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Itajaí de antigamente

Não tenho coleção de fotos antigas, mas posso contribuir com o tema ‘Itajaí de antigamente’ lembrando da cidade dos anos 50 do século passado. A travessia do rio para Navegantes deixava de ser com o bote a remo ganhando uma lancha motorizada muito confortável e segura. Na Barra do Rio tinha a balsa para a passagem de veículos puxada por um bote a motor. Minha juventude foi vivida e convivida com Itajaí. Sempre que dispunha de tempo e nas minhas folgas eu estava lá. Frequentava os cinemas – Cine REX, Cine ITAJAÍ e Cine LUZ. Mesmo embarcado, quando ali aportávamos, eu procurava usufruir das maravilhas que oferecia a terra de Lauro Müller. Indispensável uma visita ao Café Mira Mar, ao Bar da Trude ou ao Bar e Snooker Zena. No Bar e Café Rainha a parada principal para um bate-papo com os amigos da cidade que ali se reuniam. Na esquina da Praça Vidal Ramos o Café do Bráulio. Na hora do almoço o point era o Restaurante Marcos, bem ali no começo da rua Lauro Müller. À tarde um lanche ou um morango com creme na Confeitaria Imperial. Passar uns momentos no Mercado Público era muito gratificante. Sempre havia ali um tocador de viola ou sanfona, cantadores e outras atrações. Na Banca de peixes uma festa. Ali tinha sempre as ‘culapadas’ – pescadas-amarelas – abundantes no próprio Rio Itajaí Açu. Para as compras de roupa ou tecidos, ao longo da rua Hercílio Luz o principal centro comercial. Casa Nino, Casa Jorge, Casa Santângelo. Casa Balinho, Casa Narciso, Casas Pernambucanas. Na Casa do Rádio comprei o acordeão Scandalli, que ainda tenho. No setor de secos e molhados destacavam-se: Armazém João Fábio, Bruno Kormann e Chico Souza. Ferragens e artigos elétricos na Casa Rodi. Reparos mecânicos e elétricos na Oficina do Bubi. Destacava-se a Fundição Moritz que passou a fabricar betoneiras. Pioneiro no atendimento à noite o Bar e Restaurante Ponto Chic. No centro duas farmácias: Farmácia Brasil, de Heitor Liberato e Farmácia Santa Teresinha, de Gregório Rubineck. O Cartório de Registro de Imóveis do Dr. Aldo Mário de Almeida ficava na Rua Pedro Ferreira. O Fórum também. Ao longo da Rua Lauro Müller, a Coletoria Estadual, a Lavanderia Sul América, a Capitania dos Portos, a casa de Lindolfo Vieira. Pessoas minhas conhecidas no centro da cidade: Mauro Schneider, Lilito Tedéu, Walter Fleischmann, Adelino do Violão, Zé do Restaurante Pau do Meio, Félix Fóes, Alfredo Fóes, Wilfredo Curlin, Amauri, Genésio Santos, Balhu, Dalmo Feminela, Ribeiro Luz, Sebastião Reis, Roland Schneider, Arno Kugnier, Jorge Saada, Egydio Narciso, Evaldo Wilerding, Nilton Kucker, Dalmo Vieira, Abdon Fóes. O principal noticiário e informativo era o Jornal do Povo. A única foto que disponho é de mim mesmo, tirada junto à estátua de Lauro Müller, ostentando a Carta de Segundo Condutor Motorista da Marinha Mercante, que recebi na Capitania dos Portos em 1953.

Memórias & Fatos
Cláudio Bersi de Souza é um escritor, romancista, historiador e cronista brasileiro. Considerado o mais prolífico autor de Penha, Bersi começou a publicar nos anos 1980, após uma carreira como marinheiro em embarcações pesqueiras. Seu primeiro livro foi lançado em 1984, "Um beijo na Tempestade". A esses se seguiram "Uma Luz na Solidão" (1988), "Muralhas de Água" (1992), "Penha: A história para Todos" (1995), "Pirajá" (1999) e "Piçarras de Todos os Tempos" (2000).
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