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A consagrada “meia boca” (4)

Conclui o artigo da semana passada com este trecho: “Resulta daí. Que somente 7% dos deputados ganharam eleições com o número de votos depositados nas urnas e são chamados “puxadores de votos”, como o Enéas, Tiririca, Janaína Paschoal. Os restantes 93% dependem do quociente eleitoral dos seus partidos. Já houve casos de “eleitos” com apenas cinquenta votos, ou seja, – o menos do mais. Não dá nem “meia-boca”. Imagina a qualidade”.
Por coincidência, J.R. Guzzo, O Estado de S.Paulo (15/3/20), escreveu: “o Congresso Nacional e todo mundo que está lá dentro formam hoje um dos grupos de seres humanos mais odiados do Brasil. Se fizessem uma “pesquisa de opinião” perguntando ao brasileiro qual o ambiente que ele respeita mais – a penitenciária da Papuda ou a dupla Câmara-Senado – qual você acha, sinceramente, que seria a opinião da maioria?”.
Esclareceu o brilhante articulista a citação da Papuda pelo fato de que, até o final de 2019, cerca de 100 deputados, pelo menos, respondiam a ações penais no STF, o que poderia transforma-la na residência verdadeira de muitos de nossos parlamentares.
Apesar de a mídia, os partidos, as entidades que representam alguma coisa, os sociólogos, etc. se levantarem indignados em defesa do Congresso difícil, senão impossível, será conseguirem uma absolvição.
“Basta ver o que fazem, no dia a dia da vida real, os deputados e senadores. Não é só a questão criminal – estão sendo processados por peculato, concussão, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e ativa, falsificação de documento. Conseguem, até mesmo, ser acusados em ações penais por trabalho escravo. Talvez pior que isso seja a postura que, no entender das pessoas, eles têm diante do interesse público – sempre que veem alguma chance, ficam contra. Escondem-se atrás de crimes coletivos, no plenário, para saquear o País”, pondera o jornalista citado.
Tudo isto sem falar-se dos insultos e agressões àqueles que, por convocação, depõem nas “comissões de inquérito”, tudo sob a proteção da “imunidade parlamentar”.
Constituem-se por isso, os próprios parlamentares, um obstáculo de difícil transposição para quem pretende defende-los pois, eles mesmos construíram a sua imagem negativa perante a população.
E não esmorecem, “o presidente da Câmara dos Deputados faz 250 viagens em jatinhos da FAB durante o único ano de 2019 – mesmo porque uma das razões alegadas para isso é o fato de que ele não pode andar em nenhum meio de transporte público, para não ser triturado por vaias. Temos, aí, que o chefe da Casa do Povo não pode chegar a um metro do povo,” comenta J.R. Guzzo.
Não é à toa que apesar de toda a sua mediocridade, que sempre funciona como um manto protetor para qualquer político, os presidentes da Câmara e do Senado estão hoje entre as pessoas mais abominadas do país. E viva a “meia-boca”.

alvarobrand
Bacharel em Direito, mestre em Ciência Jurídica, na área de concentração em fundamentos do direito positivo, pela Univali.
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