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Corrupção generalizada

“Se o STF soltar o presidiário Lula na sequência da violação e divulgação criminosa de comunicações atribuídas por Fake News a integrantes da Lava Jato, especialmente Deltan e Moro, dará sinal para a sociedade de que a ORCRIM venceu e de que os brasileiros são seus escravos”. (Declaração do procurador Ailton Benedito).
A frase acima transcrita suscita nas pessoas que, como eu, acabaram de assistir ao filme da Netflix intitulado “O mecanismo”, a necessidade de uma profunda análise sobre a política, o poder e a corrupção neste país.
Sobre a política muito já escrevi, neste espaço pois ela enseja entendimentos vários, seja para a doutrina do direito e da moral, ou para a teoria do Estado, ou mesmo para a arte ou a ciência do governo ou, finalmente, para o estudo dos comportamentos intersubjetivos.
Os dois primeiros entendimentos foram expostos por Aristóteles: o primeiro, na “Ética” –“a investigação do que deve ser o bem, e o bem supremo parece pertencer à ciência mais importante, a política”; o segundo, na “Política” – “é claro que existe uma ciência à qual cabe indagar qual deve ser a melhor constituição: qual pode ser a mais apta, para satisfazer nossos ideais…”.
O terceiro, como arte e ciência de governo, é o conceito que Platão expôs e defendeu no “Político” com o nome de “ciência régia”. O quarto é adotado a partir de Comte e identifica-se com o de sociologia positiva, sendo por ele denominada de política positiva.
Entretanto, em que pese a respeitosa posição dos inúmeros expoentes dos estudiosos da filosofia, atualmente, neste Brasil, a prática do que se pretende ser “política”, nada tem a ver com o “bem supremo” e a procura da melhor constituição “mais apta para satisfazer nossos ideais” ou, o “bem supremo” avaliados por Aristóteles e muito menos o revelado na “ciência régia” de Platão.
Bolívar Lamounier, escreveu no O Estado de S.Paulo, sob o título “Política infantil, povo infantilizado” que “a desigualdade social e o desmazelo geral estão nos tornando um país estúpido, violento e cruel”.
E mais: “No Brasil, a dificuldade é escolher qual o melhor exemplo de infantilidade e irresponsabilidade. Minha inclinação é a organização partidária. A proliferação desabrida não seria tão grave se o resultado dela fosse apenas nominal, mas não é o caso: analisada como um número de partidos efetivos, nossa estrutura partidária é, nada mais e nada menos, a mais fragmentada do planeta”.
E conclui: a adoção do “modelo de crescimento concentrado no Estado”, constituiu-se no “trampolim para a obscena consolidação de uma casta patrimonialista no topo da pirâmide política, reforçada pela trincheira geográfica que Brasília passou a proporcionar-lhe”.
Cabendo a mim completar: terreno fértil para nele vicejar a ignorância e proliferar a corrupção neste país.

alvarobrand
Bacharel em Direito, mestre em Ciência Jurídica, na área de concentração em fundamentos do direito positivo, pela Univali.
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