Ricos e pobres

Alguns ideólogos do capitalismo constatam como as desigualdades se acentuam de forma radical e como o capitalismo é incapaz de dar resposta ao problema, «não apenas para a paz social, mas até para a sobrevivência das democracias estáveis». A sua opção de classe não vê saída que não seja catastrófica. Acontece que a única saída que existe – a saída revolucionária – será catastrófica para o capitalismo, mas não para os povos.
O Índice de Bilionários da Bloomberg revela que os 500 indivíduos mais ricos do planeta chegaram ao fim de 2017 com fortunas superiores em 24% ao que detinham no início do ano. No fim de ano as grandes empresas foram ajudados pela nova lei fiscal de Trump, que lhes presenteou com uma baixa da sua taxa de impostos, de 35% para 21% (thebalance.com, 27.12.17). Segundo o professor norte-americano James Petras, «entre 67% e 72% das grandes empresas tiveram uma taxa fiscal nula, após as deduções e isenções… enquanto os seus operários e empregados pagavam cerca de 25% a 30% em impostos. […] A taxa para a minoria das grandes empresas que pagaram algum imposto, foi de 14%» (globalresearch.ca, 5.10.17). Ao mesmo tempo, «as maiores empresas dos EUA estacionaram mais de 2,5 bilhões de dólares em paraísos fiscais […] e receberam 14,4 biliões em ajudas com dinheiro do Estado». Comenta Petras: «a classe dominante aperfeiçoou a ‘tecnologia’ de explorar o Estado» e não apenas os trabalhadores.
A natureza cada vez mais exploradora e parasitária do capitalismo atual merece reparo de Martin Wolf, economista chefe no Financial Times (20.12.17). Escreve Wolf: «O poder cria riqueza e a riqueza cria poder». Perguntando se algo pode inverter o processo de crescente desigualdade diz: «sim […], os quatro cavaleiros da catástrofe: a guerra, a revolução, as epidemias e a fome». De forma nada inocente, confessa que o capitalismo não é reformável. E repete: «no século XX, revoluções (na União Soviética e China, por exemplo) e duas guerras mundiais reduziram dramaticamente as desigualdades. Mas quando os regimes revolucionários amoleceram (ou colapsaram) ou as exigências da guerra se afastaram nas memórias […] novas elites imensamente ricas emergiram, alcançaram o poder político e de novo o usaram para os seus fins».
Não foram as guerras mundiais que ‘reduziram dramaticamente as desigualdades’, mas o facto de que essas guerras, geradas pelo capitalismo, conduziram às grandes revoluções sociais do século XX. E as vitórias contra revolucionárias que de novo aumentaram dramaticamente as desigualdades, que com elas lucraram. Agora Wolf quer deixar-nos a opção entre aceitar a pilhagem ou perecer num holocausto: «A implicação parece ser que, na ausência de algum acontecimento catastrófico, estamos de regresso às desigualdades sempre crescentes.
Longe de ser uma ‘catástrofe’, a revolução é a única solução para quebrar a espiral de exploração e pilhagem sem fim dos povos. O capitalismo apenas traz a miséria e a guerra. Não é reformável.
*Fonte: Jorge Cadima in “Avante!” nº 2301, 4.01.2018

valdir izidoro silveira
Valdir Izidoro Silveira é engenheiro agronômo, jornalista e especialista em Planejamento e Desenvolvimento Regional-ILPES/CEPAL/ONU-IPARDES-PR.
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