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“A volta dos que não foram”

– Disse Fernando Gabeira: “Os corruptos estão se aproveitando da barafunda do governo; percebo que o Congresso vai preenchendo o vazio de poder não para oferecer uma alternativa mais sensata à sociedade, mas para garantir um retrocesso no aparato de controle da corrupção (…).
– Tal afirmativa vem juntar-se ao comentário do Professor Delfim Neto sobre a reunião na Câmara, publicada recentemente: “A nossa esquerda “infantil”, por outro lado, esmerou-se em manifestar o seu absoluto repúdio ao diálogo civilizado. Preferiu usar suas armas conhecidas: a gritaria organizada, a injúria contra o interlocutor e o completo desprezo pelas evidências empíricas”.
– Junta-se a estas pinceladas, tal como se pretendessem esboçar um quadro real do retrocesso da política brasileira, a notícia de que parlamentares contrários à aprovação do pacote de combate ao crime e à corrupção enviado pelo governo ao Congresso cogitam pulverizar o prestígio profissional do ministro Sérgio Moro, da Justiça e da Segurança Pública, a quem temem e querem ver pelas costas.
– A treta, ou estratagema, consiste em, juntamente com o citado pacote de combate ao crime, votar-se o das chamadas “novas medidas contra a corrupção”, também apoiada pelo ministro Moro onde, uma das medidas propostas, proíbe a indicação para o Supremo Tribunal Federal de quem tenha, nos quatro anos anteriores, “ocupado mandato eletivo federal ou cargo de procurador-geral da República, advogado-geral da União ou ministro de Estado”.
– O petardo consistiria em aprovar só parte dos pacotes, desidratados das medidas mais duras contra a corrupção e de outras que, segundo eles, demonizam a política mantendo, entre as medidas aprovadas, a que impediria Moro de ser indicado ao cargo de ministro do Supremo, intenção manifestada pelo presidente Bolsonaro.
– Tais ações somar-se-ão àquelas já integradas ao movimento parlamentar: chicana, chantagem do voto, etc. transformando as casas em verdadeiros “cortiços”.
– Cortiço é a denominação dada, no Brasil e em Portugal, a uma casa cujos cômodos são alugados, geralmente servindo cada um deles como habitação para uma família de baixa renda. As instalações sanitárias são comuns.
– Tais estabelecimentos foram imortalizados na literatura onde “O Cortiço” é um romance naturalista escrito por Aluísio Azevedo em 1890. É uma obra focada numa habitação coletiva, o cortiço São Romão, habitado pelas classes mais baixas e marginais: operários, imigrantes recém-chegados no Brasil, lavadeiras, prostitutas, entre outras. Representa os comportamentos tidos como promíscuos, preguiçosos e viciosos, atribuídos na época aos pobres, aos negros e mestiços. Aí, o autor descreve casos de violência, homossexualidade, prostituição e traição conjugal.
– Tudo indica que o brasileiro continuará vivenciando “a volta dos que não foram”.

alvarobrand
Bacharel em Direito, mestre em Ciência Jurídica, na área de concentração em fundamentos do direito positivo, pela Univali.
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