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Forças nem tão ocultas

Semanas atrás, inspirado pelas “revelações” do Joesley da JBS, atribuí ao então escrito o título “Forças ocultas”, figura invocada pelo ex-presidente Jânio Quadros para justificar sua renúncia no dia 25 de agosto de 1961.
Tal evocação foi inspirada pelas conclusões expostas na última frase do escrito; “Isto tudo, somado ao fato de que as “reformas” patrocinadas pelo Presidente com profundas modificações na Previdência Social – alteração das idades limite, igualdade entre funcionários públicos e os da economia privada, etc, também a reforma trabalhista repercutindo no contrato de trabalho, competência da Justiça do Trabalho e extinção do “imposto sindical”, principal fonte de receita das ditas entidades representativas das categorias, acarretando o desaparecimento de inúmeras prerrogativas, sinecuras e malandragens”, gerando um incômodo, pois foi mexer no vespeiro dos privilégios, não o resto.
Agora, pergunta a “grande mídia”: “…se não tivesse se sentido obrigado a levar a público a espantosa gravação, descoberta pela Polícia Federal, que expõe a conspirata de Joesley Batista para demolir os alicerces da República, livrando-se ao mesmo tempo dos muitos crimes que cometeu, teria Rodrigo Janot se decidido a apresentar ao Supremo Tribunal Federal (STF) no mesmíssimo dia, denúncia contra os dois ex-presidentes da República petistas?”, (O Estado de São Paulo-8/9/17)
Essa denúncia, tão flagrantemente atrasada, se refere aos principais responsáveis pelos atos ilícitos que originaram as investigações da Operação Lava Jato, envolvendo Lula e seus correligionários, a quarta a ser apresentada pela PGR ao STF tratando de “quadrilhas” montadas por políticos para assaltar os cofres públicos. As outras três investigam os políticos do PP, do PMDB do Senado e do PMDB da Câmara.
Tal demora em denunciar é estranha, pois como o próprio Rodrigo Janot reconhece, a quadrilha petista vem atuando desde que o partido chegou ao poder e “Lula foi o grande idealizador da constituição da presente organização criminosa, na medida em que negociou diretamente com empresas privadas o recebimento de valores para viabilizar sua campanha eleitoral à Presidência da República em 2002 mediante o compromisso de usar a máquina pública, caso eleito (como o foi), em favor dos interesses privados deste grupo de empresários”.
Essa é a primeira denúncia de Janot atingindo Lula, numa ação penal que tramita no STF contendo a acusação de que chefia uma quadrilha. Até a terça-feira passada, Rodrigo Janot não teve pressa. A sangria desatada ocorreu quando o procurador-geral, objeto da incontinência verbal de Joesley Batista, de pedra virou vidraça, antecipando o “movimento de manter-se o que já está aí, de forma a garantirem-se os privilégios, “mamatas” e sinecuras mesmo com o risco de fazer naufragar o país”.
Parece que as forças já não são tão ocultas.

alvarobrand
Bacharel em Direito, mestre em Ciência Jurídica, na área de concentração em fundamentos do direito positivo, pela Univali.
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