência de tal prática é que sendo todos do mesmo nível, desaparece a obrigação da aparência, da boa imagem, do trato respeitoso às coisas alheias e a displicência com a palavra dita torna-se habitual nos diálogos, discursos, acordos e compromissos.
– A repercussão do estilo “plebeu rude” não se restringe, portanto, apenas ao tratamento coloquial, vai muito além. Atinge a maneira de vestir-se, a higiene pessoal, o respeito ao corpo – tatuagens, barba por fazer, “piercings” – e passam a constituir-se em contestação às regras éticas sociais.
– O valor do mérito, como medida de avaliação individual, passou a ser substituído pela militância ideológica agressiva, dando-se destaque maior ao companheiro desaforado do que ao militante educado, com boa formação ética e intelectual.
– Diante de tal realidade, embora não justificável, dada a posição política de quem os pronunciou, torna-se perfeitamente compreensível a razão dos termos usados pelo Presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, entidade máxima de representação dos advogados brasileiros e responsável pela regulamentação da advocacia no Brasil.

alvarobrand
Bacharel em Direito, mestre em Ciência Jurídica, na área de concentração em fundamentos do direito positivo, pela Univali.
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