Até tu???

O Brasil, segundo pesquisas, ocupa o segundo lugar entre os países, cuja população confia no noticiário publicado na imprensa, atingindo um percentual de 66% de confiantes.
E por ser assim, a imprensa, para continuar a merecer a confiança dos seus leitores, deve informar com isenção, afastada de ideologias e simpatias pessoais ou patronais, deixando para os seus artigos e editoriais o espaço para os deleites intelectuais e ideológicos.
E por pensar assim, relembro antiga narrativa envolvendo um militar que, num ato heroico, invadiu a jaula e salvou uma menina prestes a ser devorada pelo leão que a ocupava, em um Jardim Zoológico.
Em entrevista à reportagem, indagado sobre a sua profissão e qual o seu posicionamento político, respondeu: “Estou de férias, sou militar do Exército e nas eleições para Presidente votei no Bolsonaro”.
Na manhã seguinte, relatando o fato, o jornal estampa na primeira página: “Radical de extrema direita, ligado à ditadura militar, ataca imigrante africano e rouba o seu almoço”.
Na semana que passou, o “Estadão”, após a manchete: “O Brasil perde posição no IDH” acrescentou ao título: “Casa Civil atribuiu responsabilidade a “governos petistas”, mas não disse o que a gestão Bolsonaro já fez de concreto no mandato para reverter o quadro”.
Tudo bem, se não estivéssemos na antepenúltima semana do ano de 2019 do qual, somente após o seu término é que será concluída a avaliação do escore alcançado pelo Brasil no IDH.
Mesmo assim, a notícia agora publicada divulga um aumento de apenas 0,001 em relação ao ano anterior, o que não evitou que o Brasil passasse da 78.ª para a 79.ª colocação
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das Nações Unidas, mede o bem-estar da população com base em indicadores de saúde (expectativa de vida ao nascer), educação (anos esperados de escolaridade e média de anos de estudo da população adulta) e renda nacional bruta per capita.
O relatório, objeto da notícia, foi elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) afirma que, embora o Brasil tenha registrado avanços acentuados entre 1990 e 2013, nos anos seguintes apresentou resultados pouco expressivos. Entre 2013 e 2018, o Brasil perdeu três posições no ranking, todas elas pelo mesmo motivo: a estagnação dos indicadores de qualidade da educação em patamares muito baixos.
Esse é um problema antigo, decorrente das desastrosas políticas educacionais adotadas ao longo das décadas de 2000 e 2010. Sem foco, sem prioridade e sem linha de continuidade, os governos desse período agitaram bandeiras muito mais vistosas do que eficazes, ora colocando o ensino superior à frente do ensino fundamental, ora acenando com o fortalecimento do ensino médio, quando deveria cuidar mais de objetivos elementares, como o ensino de português, matemática e ciência.
Portanto, responsabilidade dos “governos petistas”. Agora, é outra história.

alvarobrand
Bacharel em Direito, mestre em Ciência Jurídica, na área de concentração em fundamentos do direito positivo, pela Univali.
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