O Hotel Oásis

Será que o Carlos Gueiros tem em seu acervo a história desse hotel de Pomerode? O Hotel Oásis foi uma referência nacional na década de 1950. Ali se hospedaram presidentes, governadores e outras autoridades, políticos e artistas famosos. Não só se hospedavam como participavam de suas festas cheias de glamour. Era comparado ao Palácio Quitandinha, de Petrópolis, no Rio de Janeiro. Grandes orquestras abrilhantavam seus bailes que venciam a noite até o amanhecer. Vinhos finos e champanhes, servidos em taças de cristal, eram as bebidas triviais entre os hóspedes e convidados. Cinco refeições diárias eram servidas num rico bufê – especialmente preparado pela esposa de Hermann Gehrmann – o proprietário.
O alemão Hermann Gehrmann, que começou sua vida no Brasil trabalhando na lavoura e desenvolvendo suas atividades como curandeiro, progrediu financeiramente a ponto de construir aquela casa de festas direcionada ao público da alta-sociedade. Quadros e esculturas de autores renomados decoravam o ambiente, ornamentados com flores naturais de raras espécies. Hermann Gehrmann prezava pelo que era moderno no exterior e importava as ideias para pô-las em prática em Pomerode. Quando o Oásis foi construído ali ainda era um distrito de Blumenau chamado Rio do Testo. Só a partir de 1959 é que passou a se chamar Pomerode por ter sido emancipado município.
Foram poucos os anos dourados do Hotel Oásis. Cerca de 10 anos durou o apogeu. Dívidas e contratempos decretaram a falência imediata e seu proprietário terminou seus dias, viúvo, no ancionato Bethesda em Pirabeiraba – distrito de Joinville.
Graças à iniciativa e cuidado da Jornalista Bettina Riffel que conseguiu fazer um livro resgatando a memória do Hotel Oásis de uma forma retrátil deixando o leitor apaixonado pelo que foi aquela casa de festas e acolhimento num lugar que pouco passava de sete mil habitantes quando começou. Bandas como Cassino de Sevilha e Ruy Rey e Sua Orquestra abrilhantaram muitos bailes no Hotel Oásis. O livro de Bettina – Lembranças do Oásis – é um rico documentário que traz uma cobertura completa dos acontecimentos sociais e políticos no Brasil, registrando fatos como a visita de Jânio Quadros e Getúlio Vargas a Pomerode em conexão direta com o Hotel Oásis. O governador Irineu Bornhausen comemorou ali suas bodas de Prata com a esposa Dona Marieta Konder.

Memórias & Fatos
Cláudio Bersi de Souza é um escritor, romancista, historiador e cronista brasileiro. Considerado o mais prolífico autor de Penha, Bersi começou a publicar nos anos 1980, após uma carreira como marinheiro em embarcações pesqueiras. Seu primeiro livro foi lançado em 1984, "Um beijo na Tempestade". A esses se seguiram "Uma Luz na Solidão" (1988), "Muralhas de Água" (1992), "Penha: A história para Todos" (1995), "Pirajá" (1999) e "Piçarras de Todos os Tempos" (2000).
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