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Brasileirices (II)

– Aqueles que me honram com a sua atenção neste contato semanal devem recordar o que escrevi, sob o título hoje repetido, fazendo uma distinção entre “brasileiros” e “brasilianos” ou “brasilienses”.
– Brasileiros são aqueles indivíduos profissionais, aqui nascidos ou não, e que fazem sua fortuna com as coisas do Brasil e vivem sempre atrás de uma sinecura, um empreguinho na corte, uma ”mamata”, tentando “dar um jeitinho” em qualquer situação desde que disto lhe resulte algum proveito.
– Distinguem-se dos “brasilianos” ou “brasilienses” que são os nascidos neste país e que almejam o progresso nacional, sonham com a tranquilidade que uma vida honesta pode proporcionar para os seus concidadãos e que se preocupam em deixar um legado para a sua comunidade, assinalando a sua passagem por aqui. Patriotas, enfim.
– Ilustrei o afirmado descrevendo alguns “casos” que, como as jabuticabas, são próprios deste país: “No Rio de Janeiro, milícias invadem parques e terrenos baldios e vendem a posse dos lotes por até cem mil reais, modo de ação semelhante ao revelado após o recente incêndio e desabamento do prédio no Largo Paiçandú em São Paulo. Neste o MLMD (Movimento de Luta por Moradia Digna) coordenado por Ricardo Luciano que disse cobrar uma taxa de R$ 80 (R$ 200 a R$ 400 conforme moradores) para bancar a manutenção do prédio, negociava com a prefeitura a sua desocupação. ”
– Também uma auditoria sigilosa do TCU (Tribunal de Contas da União) constatou que a Zona Franca de Manaus concede descontos tributários para empresas que escapam de fiscalização e têm como sócios beneficiários do Bolsa Família, suspeitos de figurar como “laranjas” para operações fraudulentas milionárias.
– Hoje apresento mais uma “jabuticaba”: o TCU quer suspender o “bônus produtividade” pago aos funcionários da Receita Federal. Criada em 2016, como um incentivo ao trabalho realizado pelos fiscais, seu valor hoje é fixo e pago indistintamente a todos os servidores do órgão, inclusive aos aposentados, virando uma espécie de “penduricalho” que, no exercício passado, custou cerca de R$ 1 bilhão e neste ano, somente até abril, R$ 315 milhões.
– Sem emitir opinião e maiores comentários, o caso é relatado tão somente para registrar mais uma “brasileirice”, pois se atribui a uma classe de funcionários, além da remuneração pelo cargo ocupado, uma gratificação por realizar o trabalho a que estaria obrigado e até mesmo àqueles que deixaram de fazê-lo, os aposentados.
– Finalmente, diante disto, lembro aquele chiste que relata a resposta de Deus quando interpelado pelo favorecimento da terra brasiliana na distribuição das riquezas naturais no momento da criação do planeta Terra.
Perguntado se seria o Brasil a “Terra prometida? ” Respondeu: “Calma! Vocês vão ver o pessoal que vou mandar para lá. ”
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alvarobrand
Bacharel em Direito, mestre em Ciência Jurídica, na área de concentração em fundamentos do direito positivo, pela Univali.
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