Home Colunistas O mundo gira O imbróglio nacional: o que fazer?

O imbróglio nacional: o que fazer?

Preocupante mas bem fundamentado o texto de Mino Carta “CADÊ O POVÃO?”, publicado na revista Carta Capital, Edição Especial, 19 de julho de 2017. O povão está aparvalhado, abobado, desconcientizado, instrumentalizado por seitas evangélicas que tem à sua frente pastores e bispos a serviço das elites, da classe dominante e, além disso, domesticado pela televisão, futebol, carnaval, baladas e diversos tipos de drogas, tudo incentivado pelo sistema, enfim, alienado.
Partilho das angústias do Mino quando pergunta “onde estão aqueles 90% de eleitores que choraram com Lula…”. É preciso que as pessoas reflitam, tenham clareza e se debrucem sobre as causas da apatia dos trabalhadores diante desse ataque esmagador e busquem caminhos para superar a derrota sofrida no parlamento chantagista, negocista e entreguista.
No Brasil, 30 milhões, numa população de 190 milhões, tem carteira assinada. O restante é parte do mercado informal, portanto é preciso ter em mente que para eles não interessa esse debate sobre as leis trabalhistas. Não sabem o que significa. Estão brigando desesperadamente para se manter vivos.
Dados mostram que, pelo menos, 50 milhões de pessoas que trabalham no Brasil hoje estão completamente sem proteção. Não são influenciados por nada, nem pelos discursos dos sindicalistas. Muitos deles sequer sabem o que é um sindicato. Tudo o que sabem sobre a reforma é que “irá gerar mais empregos”, segundo dizem os famosos jornalistas das redes de televisão que os “informam”(?). Desses 30 milhões que tem carteira assinada e são, os potenciais perdedores de direitos, muitos deles, quiçá a metade, nem sabe que tem direitos.
É preciso contabilizar um exército de 14 milhões de desempregados. Essas pessoas querem é encontrar um emprego que lhes garanta o seu sustento e o de suas famílias. Possivelmente, a maioria não está preocupada com a defesa dos direitos daqueles que estão empregados. Estão, sim, focadas na busca de um emprego. Restam então 15 milhões de trabalhadores que sabem o que vai acontecer com o fim das leis trabalhistas. São os que vão aos protestos, e nem todos, passeatas, junto com os jovens e estudantes, potenciais trabalhadores. Como a maioria dos sindicatos pelegos estava “dormindo” durante a era petista, e ainda estão, no geral, não há propostas radicais de luta.
O caminho é longo. Não podemos ficar paralisados, nem desesperançados! O motor da história é a luta de classes e a classe trabalhadora haverá de encontrar um caminho.

valdir izidoro silveira
Valdir Izidoro Silveira é engenheiro agronômo, jornalista e especialista em Planejamento e Desenvolvimento Regional-ILPES/CEPAL/ONU-IPARDES-PR.
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