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Cherchez la femme…

– O noticiário nacional, referente ao comportamento dos personagens investidos na Administração Federal, tem registrado uma copiosa ocorrência de incidentes resultantes de inconveniências praticadas por auxiliares diretos de algumas autoridades.
– Um dos primeiros registros relata que o cancelamento de uma entrevista coletiva do Presidente do Brasil à imprensa credenciada em Davos motivada, segundo esclarecimento oficial, pela necessidade de repouso da autoridade, convalescente de um atentado sofrido na sua recente campanha eleitoral.
– Entretanto, noticiaram os jornais, o motivo alegado para o cancelamento, apresentado por um “assistente” do setor de comunicações, teria sido “em represália ao tratamento dispensado pela imprensa ao Presidente”.
– Criado o incidente, foi buscada a responsabilidade do comunicado feito à imprensa e, sem dificuldade, foi apurado que o tal “assistente”, nomeado antes do impeachment, continuava no setor a serviço, ao que parece, de quem o nomeou.
– Agora, a divulgação da minuta de reforma da previdência incomodou bastante o governo. A equipe econômica acionou até a Abin para tentar identificar quem vazou o documento.
– Por fim, o ministro Gilmar Mendes, em petição enviada a Dias Toffoli sobre a investigação da Receita Federal contra ele e sua mulher, dá notícia do vazamento para a imprensa do procedimento sigiloso. A Receita Federal informou que a investigação sobre Gilmar Mendes é preliminar e não resultou em um processo de fiscalização contra o ministro do STF.
– Tais inconveniências estão a indicar que existe uma espécie de “quinta coluna” atuando na estrutura administrativa do atual governo.
– Em 2006, abordando a compra do tal “dossiê dos sanguessugas”, onde identificaram-se como responsáveis: assessores, guarda-costas, churrasqueiros e até o presidente do partido, lembrei-me de tramas relatadas em aventuras e romances policiais, onde os chefes sempre contavam com os serviços de subalternos, não denominados, nem identificados, para a execução das tarefas sujas do crime.
– Lembrei a obra de Ian Fleming, o inglês responsável pelas aventuras de James Bond, o inesquecível “Agente 007”, onde também encontramos tais agentes anônimos, ali denominados pela expressão inglesa: “no faces”, quer dizer: “sem cara”, portanto de difícil identificação e consequentemente de grande conveniência para o mandante.
– Considerando as modificações e trocas das chefias feitas pelo “novo governo”, parece que novamente estão os “bagrinhos” na execução do serviço “sujo”, enquanto os “bagrões” somente se envolvem no noticiário para faturar algum prestígio para a sua sigla.
– Concluiria lembrando o conhecido aforisma usado pela polícia da França na busca da solução dos crimes: “Cherchéz la femme” (procurem a mulher).

alvarobrand
Bacharel em Direito, mestre em Ciência Jurídica, na área de concentração em fundamentos do direito positivo, pela Univali.
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