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Falta de segurança

Nas últimas semanas o noticiário nacional está repleto de espantosas revelações sobre o crescimento da violência em todas as regiões deste país. Até mesmo a nossa pacata Santa e Bela passou a figurar nas classificações nacionais: “Quinze anos atrás, em 2002, Florianópolis registrou apenas oito crimes violentos. Até 22 de setembro, a cidade somou, em 2017, 106 homicídios, seis latrocínios, cinco lesões corporais seguidas de morte e 10 óbitos em confrontos policiais.” (Folha de S.P.- 02/11)
Certamente a revelação de tal constatação irá suscitar uma verdadeira torrente de comentários, ideias, soluções e opiniões de comentaristas e entrevistados pois, “se antes Santa Catarina tinha índices de fazer inveja, pela primeira vez o Estado perdeu a liderança no ranking: segundo o último Atlas da Violência, feito por Ipea e Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Santa Catarina registrou mais assassinatos que São Paulo: a cada 100 mil habitantes, houve 14 mortes, ante 12,2 em São Paulo, a menor marca do país” informa Juliana Sayuri, em colaboração para o jornal citado.
De imediato discutir-se-á desde a adoção de penas mais severas, a atualização do Código Penal e terminando na omissão dos poderes constituídos e daqueles políticos ali empoleirados, acabando por concluir-se pela culpa concorrente daqueles que já adquiriram o direito ao voto para escolha de governantes e legisladores.
Tal conclusão é quase unânime: os culpados somos todos nós que, sem direito de escolha, fomos nascidos, criados e vividos nessa sociedade brasileira. Pessoalmente até poderia concordar, mas não com os argumentos que têm sido expostos pelos pseudocientistas sociais que frequentam a nossa mídia.
Por exemplo: afirma-se que somos culpados pela eventual baixa qualidade intelectual, moral, e social dos nossos representantes no Congresso Nacional, Assembleias Legislativas e Câmara de Vereadores, pois teríamos votado neles.
Pergunta-se: E seria possível votar em outros? É sabido que somente poderão ser votados os inscritos pelos partidos. E o eleitorado opinou sobre a elaboração da lista de candidatos?
Sendo negativas ambas as respostas, onde fica a culpa do eleitor? Ainda mais que o voto é obrigatório ficando o eleitor faltoso submetido a uma série de penalidades e sem o direito a qualquer benefício, redução ou transformação da pena, tal como se tem aplicado aos assaltantes, estelionatários, assassinos, traficantes de drogas e até mesmo aloprados, mensaleiros e delatores, falando-se até em anistia para os cassados.
Concordo com a necessidade de iniciar-se um movimento dos sem culpa, no sentido de melhorar as condições de vida social na terra brasileira, mas, por favor, vamos abandonar o “besteirol” dos costumeiros divulgadores do “achismo”, porque ninguém está procurando nada, pois já quase tudo foi roubado, começando pela tranquilidade pública.

alvarobrand
Bacharel em Direito, mestre em Ciência Jurídica, na área de concentração em fundamentos do direito positivo, pela Univali.
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