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Mais brasilenses e menos brasileiros!

Inicialmente esclareço que o título acima foi inspirado na denominação dada por Reinaldo Azevedo ao seu artigo publicado no jornal “A Folha de São Paulo” na edição do dia 7 de fevereiro passado: “Para crescer, precisamos de mais Brasil e de menos Brasileiros”, afirmando: “Esse nosso povo tão mal acostumado, tão entregue a paixões — que, como lembraram Bolsonaro e Paulo Guedes, resultam em doenças que impactam os cofres públicos —, precisa ser menos Estado-dependente”.
Para concluir: “Está faltando coragem ao governo Bolsonaro para confessar que o modelo precisa de mais Brasil e de menos brasileiros”.
A inspiração resultou da lembrança de escritos neste espaço propondo uma distinção entre “brasileiros”, que seriam aqueles indivíduos profissionais, aqui nascidos ou não, e que fazem sua fortuna com as coisas do Brasil e vivem sempre atrás de uma sinecura, um empreguinho na corte, uma ”mamata”, tentando “dar um jeitinho” em qualquer situação desde que disto lhe resulte algum proveito.
Enquanto os “brasilianos” ou “brasilenses”, que seriam os nascidos neste país, que almejam o seu progresso, e sonham com a tranquilidade que uma vida honesta pode proporcionar para os seus concidadãos e que se preocupam em deixar um legado para a sua comunidade, assinalando a sua passagem por aqui.
Tomando como ponto de partida tal distinção propus em escrito anterior uma explicação para as distintas características comportamentais dos habitantes que vivem nas várias regiões deste país.
Esclareço: nortistas possuem hábitos, tradições, culinária e até linguagem regional distinta dos nordestinos e muito mais dos habitantes do centro que, por sua vez tem regionalismos diferentes daqueles habitantes do sul e centro-sul.
Tais diferenciações resultariam do clima, do território, do conjunto geográfico enfim? Ou resultariam do ambiente sociológico?
No primeiro século da colonização, Portugal descuidou-se da proteção ao território da colônia. Sabemos dos esforços pouco eficazes da Coroa em vigiar e impedir a visita de intrusos; franceses, ingleses, holandeses, que habituados ao corso, à pirataria e ao comércio furtivo, arribavam com frequência, nas costas da América.
No Brasil registraram-se várias tentativas de estabelecimento estrangeiro, sempre com o objetivo de lucro, ou seja, explorador; registra a história os estabelecimentos holandeses em Pernambuco, franceses no Rio de Janeiro e Maranhão e outros menores.
A mentalidade exploradora e jamais colonizadora informava a ação dos estrangeiros. O objetivo era o lucro da exploração, nada deixando para a comunidade.
Tal procedimento ficou arraigado na cultura local, transformando os nativos em exploradores das coisas e riquezas da terra, profissionais da atividade de viver das riquezas do Brasil sendo chamados, por isso, de brasileiros, por força da sua profissão, porque os aqui nascidos são simplesmente brasilenses.

alvarobrand
Bacharel em Direito, mestre em Ciência Jurídica, na área de concentração em fundamentos do direito positivo, pela Univali.
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