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Um adeus a Konder Reis

Meu vizinho e grande amigo foi embora. Depois de lutar por mais de cinco anos com um grave problema de saúde, Antônio Carlos Konder Reis se despediu desta vida no dia 12 de junho de 2018, deixando um vasto círculo de amizades, especialmente em todo o estado de Santa Catarina. Perde o Brasil. Político maior, símbolo de dedicação e honestidade. Sua trajetória na política brasileira é digna de menção para todos, cujo registro se encontra no livro que foi elaborado por 10 abalizados autores, em 1997, com o título ANTÔNIO CARLOS KONDER REIS – 50 Anos de Vida Pública., o qual recebi autografado por ele no dia 2 de janeiro de 1998. Neste livro consta um artigo que fiz para o Jornal do Comércio, em 5 de abril de 1997, intitulado O NETO DE DONA ADELAIDE. Companheiro de todos os tempos, desde o começo de sua carreira política, sempre participei dos eventos especialmente familiares que eram promovidos, mesmo em palácio quando ele fora governador. O último foi a comemoração dos seus 90 anos de idade em sua residência, na Armação de Itapocorói. Católico praticante, programou uma missa celebrada em sua casa antes do almoço. O Pe. Miro (Valmir de Barbi) da Paróquia São João, de Itajaí, foi o celebrante. Bons momentos de sua infância foram passados em Armação de Itapocorói, brincando e andando de carroça com o colega Nicácio da Costa. Sobretudo saboreando o gostoso pirão com peixe preparado por dona Olinda do Seu João Aniceto. A mãe, dona Eli, se preocupava com a sua falta de apetite na hora do almoço e reclamava para dona Olinda, que dizia: ele já está bem alimentado. Em 1935, acompanhando a família, foi morar em Santos, ingressando no Colégio Santista, mantido pelos Irmãos Maristas. Em 1940 vai para o Rio de Janeiro para onde o pai, funcionário público, fora transferido transitoriamente. Em 1941, retorna a Santos e termina o curso ginasial. Em 1947, aos 23 anos, começa a carreira política elegendo-se Deputado estadual à Assembleia Legislativa de Santa Catarina, reelegendo-se em 1951. Daí passa para o âmbito federal – deputado, senador – ocupando relevantes cargos políticos e administrativos. Foi ainda por duas vezes governador de Santa Catarina. Em 1994, ofereceu um almoço em família para 10 casais amigos no Palácio da Agronômica, no qual eu e Lucinha fizemos parte. Consternados com a sua partida nos despedimos do terno amigo, externando as nossas sentidas condolências. Antônio Carlos Konder Reis, um homem que não se repete.

Memórias & Fatos
Cláudio Bersi de Souza é um escritor, romancista, historiador e cronista brasileiro. Considerado o mais prolífico autor de Penha, Bersi começou a publicar nos anos 1980, após uma carreira como marinheiro em embarcações pesqueiras. Seu primeiro livro foi lançado em 1984, "Um beijo na Tempestade". A esses se seguiram "Uma Luz na Solidão" (1988), "Muralhas de Água" (1992), "Penha: A história para Todos" (1995), "Pirajá" (1999) e "Piçarras de Todos os Tempos" (2000).
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