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Meus tempos de criança

Associo-me à canção de Ataulfo Alves para recordar e também para homenagear todos os professores pelo seu dia especial. “Eu daria tudo o que eu tivesse para voltar aos dias de criança. Eu não sei pra quê que a gente cresce e nunca sai da gente essa lembrança”. Até certo tempo era assim, ia-se para a escola que era o prosseguimento do lar. Juntamente com as primeiras letras, aprendia-se a regra do bom viver, o conceito de família e os direitos civis. Aprendia-se a ler pelas vogais, hasteava-se a bandeira e cantava-se o Hino Nacional. “Que saudade da professorinha que me ensinou o Be a Ba. Onde andará Mariazinha, meu primeiro amor, onde andará?” Era muito marcante o tempo de escola. Tínhamos respeito e admiração pelos professores que tratavam os alunos como seus próprios filhos. Na escola mista uma só professora ministrava aulas de todas as matérias para a série completa do ensino fundamental. Automaticamente se assimilava sua forma de ensinar pela sua própria formação educacional. Esse conceito de um só mestre para todos os alunos era mais eficaz do que vários professores para um só aluno. Mas os tempos mudaram e o ensino se modernizou. 
Porém os professores e professoras continuam com a mesma dedicação e vontade. Embora mal remunerados, cumprem a difícil tarefa de ensinar. Os novos métodos de ensino se tornaram técnicos e mecanizados levando a perder aquele sentido familiar da escola. Bravos mestres! Vocês são verdadeiros heróis e merecem realmente serem lembrados neste dia especial. Hoje já não se guarda mais a imagem da primeira professora para se recordar com saudade. Antigamente parece que a escola era só para criança. Nesta era da informática, já não tem mais aquele sentido a hora do recreio – se tiver hora de recreio. “Eu igual a toda meninada quanta travessura que eu fazia. Jogo de botões sobre a calçada… Eu era feliz e não sabia”.

Memórias & Fatos
Cláudio Bersi de Souza é um escritor, romancista, historiador e cronista brasileiro. Considerado o mais prolífico autor de Penha, Bersi começou a publicar nos anos 1980, após uma carreira como marinheiro em embarcações pesqueiras. Seu primeiro livro foi lançado em 1984, "Um beijo na Tempestade". A esses se seguiram "Uma Luz na Solidão" (1988), "Muralhas de Água" (1992), "Penha: A história para Todos" (1995), "Pirajá" (1999) e "Piçarras de Todos os Tempos" (2000).
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